Cultura Negra - Feira Cultural Preta do Estado do Pará realiza sua primeira edição
17/11/2009 17:00
Da Redação Agência Pará
O sociólogo Domingos Conceição explica que o evento simboliza a trajetória de luta e resistência dos movimentos sociais negros do Brasil
É muito importante a forma como este governo está olhando para as comunidades quilombolas, analisa o artesão Manoel Conceição dos Santos
Artesanato, estética, culinária, vestuário, produção cultural e produtos afro religiosos característicos da cultura negra poderão ser vistos na primeira edição da "Feira Cultural Preta do Estado do Pará Maristela Albuquerque", que ocorre de 19 a 22 de novembro na Praça Floriano Peixoto, no Complexo do Mercado de São Brás, em Belém.
O evento faz parte das comemorações do "Mês da Consciência Negra", com ponto alto no dia 20 de novembro, que marca os 314 anos de morte de Zumbi dos Palmares, quando haverá uma marcha pelas ruas da capital paraense. A organização é da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), por meio da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Ceppir).
Palestras, exposições e apresentações artísticas integram a programação, além da posse dos membros do Conselho Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Coneppir), ligado à Sejudh. O sociólogo Domingos Conceição, coordenador da Ceppir, explica que o evento simboliza a trajetória de luta e de resistência dos movimentos sociais negros do Brasil e serve de reflexão sobre as ações que o governo do Estado tem realizado.
"Destacamos que muito ainda precisa ser feito, mas, mais que isso, estamos construindo políticas públicas de Estado específicas à população negra do Pará e uma cultura de direitos humanos e cidadania negra em nossa secretaria". Para Conceição, o momento serve para diminuir o preconceito que ainda é grande, seja "o preconceito revelado ou o velado".
A política de Estado para a igualdade racial foi estabelecida no dia 20 de novembro de 2008, quando o governo instituiu o Plano Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Peppir), instrumento que permite a gestão da Coordenadoria. O Plano é o referencial que norteia ações, projetos, programas e convênios definidos pelo governo estadual para a efetivação da política da Sejudh.
O Peppir contêm estratégias e medidas necessárias à implementação desta política, que segue as diretrizes nacionais fundamentadas na Constituição Federal, cujos objetivos primordiais baseiam-se na erradicação da pobreza e da marginalização, bem como na redução das desigualdades sociais e regionais das populações afro descendentes.
"É importante a forma que o governo do Estado está olhando para as comunidades quilombolas", analisa o artesão e integrante da Coordenação Estadual das Comunidades Remanescentes Quilombolas, Manoel Conceição dos Santos, da comunidade de Gurupá, localizada no município de Cacheira do Arari, no Arquipélago do Marajó.
Ele diz que o encontro promoverá a troca de experiências, conhecimento que será repassado para os moradores das comunidades participantes. Entre artesãos e dançarinos do Grupo Parafolclórico Flor da Terra, 20 pessoas da comunidade Gurupá participarão da Feira. Gurupá é composta por 165 famílias e faz parte do Movimento Quilombola Malungo, que reúne mais de 100 associações quilombolas.
Referência - A comunidade de Manoel dos Santos tem no extrativismo do açaí e no artesanato as principais fontes de renda. Pela primeira vez, os produtos serão mostrados fora da Região do Marajó o que, segundo o artesão, é essencial para a divulgação deste trabalho artesanal feito com fibra de miriti e jacitana (um tipo de cipó). O público poderá conhecer detalhes de objetos utilitários e de decoração construídos a partir destas matérias-primas, como paneiros de açaí, tapetes, porta-jóias, matapi (objeto que serve para pegar camarão) e tipiti (utilizado no preparo da massa da mandioca).
Boa parte das associações do Malungo participa do "Mês da Consciência Negra", assim como representantes dos mais de 20 movimentos sociais urbanos negros e das cerca de 1.300 organizações religiosas do Estado. Além das principais lideranças, participam ainda grupos de capoeira, de hip hop, dentre outros. Foram três meses de preparação para a Feira, um importante espaço para a comercialização dos produtos típicos desta cultura. Na opinião de Domingos Conceição, o evento deverá se transformar em referência no próximos anos.
A Feira Cultural tem como patronos dois grandes representantes da cultura negra do Estado, falecidos este ano: Maristela Albuquerque, mais conhecida como Teteca, e o Mestre Verequete. Teteca era vocalista de um dos grupos do Centro de Estudos e Defesa dos Negros do Pará (Cedenpa) e integrante dos primeiros movimentos negros do Estado.
Augusto Gomes Rodrigues, o Verequete, foi um dos precursores e maiores divulgadores do carimbó de raiz no Pará, estando à frente da campanha pelo reconhecimento do ritmo como patrimônio cultural brasileiro.
Avanços - De acordo com dados oficiais, a população afro descendente compreende, hoje, 84% dos cerca de sete milhões de habitantes do Pará, estando concentrada, em sua maioria, nas periferias da capital e nos demais 143 municípios paraenses. Do total, mais de 200 mil habitantes são quilombolas distribuídos em pelo menos 53 municípios, 410 comunidades, 37 títulos e 16 áreas no atual governo - com previsão de entrega de mais quatro neste mês. Também está em processo de titulação o primeiro quilombo urbano do Pará, localizado na Baía do Sol, na Ilha de Mosqueiro, Grande Belém.
Para Domingos Conceição, as conquistas nas titulações de terra resultam das novas políticas do governo, considerando que, em 12 anos do governo anterior, uma média de 23 titulações foram realizadas, quase o número alcançado em apenas três anos do atual governo.
A demanda faz parte de um dos cinco eixos principais do Plano Estadual: educação; saúde; segurança; acesso à terra, habitação e infraestrutura; e assistência e desenvolvimento social. O acompanhamento jurídico e o apoio da Sejudh, lembra o artesão Manoel dos Santos, foram determinantes para que a comunidade dele pudesse receber, dois anos atrás, a titulação de um terreno que tem ajudado a impulsionar a extração do açaí no local.
SERVIÇO
"I Feira Cultural Preta do Estado do Pará Maristela Albuquerque". De 19 a 22 de novembro, na Praça Floriano Peixoto, do Complexo do Mercado de São Brás, em Belém. A Feira faz parte das comemorações do Mês da Consciência Negra.
PROGRAMAÇÃO
De 19 a 22 de novembro: I Feira Cultural Preta do Pará Maristela Albuquerque (Teteca).
Apresentações artístico-culturais e afro religiosas, exposição de produção temática de recorte racial, com ênfase na cultura negra; e outras atrações.
Local: Praça Floriano Peixoto, no Complexo do Mercado de São Brás, localizado na avenida Almirante Barroso.
Horário: de 10h à meia noite.
18h: Abertura oficial da Feira com celebração afro religiosa, participação de autoridades e movimentos sociais negros do Pará.
A partir das 19h haverá apresentação de atividades culturais.
19 de novembro: Instalação e Posse do Coneppir.
Local: auditório da Sagri, na Travessa do Chaco, em frente à Funtelpa.
Horário: 10h30.
20 de novembro: Marcha Zumbi dos Palmares.
Concentração às 16h na Praça Santuário, em frente à Basílica Santuário, em Nazaré, com saída prevista para as 17h. O destino é o Mercado de São Brás. Durante o percurso, ocorrerão quatro paradas, batizadas nomes de lutadores negros.
Mais informações sobre a Feira Cultural Preta do Estado do Pará e sobre o Mês da Consciência Negra, com Domingos Conceição: (91) 4009-2737 e 8137-8716. Outras informações com Marluce Barbosa, (91) 9208-4929, que representa uma associação afro religiosa ou Manoel dos Santos, da comunidade Gurupá, no telefone (91) 9621-0717.
Reproduzo, abaixo, entrevista com Sandra Batista, publicada no blog da professora Edilza Fontes. Sandra dispensa longos comentários. A história de vida e trajetória política dela cabem em mais de um livro. Admiro a mulher e a profissional, na qual sempre votei sem dúvidas. A sua filha, Dina Batista, ex-bailarina (dançamos na mesma escola, a Vera Lúcia Torres) também é ótima profissional na área da Comunicação Social. Sandra é tudo isso: mãe, mulher de fibra, inteligente, engajada e que não se deixou abater pelas vicissitudes da vida. Ao contrário, transformou dores em lutas, dificuldades em crescimento, tristezas em vitórias... Conheça mais sobre Sandra Batista:
Ex-deputada Estadual pelo PC do B, viúva do Deputado Estadual João Batista do PSB, Vice Prefeita de Ananindeua e Pré-Candidata a Deputada Estadual pelo PT.
Edilza: Qual foi, até o momento, o seu maior desafio político?
Sandra Batista: Foram muitos. O primeiro deles foi a luta pela condenação dos assassinos de João Batista, foram anos lidando com a negligência da polícia e a morosidade da Justiça.
Dificuldades de toda ordem impediam as investigações necessárias e por vezes urgentes que o caso requeria. Chegou um momento que nenhum juiz queria presidir o feito. Tivemos que pressionar a presidente do Tribunal à época para que designasse um Juiz para concluir o processo; 15 anos depois apenas um pistoleiro foi a júri e os mandantes retirados do processo por falta de provas. Observei de perto o quanto é penoso levar os latifundiários que arquitetam a eliminação das lideranças do povo a julgamento para responderam por um crime recorrente no Pará.
Paralelamente a isso tinha o desafio da preservação da luta contra o latifúndio, junto com muitos companheiros após o assassinato de João Batista. Resistimos bravamente, embora tivéssemos continuado a perder muitas lideranças e a cada perda era um profundo abalo e então reuníamos e decidíamos continuar em precaríssimas condições de estrutura. Viajava de ônibus e pegava carona em caminhão para reunir lá dentro das colônias com os trabalhadores. Sentíamos que a nossa dedicação para com a organização deles era a forma de fazer justiça e vingar a memória do Batista.
Depois enfrentei eleições em condições adversas, com derrotas e vitórias, contando apenas com a garra da militância.
