Simplesmente Lu

Outubro 10 2014

Fafá sola.JPG

Fafá de Belém. Foto: Tamara Saré

 

Que tal ouvir Fafá de Belém interpretar 'Coração de Estudante' com Wagner Tiso ao piano? Emoção diretamente proporcional a de presenciá-la dividindo o palco com Cristovão Buarque em 'Resposta ao Tempo'. Ou ao prazer de ouvir a guitarrada gostosa do mestre Manoel Cordeiro em sintonia com o som das guitarras portuguesas de Nuno Miguel Botelho e Hugo Filipe Gamboias (foto) no palco do Teatro da Paz. 

 

Ora, pois pois, mas com certeza essa não é uma casa portuguesa. Não é. O Da Paz é uma casa de espetáculos centenária localizada em Belém do Pará. Foi lá que grandes músicos se reuniram na noite desta quinta-feira, 9, no espetáculo Fado Tropical, que apresentou Fafá de Belém e convidados.

 

Fafá mostrou que é de Belém, do Pará, do Brasil, de Portugal e do mundo.

Fafá com Nuno Miguel Botelho e Hugo Filipe Gamboias

 

Fafá e seus convidados cantaram a universalidade da música em repertório diversificado onde nada foi lugar comum: erudito, popular, regional se misturaram e combinaram em ponto e contraponto.

 

Seu conterrâneo, o saudoso Waldemar Henrique, já havia demonstrado que a receita dá certo quando há música de qualidade. 

 

É o que Waldeco reafirma a cada interpretação e releitura feitas de sua obra. Prova disso é o impecável 'Uirapuru' na voz da cantora lírica Gabriella Florenzano e o singelo 'Tambatajá' na interpretação tocante de Fafá de Belém.

 

E o que falar do 'Foi Assim' de Paulo André e Rui Barata? Esse clássico (ou popular?) do repertório da cantora fechou o espetáculo com a participação de todos os músicos. 

 

Músicos jovens e experientes, de diversos estilos e origem, formaram o elenco, tão plural quanto a plateia do teatro, lotada de paraenses e turistas brasileiros e do exterior que visitam o Pará no Círio de Nazaré, festa de devoção à padroeira dos paraenses.

 

Com sua voz arrepiante, energia e talento, Fafá cantou para a sua padroeira “Ave Maria”, de Schubert, em ritmo de bossa nova (ela pode!). Os céus também aplaudiram Fafá em “Azulão” e Gabriella Florenzano (foto) em “Um Poema de Amor”.

 

A plateia fez coro durante as canções mostrando que Jaime Ovalle e Wilson Fonseca estão presentes no imaginário coletivo. Tão presentes quanto o “Trem Caipira”, de Gismonti, com sua força que nos desloca no tempo e no espaço. É o poder que a música têm de nos emocionar diante de uma obra de arte.

 

O Fado Tropical, de Chico Buarque, na voz da diva Fafá, fez muitos fecharem os olhos e, sinceramente, chorarem: 'ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal...'

 

Fafá cantou, papeou, dançou, encantou, riu, rodopiou e conduziu com maestria cada música apresentada, cada convidado e momento do espetáculo, aberto por ninguém menos que Sebastião Tapajós e seu violão mágico.

 

Entre um número e outro lá vinha ela jurando com 'pavulagem que pegou uirapuru' e que 'foi boto, sinhá'. Fafá também falou 'do lobisomen, da mãe-d'água, do tajá, disse do juratahy que se ri pro luar'... Égua, que cabocla faladora!

 

Maria de Fátima Palha de Figueiredo é a Fafá, que é do mundo, mas carrega Belém no nome, na alma e no coração. 

 

Gabriella Florenzano_show da Fafá de Belém.JPGO Fado Tropical é um show que passa como um trem lotado de luzes, sons e talentos pungentes: estrelas da música brasileira e portuguesa. Ícones da música paraense com suas raízes múltiplas.

 

Nessa viagem de tempos e contratempos, embarcaram, ainda, Márcio Malard (violoncelo), Davi Amorim (guitarra), Adelbert Carneiro (baixo), Trio Manari (percussão) e Esdras de Souza (sax/flauta).

 

Na direção musical estava o múltiplo Luiz Pardal, que dispensa apresentações.

 

Ah, também tinha muita gente bonita do lado oposto do palco, aplaudindo essa grande festa da Fafá de Belém: a atriz Dira Paes, o músico Paulo André Barata, o padre Fábio de Melo...

 

É tanta arte, beleza e falação, que nem dá pra explicar. É melhor deixar isso pra lá!

 

Luciane Fiuza

 

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Fotos: Tamara Saré/Secult

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 07:24

Setembro 17 2014

Da Tribu prepara lançamento da sua nova coleção, "Pontear"

 

 

 

É com a flexibilidade do látex, pontuada por cores, nós e movimentos criativos desenrolados pelas mãos da artesã Kátia Fagundes que está nascendo a “Pontear”, nova coleção de adornos e adereços da empresa “Da Tribu – Acessórios”. A coleção comemora os cinco anos de existência da marca firmando seu conceito baseado em produção coletiva e participativa.

 

Ao ver o contexto além do produto, os acessórios da “Tribu” nascem de mentes férteis ligadas por pontes de afetos e laços fortalecidos por uma cadeia colaborativa aberta a novas conexões.