E agora, enfrentei um enorme desafio que foi aceitar o convite da governadora para disputar as eleições municipais em Ananindeua, primeiro como candidata à prefeita e, posteriormente, como vice. Não imaginava o grau de disputa interna no PT, porque antes de aceitar o convite consultei o Mário Cardoso, com quem tive uma grande convivência na ALEPA, que relatou a importância de eu compor os quadros do PT em Ananindeua. Me encorajei e aceitei o convite, porém foi um Deus nos acuda, chegando a alguns momentos a um desrespeito a minha militância de tantos anos. Sou favorável ao debate, ao contraditório, a disputa de idéias, mas não a ofensas e ao rebaixamento do nível do debate.
Hoje, alguns torcem para que nada de certo e outros se empenham junto comigo a construir uma alternativa democrática e de esquerda.
Edilza: Como é sua relação política com o Prefeito Helder Barbalho?
Sandra Batista: Cordial. Já havia convivido com ele quando fomos deputados. Poderia estar ajudando mais. Adquiri experiência nos anos de Parlamento, conheço a realidade do Estado e da Região Metropolitana e tenho conhecimento das políticas públicas, em especial a relacionada à política urbana por ser funcionária da CAIXA e por ter me dedicado à luta pela moradia digna.
Sinto ainda que a relação de confiança administrativa é abalada pelos percalços do relacionamento entre o governo do Estado e o PMDB que, embora eu não tenha nenhuma ingerência sobre esta questão, acaba por influenciar uma maior aproximação e tem impedido um entrosamento na gestão municipal.
Edilza: Você pretende disputar algum cargo eletivo nas eleições de 2010?
Sandra Batista: Sim, vou lutar para voltar à Assembléia Legislativa já que o Helder não sairá da Prefeitura.
Edilza: Quais são as suas expectativas em relação às eleições para o senado e para o governo do Estado no ano que vem, e como avalia o cenário político, hoje, desenhado para a reeleição de Ana Júlia?
Sandra Batista: Tenho boas expectativas. Para o Senado a disputa será equilibrada, uma vez que o PT, PMDB e PSDB lançarão candidatos com viabilidade eleitoral, existindo ainda a possibilidade do Prefeito de Belém entrar na disputa.
Para o Governo do Estado acho que a Ana disputa bem, em que pese estar enfrentando dificuldades políticas e na gestão. Há ainda de se considerar o comportamento implacável da mídia que não perdoa a chegada do PT ao poder aqui e em Brasília.
Ana herdou um Pará aonde se desenvolvia um projeto de desenvolvimento excludente e elitista sob orientação neoliberal. Reverter esta lógica é o maior desafio do Governo, onde as políticas sejam direcionadas a toda a sociedade e em particular aos segmentos que mais necessitam do Estado. O que significa contrariar interesses poderosos acostumados a privilégios.
Vejamos na questão agrária: o ITERPA no governo do tucanato, era um grande cartório a legalizar terras para os fazendeiros, não se cogitava a regularização fundiária para os agricultores nas áreas do Estado. Hoje temos uma política voltada a legalizar áreas para a população no campo e nas cidades, com a lei do direito real de uso das terras públicas, aumentaram os recursos para a agricultura familiar e para a habitação de interesse social, com a adesão ao Programa Minha Casa Minha Vida.
E muitos programas importantes, como os Infrocentros, Bolsa-Trabalho, os investimentos nos Parques Ecológicos de Marabá, a construção de Escolas Profissionalizantes - aqui em Ananindeua teremos uma no bairro das Águas Lindas - e as obras do PAC, em especial as que levam água tratada para vários municípios. Aqui a COSANPA está trabalhando nestas obras, além da urbanização de áreas onde a população pobre vive em condições desumanas.
Na saúde, o repasse fundo a fundo acaba com a corrupção e com o apadrinhamento político com os municípios que passam a receber recursos condicionados a suas realizações, além do funcionamento dos Hospitais Regionais, pois somente a construção de hospitais não é suficiente para garantir saúde de qualidade. A educação estava completamente negligenciada a partir da estrutura física das escolas, totalmente deteriorada, até a valorização dos educadores; aliás, a política de arrocho salarial perdurou pelos 12 anos da era tucana. O Governo Popular estabeleceu o concurso público, em especial na área de Segurança Pública, cuja proporcionalidade militar/sociedade estava completamente defasada, além da falta de equipamentos necessários.
Você mesmo foi a responsável pela política de valorização dos servidores públicos. Eu, pessoalmente, fiquei feliz com a aprovação de projetos que fiz na ALEPA, como o que estabelece políticas específicas para a população negra no Estado e a aprovação da meia passagem intermunicipal, que foram projetos de minha autoria e que agora foram regulamentados pelo Governo.
Muitos falam das grandes obras fazerem o diferencial entre o governo do PSDB e o governo da Ana, mas esquecem do abandono do povo e, por conta disso, o sentimento de separação vigorou no Pará com muita força naqueles tempos, abafado, logicamente pela providencial complacência da mídia.
Inverter prioridades, como costumamos dizer, é desafiador e há de se ressaltar o caráter de coalização do governo, que começa o processo de reconstrução do Pará sob novas bases para o seu desenvolvimento sócio-econômico, priorizando as pessoas e implantando políticas duradouras, ou seja, políticas de Estado que terão impacto na qualidade de vida da população.
Agora, é preciso que o povo saiba desses avanços, de todo esse esforço e que chegue a todo Estado as informações dessas ações, senão fica a sensação que não se fez nada porque não se construiu uma obra como a Estação das Docas, por exemplo.
Em Ananindeua a COHAB iniciou um processo de parceria com a prefeitura de suas áreas e já foram concedidos mais de 10 mil títulos de propriedade para famílias de baixa renda nos bairros periféricos, além da construção de micro-sistema de abastecimento de água nestes bairros, o reforço da Segurança com a instalação de mais um batalhão no PAAR e o aumento de viaturas. Poucos sabem que é uma política do governo do Estado.
É necessário ainda consolidar os vínculos com os movimentos sociais para que estes sintam que o governo é de base popular.
Na gestão é necessário amarrar as políticas setoriais a uma espinha dorsal de orientação e controle único para se identificar mesmo num governo de coalização seu caráter democrático.
Edilza: Na sua avaliação, como vê a repetição de uma aliança com o PMDB para reeleição da governadora ?
Sandra Batista: Pela complexidade da realidade paraense, dados os graves problemas sociais e econômicos que se aprofundaram nos governos tucanos e o gigantismo do nosso território, se faz necessário aglutinar, sem exclusivismos, todas as forças políticas interessadas na construção desse Novo Pará, democrático, desenvolvido e socialmente justo.
Sobre o Papel do PMDB, como é um grande partido, que tem bancada expressiva na ALEPA e na Câmara Federal, um aliado nacional, seja do Presidente Lula, seja da governadora Ana Júlia, é interessante para o PT a continuidade da aliança, enquanto aliado importante. Agora é natural que, em certos momentos, pontos de vista, experiências políticas, concepção e modo de governar se confrontem. É preciso manter o respeito mútuo. O PMDB deseja contribuir com o governo do Estado e o PT deve levar isto em consideração dentro do espírito público de bem servir o povo, da mesma forma o PMDB deve respeitar a força e a contribuição do PT nos governos de composição nos municípios.
A governadora tem a autonomia de, tranquilamente, fazer as mudanças que considerar necessárias. Em qualquer governo existem alianças, acordos, mas também especificidades que são oriundas da autoridade do governante. No plano nacional e local, dar continuidade ao governo de coalizão, mantendo as forças que já aglutinamos nessa primeira experiência de governo, mas se possível ampliando ainda mais o arco de alianças, cujo demarcador de águas é com o PSDB e DEM. O objetivo é valorizar ainda mais os aliados, com o fortalecimento do Conselho Político, que já existe, reunindo presidentes de partidos. É impedir o retrocesso.
Edilza: Quais os projetos que a vice prefeitura é responsável?
Sandra Batista: Nenhum. No início das negociações políticas solicitei ao prefeito a Secretária de Habitação pelas razões já expostas, mas ele me ofereceu a Secretária de Segurança Pública Municipal, que não aceitei. Posteriormente, evoluímos para a Secretária de Trabalho, Emprego e Renda, que foi criada recentemente, porém não instalada. Já temos o organograma da Secretaria que atuará nas áreas da intermediação da mão de obra, da qualificação profissional e da economia solidária.
Já estive no Ministério do Trabalho verificando os programas e recursos a serem captados. Assim que tiver a orientação para começar, estaremos pondo a mão na massa. Porém, é necessário dizer que o PT está subestimado no governo de Helder. O partido não está tendo o reconhecimento que deveria. Isto não tem sido levado em consideração pelo prefeito: fomos importantes na vitória no primeiro turno e os recursos federais têm chegado ao município em várias áreas e, em especial, o PAC. E, no entanto, temos pouquíssimos espaços no governo.
Mesmo do Estado, há obras e programas do governo como nunca antes havia, pois o governo dos tucanos deixou Ananindeua de castigo. Logicamente que na mediada que melhora a relação política melhora a parceria com o município.
Ocorre também que o PT não tem atuado como força política. As negociações e acordos têm sido feito com grupos, separadamente, e isto fragiliza o partido.
Edilza: Nós passamos por um momento histórico no Pará, que foi o assassinato do deputado João Batista, seu marido, fale nos um pouco deste fato e qual a sensação que tens hoje sobre a violência no campo ?
Sandra Batista: O assassinato do Batista se deu em um momento político de efervecência na reorganização dos movimentos sociais. No campo, a luta de classes foi intensa, devido a ocupação de latifúndios improdutivos pelos trabalhadores rurais. Na década de 80 os fazendeiros reagiram e fundaram a UDR e contrataram abertamente milícias particulares para o enfrentamento.
Lembro da lista dos marcados para morrer elaborada por eles e denunciada pelo então deputado Paulo Fonteles da tribuna da ALEPA e que foi paulatinamente cumprida, com raras exceções. O próprio Paulo e João integravam a tal lista e foram assassinados, sem que o poder público tenha feito nada para impedir este absurdo.
Hoje a situação ainda é a mesma, isto porque o direito a propriedade ainda continua a ser interpretado como absoluto, ou seja, a função social da propriedade não é praticada, apesar dos avanços na legislação. O poder Judiciário tem emperrado esta interpretação. Você observa pelo instrumento jurídico do usucapião, que leva anos para ser concedido. Mas quando se trata da reintegração de posse nem se discute se a propriedade é legítima ou não, grilada ou não, imediatamente é concedido, gerando os conflitos.
A oligarquia agrária tem tentado estabelecer constantemente o retrocesso. Está em curso a revisão reacionária do Código Florestal, as solicitações de intervenção nos Estados alegando descumprimento dos mandados, o impedimento de revisão dos índices de produtividade - que classifica as áreas em produtivas e improdutivas - e a criminalização dos movimentos sociais, agora com a solicitação da CPI do MST.
Alguns avanços aconteceram no governo Lula em relação à reforma agrária, porém ainda tímidos.
Edilza: Você quase retornou para o PC do B. O que mudou? Como avalia o retorno de Paulo Fonteles?
Sandra Batista: Ao ingressar no PC do B há 16 anos, o fiz com profunda convicção de que era o único partido que resistiu ao vendaval neoliberal e que conclamava sua militância e o povo brasileiro a lutar contra a opressão e a exploração capitalista e imperialista, e reafirmava a superioridade do socialismo sobre o capitalismo, desenvolvendo a renovação deste ideal baseado na experiência e na realidade de nosso país e compreendendo os desafios que se apresentam nos novos tempos. Portanto ,em nenhum momento me afastei do partido por discordância ideológica, ao contrário, reafirmo minha convicção revolucionária e marxista.
Também observei renovação nos quadros do PC do B, com muitas lideranças ingressando no partido, dando uma oxigenação que a muito precisava, ao mesmo tempo do retorno de Neuton Miranda à presidência, que privilegia o debate e conduz o partido com democracia e com compromisso coletivo.
Por outro lado, estou em um município aonde a direção do PT não prima pelo debate altaneiro muitas vezes permitindo os ataques pessoais, o que tem dificultado a minha adaptação no PT. Algumas vezes há o abandono do debate das idéias em detrimento de um pragmatismo terrível. As disputas internas são muito acirradas e a luta por espaço é fatricida.
Não se trata de ingenuidade política, como muitos ventilaram de forma maldosa, mas de colocar a política no posto de comando e zelar para que o PT não se afaste dos seus princípios, que o colocam como o partido que mais a sociedade brasileira tem referência.
Também não tenho um agrupamento interno, mas estou em conversa políticas com alguns coletivos. O que balizou a minha permanência foi o fato de estar no mandato de vice-Prefeita e ter assumido compromisso de contribuir na construção de um projeto político que permita ao PT ter um papel relevante na sociedade de Ananindeua.
Espero que o PED sirva para consolidar um debate ideológico capaz de buscar uma unidade para o fortalecimento do nosso partido tendo em vista a eleição da Dilma, a reeleição da Ana e a retomada da vaga no senado federal.
Quanto ao Paulinho Fonteles, presumo que tenha voltado por estar desenvolvendo uma tarefa importante para o PC do B na região do Araguaia, luta a qual ele sempre se dedicou e buscou as fileiras do partido para exercer sua militância.
(Edilza) Obrigada, Sandra Batista, pela sua entrevista.
Uma mensagem de Metatron através de Tyberonn, 8 de novembro de 2009
Saudações! Eu sou Metatron, Senhor da Luz. E abraço todos vocês na energia do Amor Incondicional!
E assim falaremos sobre a Tríade de Portais Estelares. Nós lhes dizemos que existem três aberturas frequenciais importantes ocorrendo no final deste seu ano. Elas vão ocorrer nos dias 11 de novembro de 2009, 12 de dezembro de 2009 e 21 de dezembro de 2009.
Estes portais estelares são uma parte importante da “Mudança Planetária”. Os três portais frequenciais citados formam uma Tríade de corredores de entrada, que trabalharão juntos para ajudá-los a passar por uma poderosa transição. O planeta está mudando de estação espiritual.
Os dias 11-11, 12-12 e 21-12 estão agrupados ao redor da liberação do medo e da aceitação do AMOR. Constituem o Retorno do Coração da Pomba. Eles trazem a Tríade de Portais Estelares do Amor – AMOR revigorado – e realmente são um aspecto e uma função da Idade Cristalina. Desta forma, o balanço do arco da dualidade diminui.
O AMOR É PRÓ-ATIVO
Mestres, nós lhes dizemos que, nos reinos Celestes, o amor é uma força frequencial pró-ativa. A tríade de portais oferece um aspecto generoso de amor que lhes dará a força de vontade para serem harmonicamente decididos em vez de passivos.
A Tríade de Portais capacita a humanidade a restabelecer uma influência apaixonada através da ação vigorosa. Onde a timidez e o medo fecharam portas internas, esta Tríade de Amor oferecerá a confiança frequencial que as reabrirá. Em 11-11, ela será recebida no nível micro, individualmente. Em 12-12, será recebida no macro, em grupo e em massa. E desta forma, manterá a passagem aberta para toda a humanidade passar pelo mesmo portal.
A energia que é oferecida na Tríade de Portais como sempre envolve a escolha e o discernimento de cada um de vocês. Mas também exige ação da sua parte para ativar a energia da capacitação que está se tornando disponível para toda alma humana que busca.
Essa energia lhe oferece a visão para enxergar o que não mais lhe serve e a capacidade de assumir os aspectos multidimensionais da sua consciência, oferecendo-lhe acesso ao lugar de poder na sua superalma. O local da sua superalma é o centro do poder e da Verdade Universal. E a Verdade Universal encontra-se em um campo de AMOR que, nos seus termos, é desprovido de medo. Ele se expande quando você entra, e lhe possibilita a capacidade de acessar uma vasta sabedoria e informações que o ajudarão na sua jornada de Ascensão.
Assim, você descobrirá que, em muitos aspectos, o propósito da sua vida e o sucesso dele estão ligados aos de outras pessoas. È imperativo que a humanidade descubra que cada um pode manter a realidade individual enquanto coopera com outros para produzir o potencial e os resultados mais elevados.
A HARMONIA NA IDADE CRISTALINA
Na Idade Cristalina da Terra Ascensionada, a parceria com outros de conteúdos diferentes será muito passível de ser realizada, quando a liberação do medo for permitida e o amor não for reprimido. Cooperação e harmonia não criam limitação, mas sim, expansão e criatividade.
No entanto, esta possibilidade requer responsabilidade. Não significa servilismo nem passividade na agonia da dualidade. O amor exige comprometimento de forças. Isto não significa intimidar os outros nem se permitir ser controlado pelo medo. Na verdade significa manter-se na sua própria verdade, e isto requer coragem delicada mas sólida.
O medo, da nossa perspectiva mais elevada, não é o oposto do amor. Na verdade, ele tem seu papel proposital na dualidade, assim como todos os “obstáculos”. E o AMOR também não tem que eliminar o medo em si. Em vez disso, em geral os dois trabalham em conjunto para permitir que a humanidade encontre a solução harmoniosa.
Mas não nos compreenda mal; o medo desenfreado pode separar e realmente separa. Ele reprime a sabedoria. Assim, ele é um catalisador na dualidade. O medo é empregado por aqueles que têm planos e desejo de controlar. Liberar o medo através da consciência da unidade é o teste final para todos vocês.
Como o seu grande mestre Mahatma Ghandi falou, quando você desarma o seu próprio coração em unidade com aqueles que são temidos e controladores, você desarma o coração deles também. Não se entregando, mas se mantendo firme no seu poder e verdade e, ao mesmo tempo, aberto para a unidade no amor dos outros.
Violência gera violência, e nunca é a resposta para a solução de conflitos. Por enquanto pode parecer que o lado escuro está vencendo, mas no final, é sempre o amor que prevalece.
Então, em essência, estes são os dois níveis de medo com os quais a Tríade de portais vai ajudá-lo a lidar. O primeiro é o medo interno, o medo que faz com que você se torne fraco, enchendo-o de dúvidas e confusão, prejudicando o Amor por Si Mesmo.
O segundo é o medo que vem de fontes externas. Em poucas palavras, é ficar “preso” por permitir que outros, em grupo ou individualmente, o controlem e limitem a sua liberdade.
Para superar as consequências prejudiciais do medo e seus efeitos colaterais de desespero, depressão e imobilidade, tudo o que se requer é encará-los com força. Em seguida, peça à sua Divindade para criar possibilidades e situações que sejam livres de medo e de danos, e então escolha o poder da vontade para vivê-los. Seja ativo!
TRÍADE DE PORTAIS: UM TEMPO DE PERCEPÇÃO INTERNA E RECARGA
A Tríade de Portais vai prover uma recarga, um reforço de coragem e percepção interna, dentro da vibração do AMOR ativo. Você será “empoderado”. Quando o medo for encarado e liberado, você descobrirá um fluxo interno de energia. Dentro dessa energia, você abrirá canais de criatividade antes adormecidos, e a criatividade leva ao poder de dirigir a sua própria vida. Mas a vibração do amor deve sempre guiar a utilização sábia do poder. As pessoas do seu planeta que verdadeiramente exercem o maior poder, fazem isso em fraternidade e transpiram delicadeza. O verdadeiro poder também é sutil. Mas é preciso ter percepção interior para conseguir isto.
No dia 11 de novembro, será introduzida uma energia que ajudará todos vocês a sair de uma vez das caixas energéticas nas quais muitos ainda estão presos, geralmente sem saber que estão. Alguns de vocês podem nem sequer estar conscientes das confusões em que estão enredados. O componente principal do confinamento é, mais uma vez, a velha energia do medo. E é um aspecto do medo que é multidimensional dentro do holograma de dualidade do tempo simultâneo do seu planeta. Muitos aspectos, que estão vindo à tona na energia ascendente, na verdade são remanescentes de encarnações individuais coincidentes, e que precisam ser limpas, clareadas.