 

Com lançamento previsto para novembro próximo, durante o Amazônia Fashion Wek, o conceito da nova coleção foi apresentado na manhã do último sábado (13), na Gourmeteria Villa Toscana.

 

O evento foi destinado a jornalistas, assessores de imprensa, empresários, artesãos e amigos da marca, convidados a participar da programação que promoveu troca de ideias e atividades lúdicas para estimular criatividade de cada participante. Propostas que vão fazer parte do processo criativo das novas peças.  

 

O trabalho envolve toda a família da artesã, que junto com sua filha, Tainah Fagundes, abriu a programação falando sobre a temática da nova criação, ponteada pela sociabilidade, coletivos produtivos e novas formas de organização. A ideia é criar mais do que laços: é estabelecer conexões baseadas em parcerias, nas novas formas de relações contemporâneas, em especial de quem dialoga com o trabalho da “Tribu”.

 

Conexões como a roda que Moahra Fagundes coordenou carregando no colo, afetuosamente, o pequeno Manih. Canções ciganas entoaram algumas coreografias da Roda de Dança Circular, da qual participaram todos os convidados, encaminhados, na sequencia, para a sala onde aconteceu a palestra “Design Participativo: Ponteando sentimentos”, com a designer Sâmia Batista.

 

“Na dança circular todos se integraram; a intenção era essa. Acho que por meio dessas redes a gente pode criar coisas novas”, frisou Tainah Fagundes, ao apresentar a palestrante, lembrando que o discurso da “Tribu” também é o de colaboração com a expressão das escolhas de cada indivíduo. “A intenção é abastecer a Kátia, que já tem esse caminho de inspiração. Agora ela quer refletir vocês na coleção, e a gente vai equipá-la com mais referências”, completou, referindo-se ao momento lúdico da programação, quando os convidados criaram painéis em cartolinas brancas utilizando retalhos de tecidos, lápis de cor e de cera, miçangas, lã e outros.

 

Ao final, os participantes assistiram a apresentação de voz e violão de Lucas Guimarães.

 

A designer Sâmia Batista falou sobre parcerias, mapas tipográficos e outros temas

 

Ponteando sentimentos – Durante a palestra, Sâmia Batista questionou se cada pessoa é o agente de mudança que desejaria ser. Ela falou sobre atitudes que podem fazer a diferença, especialmente quando as pessoas se unem em torno de um objetivo em comum. A designer citou um trabalho de reutilização de móveis e encontros com pessoas interessadas em trocar receitas e experiências sobre gastronomia.

 

“A gente sabe que a cena de Belém é forte, é profusa, mas a gente não se organiza”, identificou, destacando a importância das parcerias na utilização, por exemplo, de espaços virtuais para a divulgação de trabalhos afins com compartilhamento de despesas por meio de uma estrutura colaborativa.

Ao mostrar uma criação da designer gráfica e pintora Paula Scher, também reconhecida por seus “mapas tipográficos” - de desenhos feitos com palavras a partir de mapas reais - Sâmia falou mais sobre a parte prática do encontro, que gerou mapas visuais coletivos.

 

“Eu quis trazer essa imagem (mapa) para tentar mostrar para vocês o que a gente está visualizando. De todos estes conceitos falados foram geradas muitas palavras e a gente usou essas palavras para a comunicação quando chamou ‘pontear afetos’, ‘pontear amizades’... Queremos trazer estas palavras e estes conceitos com mais força para nos inspirar visualmente”, explicou. 

 

 A nova coleção unirá novas e antigas referências do trabalho desenvolvido pela empresa

 

Pontear - O símbolo deste novo caminho da marca “Da Tribu” tem na plasticidade do látex, matéria-prima amazônica de múltiplas utilidades que encanta tribos diversas, a síntese de sua trajetória: caminhos ponteados pela criação e recriação de objetos que comunicam cuidado com a natureza e o homem amazônida no modo de fazer e no manejo sustentável dos insumos da floresta.

 

A partir de referências anteriores e novas inspirações, a coleção “Pontear” dá seguimento ao trabalho artesanal desenvolvido pela “Tribu” ao longo destes anos. As formas geométricas envelhecidas resultantes do papel reciclado com sementes da floresta e o trabalho de chochê que revela “antigos saberes, ancestralidade e pertencimento” de mãos criativas e parceiras, características da última coleção, a Sumos Solares, também pontearam as novas criações. 

 

Com a chegada da coleção “Pontear” também serão fortalecidas parcerias de mais de dois anos entre a marca e mãos criativas da comunidade extrativista do Assentamento Paulo Fonteles, com suas tecnologias inovadoras. Para o novo ciclo, a cadeia afetiva da “Tribu” ganha novos parceiros, entre eles os artistas visuais Starlone Souza, Carla Beltrão e Encauchados da Amazônia.

 

Como no movimento de uma dança circular, do yin yang ou das mandalas coloridas, a coleção “Pontear” é a representação de um círculo flexível e dinâmico de afetos ponteados pelo látex em acessórios que expressam  individualidades e marcam o ponto de partida para infinitas descobertas.

 

Serviço: Os produtos da “Tribo” podem ser encontrados na Casa do Artesão do Espaço São José Liberto e na loja “Da Tribo – Acessórios”, situada na Rua Antônio Barreto, 810. Fátima. Contatos: (91) 8327-6779 e 8032-0415.