Em essência, houve um recuo de muitos Trabalhadores da Luz, nos últimos meses; uma sensação de pausa. É por isto que, nas últimas semanas, muitas pessoas se sentiram presas, atoladas numa energia baixa que contém ondas de dúvida.
Nesta atual fase de desequilíbrio, dirigida astrologicamente, a velha energia está ressurgindo. Mas o que se vê não são apenas as religiões controladoras pseudo-sacrossantas; na verdade, todos os aspectos de falsas crenças que envolvem controle e vingança estão sendo levados à ebulição no cadinho exigido para a limpeza do planeta. Em essência, isto é o teste alegórico da “Tentação de Kristos” e é o espelho que reflete aquilo que não serve mais.
Queridos, recentemente lhes dissemos que as velhas religiões e as velhas crenças dogmáticas de controle estão na sua agonia final. A Luz atrai insetos, sempre foi assim. A violência nunca é a resposta. Todas as respostas se encontram na força da harmonia.
Aqueles dos quais é exigido, no novo paradigma, que abdiquem dos velhos tronos do poder, tanto no governo quanto (e especialmente) na velha energia da religião, não farão isso de boa vontade. Eles não cairão sem uma luta.
Mestres, vejam as incidências disto que ocorreram só durante o último mês na América. Isso está se manifestando em duas frentes, uma que é ativamente a cena central, e outra que é individual e submissa. Não caiam no pântano tranquilo da rendição.
O CORAÇÃO DA POMBA: A ROSA DE KRISTOS
Os dias 11-11, 12-12 e o Solstício de Dezembro são portais energéticos que vão ajudá-los a sair da lama. É o Retorno do Coração da Pomba e lhes oferece aquilo que alguns chamam de “Rosa de Kristos”. É o Coração da Pomba. É o momento de irradiarem sua luz e isto exige energia.
Existem muitos caminhos e muitas escolhas na estrada de crescimento de cada um. Um homem sábio é aquele que não se entrega facilmente às ameaças nem às ações dos “do contra”, que tentarão, na sua negatividade, gerar descrédito ou ameaças através do véu crítico do falso moralismo.
A Ascensão planetária necessita de buscadores que recuperem sua vontade e façam brilhar sua intenção decisiva num farol de confiança que não seja afetado pelos preconceitos e tendências da dualidade a cada momento.
Está na hora de correr através da lama. Queridos, se vocês abaixarem suas cabeças em desespero e confusão, o raio dos seus corações diminuirá de intensidade. Percam o momentum e o seu impulso para frente será abreviado. Se engolirem a animosidade e as ameaças amargas dos “do contra”, vocês ficarão desencorajados e, na verdade, este é o motivo do controle deles. Este é o papel deles na dualidade, entendem? – Enredá-los na confusão e na dúvida.
O Guerreiro Espiritual não pode, não deve permitir que as hostilidades do mundo externo penetrem as camadas de harmonia e amor em seu interior. Não se entregue! A rendição submissa seria individualmente sutil e muda, mas o arrependimento coletivo seria sentido no micro e no macro por toda a humanidade.
ENCERRANDO:
O Espírito ouve todos vocês. O Espírito fala aos corações em voz baixa e tranquila. O Espírito revela sua VERDADE a partir de dentro e exibe sua fidelidade através de cada passo do seu caminho de iluminação. O Espírito não é definido pela religião nem confinado por nenhum dogma. O Espírito também não busca aprovação na boa opinião dos outros nem na falta dela. O Espírito é VERDADE e a Verdade é resplandecente na forma e na falta de forma. O Espírito sempre projeta a frequência da impecabilidade na Lei Universal.
A abertura frequencial que ocorrerá em 11-11 (11 de novembro de 2009) é a que lança luz em todos esses aspectos. Na verdade, esse portal já está aberto desde a lua cheia do dia 2 de novembro. Revejam o 11:11. Façam um inventário. No dia 12-12 reúnam-se em grupos onde for possível e liberem.
No dia 21-12, projetem amor e assumam ativamente seu poder. O Amor é pró-ativo. O Amor é sustentador mas firme. O Inverno Espiritual no seu planeta está dando passagem, através da Energia Cristalina, para uma Primavera verdejante. Plantem as sementes nos seus corações, no AMOR nutridor e poderoso.
Esta energia está brilhando na Tríade de Portais através da emergente Grade Cristalina 144. Utilizem-na! É assim que a Ascensão acontece!
Eu sou Metatron e compartilho estas Verdades com vocês. Vocês são Amados!
Tradução de Vera Corrêa veracorrea46@ig.com.br
Fonte: www.Earth-Keeper.com
Os direitos autorais desta canalização pertencem a www.Earth-Keeper.com. A publicação em websites é permitida, desde que as informações não sejam alteradas e os créditos do autor e seu site sejam incluídos. Este material não pode ser publicado em jornais, revistas e nem re-impresso sem a permissão do autor. Para pedir permissão, escreva para EarthKeeper@consolidated.net.
A representatividade chinesa do macro e microcosmo e das duas energias que regem o mundo estão contidas no yin e yang: o feminino e o masculino, o bem e o mal, a ordem e o caos. São energias opostas que se complementam. É a força intrínseca do Universo convertendo-se ora em uma, ora em outra.
Decisão judicial garante visitas íntimas a presos homossexuais
10/11/2009 20:15
Da Redação Agência Pará
Marcelo Larrat considera um avanço para a comunidade LGBT a autorização para visitas íntimas a presos homossexuais. Foto: Eunice Pinto/Ag.Pará
Justiniano Alves, da Susipe, regulamentou em portaria as visitas homoafetivas em unidades prisionais do Pará. Foto: Cláudio Santos/Ag. Pará
Movimentos de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (LGBT) e outros ligados aos direitos humanos foram beneficiados pela Justiça paraense com a garantia aos presidiários de receber visitas íntimas de seus parceiros. A autorização judicial, inédita no Brasil, vale para todo o sistema carcerário do Pará e foi anunciada na segunda-feira (09) por Justiniano Alves, titular da Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe). Como esse tipo de visita requer regularização, Justiano Alves assinou nesta terça-feira (10) uma portaria para regulamentar as visitas homoafetivas nas unidades prisionais do Pará.
"O governo do Estado, por meio da Susipe, garante esse direito que já é estabelecido pela Constituição Federal, oportunizando às pessoas cuja orientação sexual seja homoafetiva a usufruirem deste direito", afirmou o superintendente. Ele pediu à Justiça que a autorização concedida a uma detenta do Centro de Recuperação Feminino (CRF), em Marituba, na Grande Belém, em outubro deste ano, fosse estendida para todo o Estado. Com a decisão normatizada, não será mais necessário o preso recorrer à Justiça.
A partir do próximo final de semana, detentos que quiserem usufruir deste direito devem enviar uma solicitação à Susipe, que tomará medidas administrativas necessárias, rotineiras nas casas penais, como a apresentação da documentação necessária para retirada da carteira de visita do companheiro ou companheira.
Avanço - Os espaços onde ocorrerão as visitas íntimas homoafetivas serão os mesmos destinados aos presos heterossexuais. "É uma avanço importante para nossa comunidade. Quando a Susipe dá um passo voluntário como esse, a gente vê que há uma intenção real de mudar a situação de exclusão dos homossexuais", ressaltou Marcelo Larrat, coordenador dos movimentos LGBT legalizados do Estado e integrante do Conselho do Centro de Referência, Prevenção e Combate à Homofobia, da Defensoria Pública do Estado, criado há três meses.
Ele frisou que não foi preciso haver pressão por parte dos movimentos, apesar de a demanda já fazer parte do Plano Pará sem Homofobia (construído em conjunto com o governo estadual) e da pauta do Plano Estadual de Segurança Pública de Combate à Homofobia, aprovado por unanimidade, no início deste ano, pelo Conselho Estadual de Segurança Pública (Consep/PA), após um ano de discussões.
Mas, apesar de a "sensibilidade do poder público em relação a estas questões", Larrat disse que ainda há muito a fazer, como mudar o formato do boletim de ocorrência, para que a quantidade de denúncias feitas por homossexuais seja registrada. Outra reivindicação é que sejam criadas delegacias especiais contra crimes de violência homofóbica. Só em 2009 foram registrados 12 assassinatos de homossexuais no Pará, sendo a maioria crimes bárbaros, além de 20 casos de violação de direitos.
Ineditismo - Para Ivon Cardoso, coordenador de Proteção à Livre Orientação Sexual, órgão ligado à diretoria de Cidadania e Direito Humano da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), a decisão inédita é o reflexo das ações do governo do Estado na área, onde basta ter "boa vontade política, já que a decisão não vai onerar os cofres do Estado". Ele lembrou que, com a criação da Sejudh, antes Secretaria de Estado de Justiça (Seju), pela primeira vez o Estado possui um órgão que trabalha especificamente questões relacionadas aos direitos humanos.
Para o coordenador, "voltar o olhar para essa pessoa (presidiário) é tratar com dignidade o ser humano, respeitando sua orientação sexual e identidade de gênero". Ele explicou que o preconceito em relação às pessoas que estão nos presídios já é grande, e aumenta no caso dos homossexuais. A garantia da visita do companheiro para estas pessoas, segundo Cardoso, ajuda também no seu restabelecimento e no convívio social.
Ivon Cardoso lembrou que um presídio feminino do interior de São Paulo já permite visitas íntimas. Em sua opinião, a iniciativa do governo do Estado mostra a importância de ações concretas na área, como a que garantiu, no ano passado, o direito de alunos de escolas públicas estaduais se identificarem na matrícula com o nome usado socialmente, decisão até hoje comemorada pelo movimento. Seguindo as diretrizes federais, a Sejudh promove o "Pará contra a Homofobia".