 

Texto e fotos: Luciane Fiuza

 

Veja mais fotos no álbum do meu Face ou AQUI - FANPAGE "DA TRIBU"

 

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 18:24

Julho 29 2014

                                                                              Focus Cia de Dança. Foto: Cintia Pimentel  

 

 

                                                                            apresenta

 

As canções que você dançou pra mim

  

Não é ao acaso que Roberto Carlos é considerado um rei. Suas canções embalam e encantam a todos que, de alguma forma, identificam-se com uma ou outra. E é neste ritmo, impulsionada pelas canções do rei, que a Focus Cia de Dança (Rio de Janeiro) chega a Belém com o premiado espetáculo inspirado neste universo musical. 

 

As tantas emoções que Roberto Carlos cantou aos brasileiros transformam-se em trilha sonora para os bailarinos da Focus Cia de Dança no espetáculo “As canções que você dançou pra mim”.

 

Com uma trajetória de sucesso nacional e internacional, a montagem do grupo carioca chega a Belém nos dias 15, 16 e 17 de agosto (sexta a dom), no Teatro Estação Gasômetro, que fica no "Parque da Residência", Av. Governador Magalhães Barata, 830 - São Brás.

 

Os ingressos custam R$ 20/R$ 10 (meia) e podem ser adquiridos com antecedência na bilheteria do Teatro. A turnê é uma realização do Ministério da Cultura (MinC) com o patrocínio de O Boticário na Dança.

 

“As canções que você dançou pra mim”

 

O espetáculo estreou  em 2011 e já realizou cerca de 170 apresentações em cidades brasileiras e em outros países como Estados Unidos e Portugal. Eleita como uma das melhores montagens em dança pelo jornal O Globo (em 2011) e pela Folha de São Paulo (em 2012).

 

‘A escolha por Roberto Carlos surgiu de brincadeiras do elenco que durante as viagens cantavam músicas do rei onde um ia interrompendo o outro com outra música, a partir de uma palavra comum’, conta o diretor e coreógrafo da companhia carioca, Alex Neoral. ‘Uma canção vai puxando a da sequencia, formando uma grande história. É como se uma perguntasse e a outra respondesse’, completa Alex.

 

Compõem a trilha sonora do espetáculo mais de 70 trechos das composições, sempre na voz do próprio Roberto em suas versões originais em clássicos dos anos 1960 a 1980.

 

Para Alex - que coreografa pela primeira vez a partir da palavra cantada - o desafio é duplo: mergulhar na obra de um artista tão popular, tão presente no cotidiano dos brasileiros, e colocar tal obra em diálogo com uma arte abstrata como a dança. “O significado da palavra é muito forte na canção. Procurei usar a literalidade, mas de uma forma inteligente, que não limitasse a dança a uma legenda da letra. Aproveitei as intenções para dar fisicalidade ao movimento e para buscar uma atitude teatral”, destaca.

 

O resultado é uma apresentação que estabelece comunicação direta com os espectadores, o que cria identificação e conquista plateias de diferentes perfis. Alex destaca ainda a interatividade do espetáculo com a plateia o que torna cada apresentação única, ficando o elenco sujeito à reação da plateia que se emociona, chora e ri. Além de Alex Neoral, que também faz parte do elenco, estão Carol Pires, Clarice Silva, Cosme Gregory, Felipe Padilha, Gabriela Leite, Marcio Jahú e Monica Burity.

 

Para completar o universo de referências à obra de Roberto Carlos, “As canções que você dançou pra mim” traz figurinos em tons de azul, que fazem alusão aos modelos e cortes das décadas de 1960 a 1980, com toques contemporâneos. 

 

Oficina - Esta é a primeira  vez que a Focus Cia de Dança vem à cidade. Além das apresentações no Teatro Estação Gasômetro, o grupo também realiza em Belém uma oficina de Dança Contemporânea totalmente gratuita.

 

A oficina acontece no dia 16 de agosto (sábado), das 14 às 17 horas, no Teatro. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas pelo telefone 91 96055360/ 99660101 / 82013973 / 80122347 ou pelo e-mail ciadearteprojetos@yahoo.com.br. As inscrições são gratuitas. O público-alvo é de bailarinos profissionais.

 

A companhia - A Focus Cia. de Dança, dirigida por Alex Neoral, foi fundada no ano 2000 e hoje é um dos mais atuantes grupos de dança do Rio de Janeiro. Possui no repertório 12 peças coreográficas, dentre as quais “Ímpar”, “3 Pontos” e o recente “Dente de Leite”.

 

Em 2010 e 2011, a Focus apresentou-se em 32 cidades francesas, inclusive na Bienal da Dança de Lyon. Seu itinerário internacional inclui destinos como Nova York, Washington, Portugal, Itália, Alemanha e Panamá. No Brasil, levou espetáculos para quase 60 cidades.

 

Seus trabalhos já foram indicados entre os melhores do ano por veículos como o Jornal do Brasil e O Globo. No ano de 2012, o júri especializado do Guia da Folha de São Paulo elegeu “As canções que você dançou pra mim” como uma das três melhores montagens daquela temporada pela originalidade e simplicidade da proposta.

 

Serviço:

 

“As canções que você dançou pra mim”

Focus Cia de Dança 

Direção e coreografia: Alex Neoral 

15 e 16 de agosto às 21h e 17 de agosto às 20h 

Teatro Estação Gasômetro 

Av. Governador Magalhães Barata, 830 - São Brás - Belém 

Informações: 91 96055360/ 99660101 / 82013973 / 80122347 

Vendas antecipadas na bilheteria do teatro - Tel: 91 40098720  

Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia) 

Classificação indicativa: livre 

Duração: 55 minutos 

 

Oficina gratuita de Dança Contemporânea

16 de agosto, de 14h às 17h  

Teatro Estação Gasômetro 

Inscrições e informações: ciadearteprojetos@yahoo.com.br

 

Contatos:

 

Luciane Fiuza (assessoria de imprensa): (91) 8300-3961 / lucianefiuza@gmail.com

 

Alex Neoral (diretor e coreógrafo): (21) 99303-2165 /alexneoral@hotmail.com

 

Tatiana Garcias (produção): (21) 98333-1088 / tatigarcias@globo.com

 

 

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 18:39
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Agosto 01 2013

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publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 17:33

Julho 26 2013

Rob Gray durante a CSEAR 2013. Foto: Sandro Ruggeri – Humana & Trad (Divulgação)


Uma das principais participações da terceira edição da Conferência Interamericana de Contabilidade Socioambiental, a “CSEAR South América 2013”, o pesquisador Rob Gray, do Reino Unido, veio pela primeira vez ao Norte participar do evento, que reuniu, na UFPA, dias 27 e 28 de junho, pesquisadores, estudantes e especialistas na área da Contabilidade empresarial em debates sobre sustentabilidade.


Rob Gray é o primeiro pesquisador a escrever um livro sobre Contabilidade Ambiental e autor de mais de 250 publicações sobre o tema. A “III CSEAR” congrega pesquisadores da área socioambiental, com ênfase no ramo de negócios. Sua finalidade é unir interesses e facilitar a formação de rede de pesquisas, visando ampliar as condições de sustentabilidade do planeta. Já a “CSEAR South America” é inspirada no CSEAR (Centre for Social and Environmental Accounting Research), um centro de pesquisas com cerca de 600 pesquisadores, de 30 países, que desenvolvem estudos em contabilidade social e ambiental, gestão ambiental, desenvolvimento sustentável e outros temas afins.


Criado em 1991, por Rob Gray, o CSEAR se tornou o mais importante centro mundial de pesquisas de Contabilidade Socioambiental, vinculado à Escola de Gestão da University of St. Andrews. O CSEAR é um centro de pesquisas com cerca de 600 pesquisadores de 30 países. A primeira edição da “CSEAR South America” aconteceu em 2009, na cidade do Rio de Janeiro, e foi promovida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A segunda foi promovida em 2011 pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo – FEA-RP/USP.


A realização da conferência em Belém teve a coordenação geral de Leila Márcia Elias, membro do CSEAR SouthAmerica, que foi o realizador do evento, junto com a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Faculdade de Ciências Contábeis  (Facicon) da UFPA, com patrocínio do Governo do Estado, Banco da Amazônia, Faculdade Maurício de Nassau, Editora Atlas, Editora Saraiva e Conselho Regional de Contabilidade (CRC-PA).


 O CSEAR é um centro de pesquisa que é referência mundial em Contabilidade Socioambiental. O que o motivou a se dedicar ao tema?


ROB GRAY – “Duas coisas. Primeiro, se temos que encarar os desafios do desenvolvimento sustentável precisamos decidir o que é possível ser feito. Não o que deve ser feito, mas o que é possível. Cada um de nós precisa se dedicar ao que conhece e desenvolver esse conhecimento. Aí pode haver avanço. Daí me dei conta que as áreas de Contabilidade e Finanças são cruciais para o desenvolvimento sustentável. E eu queria fazer algo a respeito! Segundo, porque 20 anos atrás isso era um tema que ninguém levava a sério. Eu já estava estabelecido, mas conhecia muitas pessoas em outros países, que era desrespeitadas, pois se dedicavam a algo que não era considerado sério. Depois que virei um professor reconhecido, estava tudo certo; mas passei por muitos desses desrespeitos também. Agora eu nem ligo! Então eu montei um centro de pesquisas para agregar pesquisadores que se encontravam nessa situação: sofrendo desrespeito de seus colegas. Assim, eles teriam uma comunidade internacional a qual pertenceriam. Essa foi uma motivação simples que se tornou bem sucedida. Mais do que pensávamos”.


Quando se fala em Contabilidade Socioambiental o assunto leva a reflexões de como pessoas e empresas podem contribuir, efetivamente, com essa pauta, que é mundial. Como a CSEAR está contribuindo para despertar a sociedade para o assunto?


ROB GRAY – “Não concordo com a pergunta. Meu interesse como contador é em maneiras de mensurar, representar e avançar formas de contabilidade que não destruam o planeta e possam até encorajar formas diferentes de pensar o planeta e a sociedade. Então não tem nada a ver com contribuir com as empresas nem em empresas contribuírem para o desenvolvimento sustentável porque elas, definitivamente, não o fazem. Empresas e negócios contribuem para a insustentabilidade. Então a motivação é uma questão de encontrar formas de mostrar o impacto das organizações, especialmente as empresas. O CSEAR, primordialmente, junta professores e pesquisadores e os ajuda a desenvolver ideias aplicadas aos seus próprios países. Inicialmente, trabalhamos muito com as empresas, mas pessoas de negócios não gostam muito dos resultados”. 