"O Estado e o Poder Judiciário estão de parabéns", disse Mary Cohen, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Seção Pará. Para ela, está havendo no Brasil uma pacificação nesse sentido, o que mostram as vitórias das uniões homoafetivas em relação ao aspecto patrimonial e às questões relacionadas aos filhos de pais homossexuais. O Pará não fica atrás deste processo, destacou Cohen, tanto que a nova decisão judicial citou duas outras jurisprudências.
Garantir os direitos de todos, frisou Justiniano Alves, é compromisso do Governo Ana Júlia Carepa. "Eu pertenço a um governo democrático e popular, em que a governadora tem como princípio a defesa desses direitos", acrescentou.
Feira do Livro: Seminário comenta obra de Dalcídio Jurandir
9/11/2009 10:47
Da Redação Agência Pará
Filho de Dalcídio Jurandir, José Roberto veio do Rio de Janeiro participar do seminário que discutiu a obra do pai, na Feira do Livro de Belém
Jovens dramatizam a devoção do caboclo marajoara em Nossa Senhora da Conceição, retratada na obra de Dalcídio Jurandir
Apresentações musicais marcaram a noite do domingo no espaço da Feira do Livro, que teve atração como o grupo Gaita da Colômbia
O público lotou as dependências do Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia - no domingo (9), terceiro dia de realização da XIII Feira Pan-amazônica do Livro, que prossegue até o dia 15 de novembro, com grande diversidade de eventos, como shows, lançamentos, oficinas e palestras literárias. Um dos pontos altos da programação foram as leituras dramáticas de trechos selecionados da obra de Dalcídio Jurandir, o grande homenageado da Feira, que este ano também festeja a França.
As homenagens ao escritor paraense fazem parte das comemorações do centenário de nascimento de Dalcídio Jurandir (1909-1979), cuja obra pode ser vista e estudada na decoração, nas palestras e no centro dos debates da Feira. Da programação da Cidade dos Escritores e Leitores, o seminário "Dalcídio Jurandir para Todos" foi um dos espaços mais concorridos. Entre os temas das mesas estava o trabalho cmo jornalista do escritor.
Com mediação de Abílio Pacheco, o debatedor Renato Gimenez lembrou da participação de Dalcídio Jurandir na Revista Diretriz, de cunho político. Carlos Pará também falou do seu envolvimento nas causas humanitárias contra a opressão e a favor da igualdade de direitos, bem como do trabalho de colunista do escritor de tantas facetas, como a de crítico literário, da qual falou Iane Bittencourt. Segundo ela, os aspectos mais importantes tanto na obra literária, quanto na jornalística mostram a preocupação que ele tinha com o ser humano.
O professor aposentado José Roberto Pereira, filho do escritor, que veio do Rio de Janeiro, onde mora, para participar da Feira, revelou que ficou "maravilhado" ao assistir a apresentação do Grupo Teatral da Associação Cultural Dalcídio Jurandir, do município de Pontas de Pedras, no Marajó. Ele já tinha assistido aos atores no início do ano, durante as homenagens ao seu pai, ocorridas no arquipélago.
As leituras dramáticas feitas pelo grupo teatral destacaram a fé do caboclo marajoara em Nossa Senhora da Conceição, retratada na obra do escritor. A performance dos atores iniciava com uma procissão onde eles entoavam a seguinte ladainha: "Este boi é da branca. Este boi é da mulata. Tem paciência cafuza. O que Deus promete não falta". A cena mostrou a fé na padroeira de Vila de Arari, e a religiosidade latente do povo da região do Marajó. Reproduzindo trechos de obras do escritor, os atores também representaram o modo de ser dos marajoaras, com seus costumes, linguajar, brincadeiras de infância e conflitos, como o envolvimento de um filho de fazendeiro com uma ribeirinha.
A temática francesa também foi abordada ontem, por meio de palestras literárias e apresentações de dança e música. No palco localizado no lado externo do Hangar, o público assistiu apresentações de shows musicais, como o som paraoara do Trio Manari, que encerrou a programação de domingo. Antes, a cultura popular colombiana foi mostrada pelo grupo Música de Gaita da Colômbia, que agradou o público presente. "Achei a apresentação ótima. A gente conhece outras culturas através da expressão da música. E o som deles lembra o nosso carimbó", comentou Carmem Pimentel, que levou seu filho de 10 anos para a Feira.
Serviço: XIII Feira Pan-amazônica do Livro. Até 15 de novembro, no Hangar. Entrada franca. Horário de visitações: 10 às 22h. Shows principais no deck a partir de 22h. Promoção: Governo do Pará, via Secretaria de Estado de Cultura (Secult). Mais informações sobre Dalcídio Jurandir no site www.dalcidiojurandir.com.br/
Crianças lotaram o estande da Fundação Curro Velho, montado na feira do livro, para assistir aos episódios do programa Catalendas, da TV Cultura
Bem à vontade no ambiente da feira, menino folheia livro com curiosidade e interesse, em meio às histórias que povoam o imaginário infantil
Outro serviço bastante acessado na Feira do Livro é o Navegafone, oferecido pela Prodepa, em que o usuário pode fazer ligações gratuitas
Foi grande a movimentação do terceiro dia da Feira Pan-amazônica do Livro, no Hangar - Centro de Convenções, em Belém. Entre as atrações de domingo (9), estava o espaço da Fundação Curro Velho (FCV), onde as apresentações de vídeos do programa "Catalendas" atraíram a atenção da criançada. O acesso à internet de alta velocidade nos estandes do Navegapará também fez sucesso entre os visitantes, que ainda podiam fazer ligações gratuitas através do Navegafone.
Lendas paraenses, como o Boto, a Matintaperera e a Cobra Grande são a matéria-prima do "Catalendas", da TV Cultura, que está comemorando 10 anos de criação. A atração tem público cativo, como o pequeno Davi, de 10 anos. Ele disse que acha "muito legal o programa", o qual costuma assistir em casa. Junto com outras crianças, ele olhava atento para o telão instalado do estande da Fundação Culho Velho.
Diego Ferreira, do apoio do espaço, explicou que haverá apresentação de teatro de fantoches e serão oferecidas diversas oficinas, ministradas pelos profissionais da fundação. As novidades da literatura infantil também podem ser conferidas em estandes como o da "Amazônia e a Turma da Mônica" ou em espaços como a "Cidade dos Livros" e "Contações de Histórias" (com funcionamento das 10h30 às 18h).
Já nos espaços do Navegapará, maior programa de inclusão digital do Brasil, 65 computadores foram disponibilizados, sendo que 20 estão localizados na área central e os outros 45 na área superior do Hangar. Os visitantes ainda podem fazer ligações nos orelhões do Navegafone. A ligação é voip (voi sobre ip), o que significa que é feita via internet.
A estudante Regiane Leão elogiou a iniciativa: "Acho interessante porque muitas pessoas não têm acesso, como eu. A cada ano que passa, a feira está melhor". Além da internet e das ligações telefônicas gratuitas, um telão também mostra o funcionamento da webtv, reproduzindo ao vivo a movimentação da feira via web. A TV ao vivo pode ser acessada pelo endereço na internet (www.webtv.prodepa.gov.br).
O Navegapará é um programa do governo estadual desenvolvido pela Empresa Paraense de Processamento de Dados (Prodepa). Ele engloba cinco projetos (Metrobel, Infovias, Infocentros, Telecentros de Negócios e Cidades Digitais) e dois serviços, o Navegafone e a Rádio Pará - que pode ser acessada pelo Portal do Governo (www.pa.gov.br). A rádioweb é resultado da parceria da Prodepa com a Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), cuja programação inclui relato das ações do governo e música paraense.
Serviço: XIII Feira Pan-amazônica do Livro. Até 15 de novembro, no Hangar. Entrada franca. Horário de visitações: 10 às 22h. Shows principais no deck a partir de 22h. Mais informações sobre a programação da Feira do livro pelo site do evento (www.feiradolivro.pa.gov.br).
Santarém mobiliza a sociedade para discutir a Conferência de Comunicação
07/11/2009 21:09
Da Redação Secretaria de Comunicação
O presidente da Comissão Organizadora Estadual, Sérgio Santos, abriu o debate em Santarém, que reuniu cerca de 100 pessoas
Miguel Oliveira (à esquerda), Everaldo Cordeiro e Erika Morhy: pluralidade na discussão entre classe empresarial, igreja e governo
Representantes de dez municípios do Baixo Amazonas participaram da etapa regional da Conferência Estadual de Comunicação, em Santarém
Cena comum na praça do mirante de Santarém: estudantes utilizam internet grátis, por meio do Navegapará, para fazer trabalhos e pesquisas
Representantes de segmentos sociais, do poder público e do setor privado da região do Baixo Amazonas estiveram juntos neste sábado (7), em Santarém, na terceira etapa regional preparatória à 1ª Conferência Estadual de Comunicação. O encontro ocorreu no campus da Universidade do Estado do Pará (Uepa).
Cerca de 100 pessoas de dez municípios participaram do processo de construção de propostas de políticas públicas para a democratização da comunicação no país e elegeram seus delegados para a etapa estadual.
Coordenada pela Comissão Organizadora Estadual (COE), a conferência elegeu os 27 delegados do pólo Santarém que irão à etapa estadual, sendo 19 dos movimentos sociais, cinco do setor empresarial e outros cinco do poder público, respeitando a proporcionalidade de 60%, 20% e 20%, respectivamente.
Fizeram parte da mesa de abertura Antônia Salgado, membro do Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense, representando os movimentos sociais; o cientista político Sérgio Santos, presidente da Coe; o vice-prefeito de Santarém, José Antônio Rocha; e a jornalista Erika Morhy, representando o governo do Pará.
As atividades tiveram início com o painel "Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital", tema central da conferência nacional. Erika Morhy apresentou um panorama dos avanços no processo de democratização da comunicação na América Latina com a iniciativa de governos democráticos, como ocorre na Argentina, na Venezuela, na Bolívia e no Equador, e destacou que os governos do presidente Luis Inácio Lula da Silva e da governadora Ana Júlia Carepa também acompanham esse momento histórico.