 

Fale um pouco sobre o que há de novo na área da Contabilidade Socioambiental, sobre novidades que a conferência está mostrando.


ROB GRAY – “Novidade seria se as empresas e governos ouvissem os argumentos dos últimos 40 anos. Isso seria realmente novo, mas... Nosso maior problema, eu insisto, não é uma questão de estar certo ou errado, mas promover uma discussão aberta sobre problemas complexos e muito, muito difíceis! Governos e empresas têm se recusado a participar, e até permitir essas discussões, quando há conflitos entre os interesses dos negócios e os interesses da sociedade. Eu não iniciei sendo radical. Tenho me tornado mais radical à medida que o tempo passa. As ideias novas que introduzi nesta conferência dizem que desperdiçamos mais 30 anos pedindo a governos e empresas agirem inteligentemente e eles tem se recusado repetidamente. Eles se recusam a fazer o que deveriam fazer e até a fazer o que dizem fazer! Além disso, se recusam a prestar contas apropriadamente. Isso é lamentável. Então o que nos resta é construir maneiras e instrumentos de prestação de contas para a sociedade civil. São novos relatos, novas contas, com o uso de meios alternativos, como a internet, de produzir externamente relatos sobre as atividades dos governos e empresas. Poderia ser simples, não seria caro, mas as empresas não o farão. Então promovamos, nós mesmos, por eles, porque precisamos expor o que está acontecendo nos negócios.


Pesquisador Rob Gray. Foto: Sandro Ruggeri – Humana & Trad (FOTOS/Divulgação)


Qual a contribuição que a CSEAR poderá deixar para a Amazônia?


ROB GRAY – “Sobre a terceira conferência estar contribuindo e despertando debates, especialmente por estar localizada na Amazônia? A intenção do CSEAR é para que cada país, cada região, desenvolva sua própria cara: é pensar global e agir local. Não posso dizer ao Brasil ou Itália ou Austrália o que devem fazer. O Brasil estabeleceu sua comunidade CSEAR, suas conferências, para que, assim, professores, pesquisadores e interessados em levar a frente essas ideias tenham um grupo para acolhê-los e com quem discutir. Isso é essencial! É preciso ter pesquisadores e professores endereçando esses problemas com integridade, bravura e força para se posicionar contra negócios, contra professores e contra mentores que não gostem dessas ideias, se necessário. A continuidade da conferência CSEAR no Brasil é memorável. As pessoas podem começar a desenvolver suas ideias de como operacionalizar as soluções para os desafios a enfrentar. Claro que ser realizada na Amazônia foca a atenção para esses recursos fenomenais para a humanidade que se tem aqui e a dificuldade de se manter toda essa riqueza, por causa dos interesses focados nos negócios, mas não na sociedade como um todo. Nessa região também vemos a enorme desigualdade social que o desenvolvimento focado nos negócios vem criando. Há uma sustentabilidade espetacular. Um exemplo disso é a experiência da Escola Bosque (em Outeiro), não somente pela riqueza natural, mas também pelo trabalho de educação ambiental excepcional feito lá. Por outro lado fica muito claro quais são os problemas. Parece que os brasileiros estão conscientes de toda essa problemática: vide os protestos que estão ocorrendo por toda parte. É tempo! É admirável ver tudo isso ocorrendo.


COLABORAÇÃO: Yara Cintra – professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ (TRADUÇÃO); Sandro Ruggeri – Humana & Trad (FOTOS/Divulgação); e Leila Márcia Elias, coordenadora geral da III CSEAR SouthAmerica.

 

Ascom CSEAR 2013

 

Luciane Fiuza

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 15:44

Julho 23 2013

O profissional de Contabilidade é considerado um verdadeiro arquivo de informações e um agente essencial para informar a sociedade sobre a situação de uma empresa, por meio da análise e divulgação de informações patrimoniais, financeiras, econômicas, sociais e ambientais. Essa nova postura do contador no mundo atual é uma das questões abordadas na Revista Amazônia, Organizações e Sustentabilidade (AOS), publicação da Editora Unama, da Universidade da Amazônia, voltada à divulgação de conhecimento científico.

 

Os pesquisadores paraenses Leila Márcia Elias, mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional, e Narciso Feitosa de Oliveira, com foramção em Letras e graduando em Ciências Contábeis assinam um dos seis artigos da terceira edição da revista, intitulado “Análise da Sustentabilidade Organizacional das Empresas do Setor Mineral do Estado do Pará”.

 

O artigo está relacionado a uma das temáticas abordadas nesta edição da revista - Gestão Social e Ambiental. Os outros temas são Gestão Pública e Finanças e Gestão da Ciência, Informação e Tecnologia.

 

Na análise da sustentabilidade organizacional das empresas paraenses do setor mineral, feita entre 2004 e 2012, os autores selecionaram empresas do setor industrial de transformação mineral que possuem a certificação de qualidade ISO 14001. A sustentabilidade organizacional  foi analisada com base nos registros publicados das informações contábeis de natureza socioambiental.

 

Já a pesquisa bibliográfica e documental incluiu o levantamento de páginas na internet e análise de relatórios institucionais, que demonstram as ações desempenhadas pelas empresas no setor ambiental e sua comprovação contábil.

 

Os autores concluíram que a avaliação da sustentabilidade organizacional das empresas analisadas foi impossibilitada “pela ausência de divulgação de informações contábeis, de natureza ambiental, de forma segregada e quantitativa nas demonstrações contábeis obrigatórias”.

 

O artigo mostra a importância da publicação científica, ao divulgar para a sociedade o resultado desse tipo de pesquisa. A Revista Amazônia, Organizações e Sustentabilidade é uma publicação semestral, que entra no seu segundo ano de existência apresentando trabalhos de pesquisadores de diversas partes do Brasil, e contribuindo para o avanço de teorias e práticas na área de administração.

 

Mais informações sobre a Revista AOS podem ser obtidas no seguinte endereço: www.unama.br/seer/index.php/aos

 

Luciane Fiuza

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 16:42

Julho 15 2013

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 21:01

Julho 11 2013

Corpo de baile da Ballare em "O Lago dos Cisnes", no Theatro da Paz. Foto: Ballare Divulgação


Arte, educação e cidadania foram marcas do espetáculo de balé “Noite de Gala”, no final do mês passado, no Theatro da Paz. A realização foi resultado de uma parceria entre a TV Liberal (afiliada da Rede Globo), a Cia. de Arte Produções e a Ballare Escola de Dança. Para assistir ao espetáculo bastava levar dois quilos de alimentos não perecíveis e trocar por um ingresso. O resultado foi o teatro lotado e a doação total de 1,5 tonelada de alimentos doados para famílias ribeirinhas da Ilha do Combú, localizada às margens do rio Guamá, em Belém.


A entrega foi feita aos moradores da ilha, na última quarta-feira (10), por Cintia Luna, coordenadora de Projetos Sociais da TV Liberal; Ana Rosa Crispino, diretora da Ballare; Darley Quintas e Maurício Quintairos, diretores da Cia. de Arte Produções, além da presença de técnicos da emissora e bailarinas da escola.

 

Na ocasião, as bailarinas Caroline Torres e Bruna Nogueira apresentaram aos moradores do local um trecho do espetáculo mostrado no Da Paz. As ações integraram a programação da terceira edição da feira anual de estudo e pesquisa da Ballare Escola de Dança, que mostrou ao público clássicos do repertório mundial.


O espetáculo teve a participação especial do bailarino paulista Guilherme Oliveira, da Cia Brasileira de Danças Clássicas do Estado de São Paulo. Com sucesso, a Balarte tem se consolidado como um evento artístico e pedagógico que também possui caráter filantrópico. Por meio dessa parceria, no início do ano, foi realizado um espetáculo que também arrecadou alimentos, que foram doados para o Pão de Santo Antônio.


Qualidade -  Com a temática "Os grandes compositores no ballet clássico de repertório", dois espetáculos integraram a programação desta versão da feira, da qual também constaram exposições de trabalhos dos alunos da escola.


Foram mostrados trechos dos balés O Quebra Nozes, La Fille Mal Gardée, La Sylphide, Coppélia e O Lago dos Cisnes. Além de apreciar um espetáculo de qualidade, a platéia também conheceu um pouco mais sobre a história da cada balé, narrada antes das apresentações.    


O romance entre o Príncipe Siegfried e Odete, a Rainha dos Cisnes, foi interpretado pelos bailarinos Guilherme de Oliveira e Camila Viana (FOTO). Eles dançaram o pas-de-deux do segundo ato do balé ‘O Lago dos Cisnes’, balé dramático em quatro atos, com música do de Tchaikovsky. Em sintonia  com os protagonistas estava o corpo de baile, que mostrou-se bem preparado e ensaiado.


Também aplaudidas foram as apresentações de Lorena Lane Teixeira e Caroline Torres (os grandes cisnes) e o pas-de-quatre dos pequenos cisnes, interpretado por Ana Luiza Crispino, Bruna Nogueira, Michelle Sena e Rafaella Correa. Na coreografia, as bailarinas dançam de mãos dadas executando movimentos rápidos que exigem técnica e concentração. 


Camila Viana e Guilherme Oliveira também foram os protagonistas de “La Fille Mal Gardée”, o mais antigo dos balés de repertório. Ambientalizada na França, a história fala sobre o amor de Lise, filha de uma fazendeira viúva, e Colas, um camponês da região. Um dos pontos altos da apresentação foi a performance de Camila Viana, que mostrou segurança e maturidade técnica, com momentos de equilíbrio que levaram o público ao delírio.


O corpo de baile mais uma vez mostrou preparo ao executar, em conjunto, piruetas e outros movimentos mais elaborados, em uma coreografia dinâmica e realçada por desenhos formados pelas longas fitas coloridas, elementos cênicos característicos deste balé.


Ballare Cia de Dança em "“La Fille Mal Gardée": III Balarte. Foto: Divulgação


O espetáculo também revelou novos talentos da escola, entre eles a bailarina Samanta Araújo, como a personagem Clara, e o bailarino Gabriel Real, como Fritz, do ´"Quebra Nozes’. Mariana Valinoto e Michelle Sena também se destacaram no balé, que é bastante popular, sendo montado em várias partes do mundo, principalmente, na época natalina.