"A conferência é uma demonstração que o poder público dá de compromisso com a democracia e com a garantia de controle social sobre suas políticas. E com a participação de todos os segmentos sociais, o processo se torna legítimo e sinaliza para concretização das propostas apresentadas", argumentou a jornalista.
Erika Morhy também destacou iniciativas do governo estadual, como a retomada das torres de transmissão da Funtelpa/TV Cultura, que estavam ilegalmente cedidas para empresa privada, e a chegada da programação educativa a mais de 50 municípios; a criação da Secretaria de Comunicação, que tem descentralizado as verbas publicitárias, abarcando também as rádios comunitárias outorgadas, e tem promovido capacitação em mídias populares; a retomada da transmissão da Rádio Ondas Tropicais, há 11 anos desativada; e especialmente os investimentos na inclusão digital, com o programa Navegapará, que já beneficia mais de 2 milhões de paraenses com internet livre e de alta velocidade em mais de 500 escolas, entidades comunitárias e áreas públicas com livre acesso em 15 cidades. Santarém é uma delas.
No mirante do Tapajós, pode-se encontrar diariamente jovens e adultos "navegando", como o grupo de estudantes da Escola Estadual Rodrigues dos Santos. "Estamos pesquisando para um trabalho e, como o tema é escasso nas bibliografias disponíveis em bibliotecas tradicionais, viemos pra cá, que o uso é gratuito e permite acesso a muitas literaturas", justifica Edijane Marinho de Andrade.
Pluralidade - O pedagogo Everaldo Cordeiro, membro do Conselho Municipal de Educação e coordenador regional da Renovação Carismática Católica, destacou a importância do diálogo entre os diferentes segmentos sociais. "As entidades sentem faltam de espaços para se expressar e ouvir as necessidades dos demais segmentos. E o debate descentralizado, como está sendo feito, também é extremamente importante para a valorização das populações locais. Acredito que a conferência é a síntese do espírito dos governos Lula e Ana Júlia, que conseguem compor alianças para a construção de um país melhor para todos", defendeu.
O jornalista Miguel Oliveira, representante do setor empresarial, acredita que "o espaço que se tem hoje no Brasil para discussões do gênero é fruto do esforço de profissionais da comunicação ao longo de décadas; não começou com o advento da internet" e destaca que o debate da sociedade deve abarcar, por princípio, o direito à informação.
Miguel Oliveira criticou as entidades do setor empresarial e as definiu como "cartoriais, focadas no lobby junto aos governos", mas também não poupou restrições a setores populares. "As rádios comunitárias não podem se preocupar só com a possibilidade da Polícia Federal fechar sua sede. Têm que se preocupar com seus formatos e conteúdos, com a ingerência de políticos na sua programação. Redes católicas e evangélicas também usam seus canais para promover comércios. Então por que apenas o setor empresarial é vidraça?", provocou.
Para Miguel Oliveira, as mídias digitais, apesar de abrirem novas possibilidades de uso e a perspectiva da pluralidade de informações, ainda precisam avançar em suas experiências, "ao invés de serem meras reprodutoras do modelo e das informações veiculadas na grande imprensa".
Os participantes sistematizaram, em grupos específicos, as propostas do pólo Santarém para a etapa estadual, incluindo questões relacionadas à produção de conteúdo, meios de distribuição de informação e cidadania.
Etapas - A primeira e a segunda etapas regionais foram realizadas em Marabá - com representantes das regiões do Lago de Tucuruí, Araguaia e Carajás - e em Altamira - reunindo as regiões do Tapajós e Xingu. A quarta e última etapa antes da conferência estadual será em Belém, abrangendo representantes das regiões Metropolitana, Marajó, Guamá, Rio Caeté, Rio Capim e Tocantins, nos próximos dias 20 e 21.
A conferência estadual foi convocada pela governadora Ana Júlia Carepa no último dia 3 de agosto, acompanhando a convocação da conferência nacional feita pelo presidente Lula, no início do ano, e que será realizada em dezembro.
Mestre Verequete, um dos ícones da cultura paraense, em uma apresentação no
palco do Teatro Experimental Waldemar Henrique, em fevereiro de 2009
Foto: Eunice Pinto/Agência Pará
O Pará perdeu, ontem, 3 de novembro, um dos grandes representantes de sua cultura, o músico Augusto Gomes Rodrigues, mais conhecido como Mestre Verequete. Na verdade, os paraenses perderam a presença iluminada e talentosa do artista que completou 93 anos em agosto deste ano, mas a música do mestre permanecerá: o carimbó de raiz, o ritmo gostoso, que dá vontade de cantar e rodopiar... Achei dois textos bem interessantes sobre o Mestre Verequete (abaixo), que deve estar fazendo uma grande festa no céu. Salve, Verequete!
O Carimbó não morreu, está de volta outra vez.
O Carimbó não morreu , está de volta outra vez. O carimbó nunca morre, quem canta o carimbó sou eu. O carimbó nunca morre, quem canta o carimbó sou eu. Sou cobra venenosa, osso duro de roer. Sou cobra venenosa, cuidado eu vou te morder.
*Mestre Verequete
Esta letra nunca foi tão atual.
A morte de Verequete traz para a pauta o peso do carimbó na cultura popular paraense.
Desde o ano passado, um coletivo de apaixonados e estudiosos do assunto trabalham, com o apoio da Secult, para que o ritmo seja reconhecido pela Unesco como Patrimônio Imaterial da Humanidade.
Uma campanha que, apesar de toda a sua importância para a nossa cultura, ainda segue pobre e sem reverberação na socidade. Não por culpa dos voluntárias dedicados à ela. Mas por total ignorância do povo em relação ao peso que esse reconhecimento mundial tem ou por mero descaso mesmo.
Verequete parte e deixa conosco um legado. Ele, que era um dos ícones desta campanha, cumpre sua missão fazendo todos refletirem sobre o que significa a morte de mais um Mestre da nossa cultura popular.
Espero que agora todos os que lamentam publicamente a morte de Verequete, escrevem belos textos e estão dando pinta no velório no Teatro da Paz façam algo de verdade pela preservação da nossa cultura popular e pelo reconhecimento de nossos mestres.
Salve, grande Mestre!
O carimbó nunca morre, quem deve cantar o carimbó agora somos todos nós!
Verequete morreu. Isso meia dúzia de pessoas informadas em Belém já sabe desde que os boletins médicos informaram que a vida do carimbozeiro estava encerrada clinicamente. Outros ouviram falar. O certo é que muitos reclamaram a vitória da morte no jogo em que o músico Augusto Gomes Rodrigues jogou por 92 anos. Choraram os paraenses: "pobrezito, morreu tão pobrinho o pobre do Verequete. Coitadinho do pobre".
De fato, Verequete não era rico e há tempos se ouvia prefeitos e governos estaduais lhe prometerem pensão, o que deve ser pedido através de projeto de lei e submetido ao Legislativo. Daí, você tira o saco que é conseguir ganhar esse dinheirinho. Do Estado, o músico ganhava algo em torno de R$ 1.040 e tinha ainda a aposentadoria do INSS de R$ 465, além de uma cota de R$ 1 mil para comprar remédio, cortesia de uma rede de farmácias local. Não dá para dizer que era um homem abastado. Meu pai diz, não faz muitos anos o mestre ainda vendia seu churrasquinho de gato no Guamá, defronte a uma casa humilde, de madeira, sem saneamento ou luxo nenhum. Era pobre, afinal.
No livro "Cantos e cantares", sobre música paraense do estudioso Alfredo Oliveira, Verequete aparece lado a lado com outros mestres da nossa música de raiz. Figura ele na obra como um modernizador do ritmo, que popularizou e incrementou a brincadeira em torno dos curimbós, o instrumento de percussão responsável pela levada dançante. É inegável sua marca na história da música do Pará e é inegável que não foi reconhecido em vida também. Com o defunto ainda fresco, quem sabe o mestre tenha algumas loas.
Agora culpar o poder público por abandono e esquecimento soa de uma hipocrisia boba. Claro que os governos esqueceram os mestres e continuam esquecendo. Sou parente de Joaquim Castro, o mestre Cupijó, com muito orgulho. Agora digo que o carimbozeiro de mão cheia de Cametá, famoso na década de 1970 por seus metais irados misturados ao batuque, está curtindo uma velhice modestíssima na cidade em que nasceu, fazendo um showzinho aqui e ali, se recuperando de doença grave e vendo seu conjunto de músicos morrer um a um ao longo dos anos. Perguntem se ele ganha pensão. A resposta vai ser não.
Temos problemas para resolver questões consideradas prioritárias, como saúde, educação, segurança e saneamento. Nos batemos com o feijão com arroz, com o básico. Com o filé, não seria diferente e até mais difícil. Daí, evidentemente, a cultura fica em segundo plano. Basta olhar, em todas as esferas de poder, os Orçamentos Gerais e os Planos de Diretrizes Orçamentárias. Não há grandes somas para este setor.
Portanto, é tolice acreditar que a salvação dos artistas tradicionais e seus produtos seja o subsídio e a bóia de salvação jogada pelos governos. Artistas vivem de sua arte, do que produzem como cultura e, principalmente, do que realmente vendem ao mercado consumidor. O paraense chora a morte de Verequete e sua miséria no fim da vida, mas pouca gente consumia o tal carimbó. E estou falando dos tempos em que música era "consumida" no sentido de ser comprada. Hoje nem isso. Basta jogar nos sites de compartilhamento de arquivo e baixar os arquivos digitais sem pagar nada ao compositor ou ao cantor. Não preciso dizer que Verequete não chegou nem perto desta nova fase. O CD para ele foi o limite da inovação, infelizmente.
Falar em show de Verequete também é uma complicação. Me corrijam, mas acho que não houve nenhum grandioso, como, por exemplo, o que houve nos 50 anos de vida de Nilson Chaves, em que vários artistas paraenses e de outros Estados se reuniram para homenagear o "cantor da Amazônia". Claro que o velhinho fez lá suas apresentações custeadas pelo poder público, porém, não existiu uma mobilização com boa produção e engajamento de quem grita aos quatro ventos a admiração ao mestre. Pelo menos, não vi e duvido que alguém viu.