 

Aprovação - Outro casal que mostrou muita habilidade foi Lorena Lane e Willame Diniz, em 'Coppélia', história divertida e sentimental entre um jovem apaixonado, Franz, e a moça mais bonita de uma aldeia na Cracóvia, Swanilda . Graciosa, Lorena empolgou os presentes com seu carisma e com a habilidade demonstrada na execução dos fouettés (um tipo especial de giro) da coreografia. O bailarino Willame também mostrou apuramento técnico em piruetas e saltos.


'La Sylphide' foi outra grata surpresa do espetáculo, que revelou a bailarina Marina Nascimento (FOTO) no papel principal, onde mostrou belas linhas e muita leveza ao encarnar a personagem etérea do balé, considerado a primeira expressão completa da filosofia romântica, onde o herói desiste de tudo para buscar a verdadeira felicidade. Em plena sintonia, crianças dos primeiros níveis da escola, que utiliza o método inglês (Royal Academy of Dance), se apresentaram com alunas dos níveis mais elevados.


‘La Sylphide’ é um repertório caracterizado por sua mensagem de beleza espiritual, que traz a visão lírica de um mundo povoado por seres impalpáveis. O balé também marcou o início da utilização das sapatilhas de ponta, peças fundamentais para compor essa atmosfera onírica. Marina Nascimento passou bem a mensagem ao interpretar com suavidade de gestos e movimentos o balé, que foi apresentado pela primeira vez, em 1832, na Ópera de Paris, com Marie Taglioni, filha de Fillipo Taglioni, coreógrafo do balé e criador das sapatilhas de ponta.



Em destaque, Camila Viana e Guilherme Oliveira. Foto: Ballare Divulgação


A suíte 'Dom Quixote', com música de Ludwig Minkus, levou ao palco, novamente, Guilherme Oliveira (Basílio) e Camila Viana (Kitri), que dançaram o vibrante grand pas-de-deux do IV ato do balé, onde também foram mostradas variações masculinas e femininas, intrpretadas pela Ballare Cia. de Dança. Com experiência em dividir o palco em outras montagens da escola, os bailarinos apresentaram-se com o virtuosismo exigido pelo balé, um dos mais conhecidos em todo o mundo.


Ana Rosa Crispino assinou a direção do espetáculo, que também teve Guilherme Oliveira a frente dos ensaios. Montagens completas de balés clássicos de repertórios fazem parte da história da escola, que já estreou versão completa de 'La Bayadère', 'A Bela Adormecida' e 'Dom Quixote'.


Com mais de 10 anos de existência, a Ballare tem apresentado um trabalho louvável, mostrando que educação, cidadania e arte andam juntas e promovem o crescimento, colaborando com a formação de bailarinos e bailarinas. A Ballare tem divulgado a dança dentro e fora do Estado, por meio de parcerias como as firmadas com a TV Liberal e a Cia de Arte Produções, que já fecharam a continuidade do projeto, através da promoção de oficinas de dança para crianças da Ilha do Combú. Como bem cantou os Titãs, a população não quer só comida, mas também diversão e arte.


Texto: Luciane Fiuza

Fotos: Ballare Divulgação

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 13:47

Julho 05 2013

Abertura da CSEAR 2013 na UFPA. Foto: Sandro Ruggeri - Humana & Trad Divulgação


A III Conferência Sul-Americana de Contabilidade Socioambiental, a CSEAR SouthAmerica 2013, trouxe para o cenário ideal a discussão sobre responsabilidade socioambiental no setor. Belém, a capital do Estado Pará – segundo maior do Brasil em extensão territorial e dono de uma imensa diversidade natural – sediou o evento, trazendo para a Amazônia o debate e a apresentação de estudos sobre sustentabilidade relacionada ao trabalho dos profissionais de Contabilidade.

 

A realização da terceira edição da Conferência Sulamericana de Contabilidade Socioambiental foi da CSEAR SouthAmerica e da Faculdade de Ciências Contábeis (Facicon) da UFPA, com apoio do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA) da universidade e patrocínio da Faculdade Maurício de Nassau, Editora Saraiva, Conselho Regional de Contabilidade (CRC-PA), Banco da Amazônia e Editora Atlas.

 

Segundo a professora Leila Márcia Elias, coordenadora geral da CSEAR SouthAmerica, a  “conferência é desenvolvida de acordo com as regras do centro de pesquisa do Reino Unido. Por isso, trata-se de uma conferência que reúne pesquisadores de várias regiões do Brasil, e de outros países. Não foram apresentados somente trabalhos do Pará. Tivemos participantes de São Paulo, Minas Gerais, Manaus, Rio de Janeiro e Bahia. Essa representatividade é muito boa”, avaliou.

 

E essa diversidade de experiências, vivências e visões críticas foi um dos destaques do evento, segundo a coordenadora. “É muito interessante, porque mostrou não só para os profissionais da área, como para toda a sociedade, que a Contabilidade pode colaborar com a questão ambiental. Esses eventos, pesquisas e resultados são uma forma de consolidar essa participação, e mostrar como é possível colaborar. O fato de a conferência acontecer na Amazônia fortaleceu essas questões, e mostrou que os profissionais da área estão participando desse debate mundial”, ressaltou Leila Mária Elias, professora do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará (Naea/UFPA) e membro do CSEAR SouthAmerica.