Verequete se perdeu no limbo dos "mestres" há muitos anos e já vinha sendo encarado como aquele vovozinho amado, mas que dá trabalho demais e a família se alivia quando morre. Agora se foi. Sobraram as piadas de que o "Chama Verequete" foi atendido, finalmente. E muito discurso bonito sobre a importância da cultura popular, sobre pobreza dos artistas, sobre identidade cultural e outros papos furadíssimos. Obviamente, estamos em um tempo marcado pela tal globalização midiática que ao mesmo tempo nos torna informados em tempo real sobre a morte do músico paraense miserável e nos toca profudamente, porque é um símbolo que deixa de existir materialmente. Agora é o mesmo fenômeno que nos impõe produtos de todas as partes do mundo e deixa pouco espaço para conhecer os que estão mais perto. Mesmo os de alguma qualidade, seja ela técnica ou simbólica mesmo, como era do caso do mestre falecido.
É um traço do nosso tempo, afinal, que pode ser encarado como a "ordem natural das coisas", mas nem por isso deixo de identificar como uma impostura dos que reclamam dos governos, lamentam a pobreza do re do carimbó, ao mesmo tempo que deixam essa traço de lado, encostado no canto, como um suvenir que só nos serve para enfeitar a sala e mostrar para as visitas que vêm de fora: olha, sou paraense. Pai d'égua, não é?
"O carimbó não morreu está de volta outra vez. O carimbó não morreu está de volta outra vez. O carimbó nunca morre. Quem canta o carimbó sou eu".Mestre Verequete.
Gosto da análise do Anderson e concordo com muitas de suas colocações, entretanto, penso que o poder público tem, sim, grande responsabilidade com a sua cultura e seus artistas. Para isso, deve elaborar políticas culturais que privilegiem as mais diversas manifestações, que promovam todas as formas de arte, especialmente a popular, e que (por que não?) ajudem mestres como Verequete, já que isso não é assistencialismo, mas uma forma de reparar um pouquinho tanto tempo de políticas públicas tão equivocadas.
Sinto que há uma luz no fim do túnel como me sentia feliz ao ver, há alguns anos, uma ou iniciativa interessante. As políticas culturais do Estado sinalizam um caminho melhor, mais justo e inclusivo. Mas ainda é pouco, muito pouco perto do estado atual da nossa arte, dos nossos artistas. Além do esquecimento de anos, décadas, muitos artistas sofrem nas mãos de produtores culturais gananciosos e sem escrúpulo, como foi o caso do próprio Verequete.
Em 2005, quando estudava Jornalismo na UFPA, escrevi um artigo sobre dança folclórica paraense, "Mangueiras Bailarinas", no qual falo destas questões e analiso a linha tênue que separa o processo natural de modernização da cultura da sua massificação:
"(...) A descaracterização da dança folclórica paraense favorece sua estilização assim como a ação de produtores culturais despreocupados com a preservação desta arte. As coreografias, vestimentas e músicas que compõem nossas danças, como o carimbó e o lundu, retratam o jeito de ser e de viver do nativo. O movimento do corpo dos dançarinos mostra as características da nossa gente.
O carimbó, com seus passos embalados pelo gingado harmônico dos quadris das dançarinas, destaca a brejeirice das moças da terra. Já o lundu é o puro encantamento dos enamorados: a sexualidade à flor da pele e o cheiro desse Pará quente e úmido, espelhado na malícia dos movimentos desta arte identificadora de nossa cultura.
Rosaly Brito, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), define cultura como a ação simbolizadora do homem. A dança folclórica, representante da cultural regional, portanto, de acordo com a professora, está sujeita à “criação e atualização permanentes, inerentes aos sistemas simbólicos de significação do próprio homem”. Estando a cultura ligada intrinsecamente às formas de poder vigentes, percebe-se então que os fatores políticos e sociais envolvidos no fazer artístico-cultural são determinantes no seu processo de modernização. (...)". O texto completo pode ser lido aqui.
Em uma outra matéria escrita, no mesmo ano, para uma revista paraense, "Belém, a eterna musa", músicos e poetas cantam Belém, mas com o olhar crítico em relação à mídia, patrocinadores e produtores culturais:
“(...) Lá fora, críticos e literatura retratam a dimensão da música produzida aqui, apesar de ainda não existir uma produção em massa”. A afirmação é de Paulo André Barata, que credita o fato à falta da valorização local dos artistas, no momento em que 'mecenas' continuam a investir alto no que vem de fora. 'Somos receptivos com conceitos e padrões importados, mas nosso mercado é inexpressivo, ainda estamos procurando um jeito de mobilizar o interesse de todos que fazem girar a roda do mercado de discos e shows', opina Almirzinho Gabriel. Para ele, existe um movimento estético com propostas interessantes na cidade.
Paes Loureiro fala dessa efervescência cultural de Belém. 'Estamos participando ou assistindo ao nascimento de um novo ciclo artístico-cultural amazônico a partir de Belém, que está na liderança deste processo'. Paulo André Barata ressalta que os compositores estão preocupados em traçar um mapa do ritmo do Pará, mas 'não existe música paraense e sim músicos paraenses'. (...)"
As matérias foram escritas em 2005, mas ainda são atuais em muitos aspectos, infelizmente. Como bem analisou o jornalista Anderson Araújo, "estamos em um tempo marcado pela tal globalização midiática que ao mesmo tempo nos torna informados em tempo real sobre a morte do músico paraense miserável e nos toca profudamente, porque é um símbolo que deixa de existir materialmente. Agora é o mesmo fenômeno que nos impõe produtos de todas as partes do mundo e deixa pouco espaço para conhecer os que estão mais perto. Mesmo os de alguma qualidade, seja ela técnica ou simbólica mesmo, como era do caso do mestre falecido".
Posso dizer que esse mesmo fenômeno tem ajudado no crescimento das aparelhagens, aquelas músicas (?) que, além de nos deixar surdos, enchem a cabeça das crianças e jovens com letras vazias nesse processo de aculturação. Hoje mesmo, no ônibus, o barulho ensurdecedor e irritante de uma destas músicas ficou ainda pior quando resolvi sentar ao lado da "caixa de som": um celular grudado no ouvido de um rapaz - até então achava que a música era do coletivo. Precisei pedir para o distinto passageiro diminuir o volume porque nem com meu fone de ouvido conseguia ouvir a música do meu celular. Ao contrário, na véspera, quase choro ao ver um grupo de carimbó do Sesc percorrendo as ruas da Doca em homenagem ao Mestre Verequete.
Por tudo isso desejo, sinceramente, que este momento de dor sirva de reflexão para todos nós, governos, artistas, produtores, empresários, cidadãos... Daqui a um tempo talvez não existam mais heróis como o Mestre Verequete, homem que viveu, amou e lutou para preservar asua arte. A arte que o manteve vivo por quase um século.
Que a chama de Verequete toque o coração de todos.
Do mirante da orla de Santarém, uma das 15 Cidades Digitais do Pará, é possível acessar internet de alta velocidade gratuitamente
A pedagoga Bruna Fernandes utiliza o sinal da Cidade Digital,
pelo menos, três vezes por semana
O apresentador Luciano Huck gravou um quadro para o programa "Caldeirão do Huck", da TV Globo, em Santarém e surpreendeu-se com a internet de alta velocidade que encontrou. "Aonde chegamos! Twittando de Belterra, interior do Pará, no meio da Amazônia. É inacreditável!", vibrou o apresentador no seu miniblog. A realidade que Huck encontrou pode ser conferida por qualquer cidadão de Santarém graças ao programa "NavegaPará", do Governo Popular, que fez dela uma das 15 Cidades Digitais do Pará. Uma das cenas mais comuns hoje em dia na orla da cidade são pessoas com seus notebooks abertos, acessando internet à beira do rio Tapajós.
O NavegaPará já instalou sete infocentros em Santarém, e tem previsão de inaugurar mais três. Os infocentros são locais onde a comunidade tem acesso gratuito à internet, além de oferecerem cursos básicos de informática. Eles são instalados em locais estratégicos, como escolas, colônias de pescadores e órgãos públicos, facilitando, inclusive, o acesso da população aos serviços do estado.
Não é a primeira vez que o programa NavegaPará atrai a atenção do Brasil e do mundo. Em dezembro do ano passado, representantes do governo do Amazonas estiveram em Belém para conhecer o programa e levar idéias para implementar um projeto semelhante em seu Estado. O NavegaPará também já foi destaque em um evento internacional na Suécia, sobre tecnologias de comunicação móvel e é considerado pelo governo federal referência para o Brasil como programa de inclusão digital.
O arrojo e o pioneirismo do NavegaPará podem ser mensurados pelo fato de que o Governo Federal lançará nos próximos meses uma rede estatal de fibra óptica de 31.448 quilômetros, interligando 4.245 municípios, cerca de 76% do território nacional, para beneficiar 162 milhões de pessoas. O projeto orçado em R$ 1,1 bilhão pode ser executado em 14 meses. A meta é garantir uma velocidade de conexão de 1 megabyte. Hoje, 90% das conexões de internet no Brasil são feitas com velocidade inferior a 1 Mbps. O projeto tem a mesma estratégia do NavegaPará, do Governo Popular.
Secom, com informações do blog http://hupomnemata.blogspot.com
A notícia também está no blog da Waleiska Fernandes, do Yúdice Andrade, do Levi Menezes e circulando pelo mundo todo através do mundo virtual... Abaixo, o post do Levi, retirado do BLOG ASSUNTOS CANDENTES:
Está repercutindo na blogosfera a estupefação de Luciano Huck ao poder dispor de sinal de internet banda larga na cidade de Belterra, região oeste do Pará, fornecido pelo programa do governo estadual de inclusão digital, o NavegaPará. Fato que deixa mais estupefatos Flexa, Mário Couto e Vic, que aos berros afirmam que o governo Ana Júlia não tem obra nehuma pra mostrar.