 

Leila Márcia Elias abriu os trabalhos da conferência, que ainda contou com a presença de professora Araceli Ferreira, representante internacional do CSEAR no Brasil. Ela explicou que o centro de pesquisa do Reino Unido, sediado na Escócia, reúne pesquisadores de vários países, com representação no Brasil, que tem representantes no Comitê Internacional do CSEAR.

 

Participantes, palestrantes e organizadores da CSEAR 2013. Foto: CSEAR Divulgação


Interação - “É essa interação que a gente está querendo trazer para o Brasil. Meu papel como associada é divulgar a ideia, e reproduzir no Brasil essa comunidade internacional, para que possamos mudar essa prática ambiental no país”, ressaltou Araceli Ferreira.

Marcelo Bentes, diretor do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA) e representante do reitor da      

UFPA na solenidade, destacou que essa “interação é tão importante no contexto da nossa realidade

amazônica. Nós, da UFPA, temos como dever e ofício abrigar uma conferência como o CSEAR".

 

Ele disse que, ao abrigar eventos dessa natureza, a universidade contribui com o debate de questões importantes para a sociedade, como o impacto da temperatura do planeta na produtividade e nos ecossistemas.

 

“Cada um, em sua área, poderá contribuir para amadurecer grupos de pesquisas sobre o que a Contabilidade nos traz como ciência, não só do ponto de vista da nossa necessidade local, mas olhando a questão ambiental de forma mais ampla, já que boa parte dos problemas ambientais tem origem na questão humana”, frisou Marcelo Bentes, para quem eventos como o CSEAR provocam reflexão sobre “o que a agenda ambiental representa na nossa capacidade humana de resiliência diante dos impactos ambientais”.

 

A “alta qualificação” dos participantes da conferência foi destacada por Evaldo Silva, coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Ciências Contábeis (Facicon) da UFPA e um dos organizadores do evento. Ele frisou o empenho de Leila Márcia Elias para trazer o III CSEAR ao Pará. 

 

Eloi Prata, presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRC-PA), ressaltou que o encontro reuniu “pessoas preocupadas em encontrar soluções para que o mundo não seja um local muito agredido. O Conselho sente-se honrado em contribuir com o encontro. Belém tem sido privilegiada por viver momento tão importante como esse. Faço uma referência à conselheira Leila Elias, que se integrou a esta causa”.

 

Rob Gray enfatiza importância da Contabilidade nas mudanças

vivenciadas no cenário mundial

Rob Gray durante a III CSEAR . Foto:Sandro Ruggeri – Humana & Trad - Divulgação

“O que podemos fazer para mudar o mundo? A resposta é que somos muito importantes e podemos fazer muito”, assegurou o professor e pesquisador britânico Rob Gray, na palestra proferida na III Conferência Sul-Americana de Contabilidade Socioambiental, a CSEAR SouthAmerica 2013, que aconteceu em Belém, capital do Estado do Pará, em 27 e 28 de junho. Segundo o pesquisador, pioneiro no estudo da sustentabilidade no cenário contábil, cada profissional é importante na sua área de atuação, e a solução para os problemas ambientais vivenciados no século XXI “é uma combinação de tudo”.

Para Rob Gray, a contabilidade é predominantemente “simbiótica”. “Há 40 anos estamos fazendo isso. É o momento de parar. As mudanças simbióticas não acontecem”, afirmou ele, acrescentando que “em algumas áreas estamos desenvolvendo, e começando a ver o que é necessário. Vamos continuar. Só me pergunto se estamos chegando ao ponto. As reivindicações das organizações para serem sustentáveis são enormes”, frisou.

Segundo ele, a contabilidade acontece diariamente, não precisa de contas formais. “É a diferença entre formal e informal. Quanto mais próximos, menos informais as relações se tornam. Aprendi isso na Nova Zelândia, que tem uma cultura muito direta. Essa proximidade é vital”, defendeu o professor.

Ao final da palestra, o pesquisador respondeu a perguntas da plateia. Paulo Homero Júnior (foto ao lado), aluno de mestrado em Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP), abordou a apropriação do discurso da sustentabilidade pelo mundo dos negócios. “Percebemos que, sozinha, a contabilidade não é forte o suficiente para promover essas mudanças. Nós temos que nos associar a outras disciplinas e atores sociais”, disse ele, ao perguntar sobre como Rob Gray analisa esse cenário.

“Se tivesse mais volume de contabilidade social e ambiental o mundo não seria como é hoje. Não vou dizer o que a pessoa deve fazer. Vou dizer: Vá e faça! É o que funciona. Nunca use o fato de que não somos suficientes. O mundo precisa de nós. Somos, talvez, a atividade mais importante no planeta. Somos nós e o mercado financeiro. Mas nós somos parte do mercado financeiro”, respondeu Rob Gray.

Segundo Rob Gray, “a contabilidade social não é uma coisa que você faz, mas que você é. E o papel da contabilidade social é mudança. Alguma coisa está errada e nós, como contadores, podemos mudar isso. Entender a mudança é muito importante”, finalizou o pesquisador.

 

Fonte: ASCOM/CSEAR 2013



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publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 01:14

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