Ao contrário do que ensina o pensamento conservador brasileiro, tão bem representado através de nossos medíocres parlamentares, as ações do poder público não se restringem a grandes monolitos de concreto e aço. Através de ondas de rádio, por exemplo, o estado está se fazendo presente nas diversas regiões do estado, levando Belterra para mais próximo do mundo. E não só pela banda larga da internet, mas também através do Bolsa Trabalho, do Pró-Jovem, das equipes de saúde da família, e etc...
Navegatube faz sucesso na Feira de Ciência e Tecnologia
22/10/2009 18:55
Da Redação Agência Pará
O Navegatube, ferramenta que permite a postagem de vídeos na internet, é um dos destaques da II Feira Estadual de Ciência e Tecnologia, que se encerra nesta quinta-feira 22, no Hangar - Centro de Exposições e Feiras da Amazônia. Tecnologia e inovação são marcas da Empresa de Processamento de Dados do Pará (Prodepa), que promove concurso para premiar com R$ 50 mil os melhores vídeos produzidos.
A Prodepa é responsável também pela criação do NavegaPará, que está interligando todo o Estado por meio de Infovias, Cidades Digitais, Infocentros e Metrobel. Maior programa de inclusão digital do Brasil, o NavegaPará já inteligou mais de mil pontos públicos em todo o Estado por meio da fibra ótica, possibilitando à sociedade o acesso gratuito à internet banda larga.
O Navegatube, de acordo com Antônio Makazel, gerente de Marketing e Propaganda da Prodepa, segue este mesmo conceito de cidadania e inovação. "É como se fosse um Youtube do NavegaPará". Ele explicou que a tecnologia é bem similar ao conhecido Youtube e permite a colocação de vídeos na internet de forma simples e eficaz, popularizando a utilização da tecnologia.
Com cerca de dois meses de criado, o Navegatube tem registrado muitos acessos diários, o que comprova a aceitação do público. "Gostei de saber que a gente tem o Navegatube porque acho muito bom poder criar vídeos e reproduzir o material com essa facilidade", comentou a estudante Louise Melo, dizendo que deseja participar do concurso que a Prodepa está promovendo.
O concurso tem como tema a "Diversidade e realidade amazônica", que inclui situações urbanas e rurais. A empresa premiará os três primeiros lugares de três categorias: alunos de escolas públicas estaduais, infocentros e público em geral. As escolas premiadas também ganham a instalação de uma ilha de edição e toda a orientação necessária. O regulamento pode ser acessado no site www.navegatube.org.br.
Outra atração do estande da Prodepa é o Navegafone, orelhão que permite ligações telefônicas gratuitas via internet. Os visitantes da Feira ainda podem acessar a internet em um dos 20 computadores instalados no infocentro montado no local, um pequeno exemplo da amplitude do NavegaPará, que interligará em todo o Estado instituições públicas de ensino e pesquisa, escolas públicas municipais e estaduais, hospitais, postos de saúde, órgãos de segurança pública e infocentros.
Participe da Feira Estadual de Ciência e Tecnologia
AOS INTERESSADOS:
Informo aos comentaristas que não deixaram e-mail de contato que as inscrições para a VI Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) e II Feira Estadual de C&T, que ocorrem de 19 a 22 de outubro, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, podem ser feitas aqui: http://sistemas.pa.gov.br/sgsp/
Feira mostra como ciência e tecnologia garantem o desenvolvimento do Pará
14/10/2009 14:28
Da Redação Secretaria de Comunicação
Popularizar a ciência e transformar Belém em ponto de culminância das feiras regionais de ciência promovidas nos municípios de Castanhal, Barcarena, Santarém e Marabá, bem como a Mostra Júlio Cezar de Ciência e Cultura, com palestras e oficinas científicas para estudantes da rede pública da capital e do interior do Estado.
Este é o principal objetivo da II Feira Estadual de Ciência e Tecnologia, que acontece no âmbito da VI Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), de 19 a 22 de outubro, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. A promoção é da Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect).
A cerimônia de abertura da II Feira Estadual de Ciência e Tecnologia ocorrerá na próxima segunda-feira (19), às 17 horas, no Hangar. Também serão realizados junto com a feira o I Seminário de Integração Científica da Universidade do Estado do Pará (Uepa), a XIV Feira de Ciências do Estado do Pará (Feicipa) e a Semana Paraense de Propriedade Intelectual.
Exposições, oficinas, palestras e mini-cursos atenderão desde estudantes e professores dos ensinos fundamental e médio, profissional e superior, além de pesquisadores e empresários com atuação no setor de ciência, tecnologia e inovação.
Investimentos Ciência, tecnologia e inovação são o tripé para o desenvolvimento do Pará. A busca pelo crescimento sustentável exige estímulo a pesquisas científicas por meio de bolsas, cuja oferta triplicou no Estado tanto para nível superior, mestrado e doutorado, quanto para o ensino fundamental, resultado de parceria entre Fapespa e Seduc.
O Navegapará, maior programa de inclusão digital do país, é outro grande passo, pois democratiza o acesso à internet gratuita e de qualidade nos pontos mais distantes do Estado, por meio de infocentros, infovias, cidades digitais, telecentros de negócios e rede metrobel.
Três parques tecnológicos estão em construção no Estado: o Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, em Belém (para pesquisa em biotecnologia, energia, sistema de comunicação, tecnologia do alumínio), o PCT Tocantins, em Marabá (com foco em tecnologia mineral e novos materiais, pesquisas agropecuárias e silvicultura) e o PCT Tapajós, em Santarém (com foco em tecnologias da madeira e produtos da floresta, pesca e aquicultura, agricultura tropical e geologia mineral).
O PCT Guamá, projeto original da Universidade Federal do Pará (UFPA), encampado pelo governo do Estado com vistas à implantação do Sistema Paraense de Inovação (SIPI), já está em fase de implantação da estrutura física. Com um investimento de quase R$ 100 milhões, o PCT Guamá já tem garantido empreendimentos importantes, como laboratório de qualidade do leite, de alumínio e bauxita, de alta tensão e de óleos e essências vegetais. Os outros dois parques devem começar a operar em 2010.
A feira mostrará, ainda, como o Pará se prepara para ser referência mundial em pesquisa genética. Através de uma parceria entre Sedect, UFPA e Fapespa, a Rede Paraense Genômica e Proteômica, criada no início deste ano pelo governo do Estado, UFPA e Embrapa, adquiriu o Solid, um sequenciador que decodifica o genoma, permitindo um rápido acesso ao código genético de uma célula. Primeiro equipamento da América Latina, o Solid integra um grupo de cinco laboratórios aprovados pelo governo do Estado junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do governo federal, com recursos totais de R$ 13 milhões, sendo R$ 8 milhões de contrapartida do governo do Estado.
O Pará é, hoje, o estado com um dos melhores parques de produção de genoma do Brasil. O equipamento vai permitir o desenvolvimento de pesquisa na área de saúde, como câncer e malária, assim como no desenvolvimento sócio-produtivo da região, como as pesquisas de um fungo que afeta a cultura da pimenta-do-reino.
Serviço - VI Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) e II Feira Estadual de C&T, de 19 a 22 de outubro, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia.
Missa inicia o 217º Círio de Nazaré na capital do Pará
11/10/2009 08:04
Da Redação Agência Pará
Missa campal celebrada em frente à Catedral Metropolitana de Belém deu início à procissão do Círio 2009
Início da procissão do Círio 2009, passando pela praça do relógio, atriu milhares de romeiros
Em Belém, o domingo amanheceu com as ruas do centro histórico tomadas por romeiros, no 217º Círio de Nazaré
A mais reverenciada de todas as Marias está representada na pequena imagem encontrada pelo caboclo Plácido José de Sousa, em 1700. A Virgem de Nazaré é pequena, mas tem uma importância vital para o povo paraense que, antes do sol raiar neste domingo (11), já estava nas ruas de Belém para participar do Círio de número 217, a principal das 11 romarias em homenagem à Santa. Às 5 horas em ponto, se iniciou a missa celebrada pelo arcebispo emérito de Belém, Dom Vicente Zico, no palco montado na frente da Catedral Metropolitana, na Praça Frei Caetano Brandão, bairro da Cidade Velha.
Ás 6h40, a berlinda partiu da Catedral rumo à Basílica Santuário de Nazaré, igrejas que, este ano, são um motivo a mais de alegria para o paraense, com as comemorações dos 100 anos do lançamento da pedra fundamental da Basílica e da reabertura da Catedral, depois de mais de três anos fechada. Totalmente restaurada pelo governo do Estado e entregue em setembro, a Sé abriu as portas para os fiéis e voltou a acolher a Santa. A missa do Círio permaneceu campal, para que um maior número de pessoas pudesse participar.
A referência ao tema do Círio 2009, "Em Maria, a palavra se fez carne", marcou o início da missa, aberta pelo monsenhor Raimundo Possidônio, administrador arquidiocesano de Belém. Dom Orani João Tempesta, ex-arcebispo de Belém e atual arcebispo do Rio de Janeiro, e grande parte do clero local, arcebispos e padres de outros Estados participaram da celebração. Os religiosos entraram pela frente do palco ao som da música dos 42 integrantes da Escola Cantorum, da arquidiocese, que convidou cinco músicos, entre eles o pianista Paulo José Campos de Melo.
"É fantástico participar de uma das maiores manifestações religiosas do mundo. Somos meros panos de fundo para a grande estrela, que é Nossa Senhora", destacou o pianista, explicando que do repertório constavam músicas religiosas e populares. No cântico de entrada, saudações à Rainha da Amazônia: "O povo canta: Senhora de Nazaré. Tu és rainha e tens no manto as cores do açaí...".
"Chegamos, afinal, a essa manhã, que costumamos chamar propriamente de Festa de Nossa Senhora de Nazaré, cheia de encantos para os olhos e motivo de fervor no coração", destacou Dom Vicente Zico, durante o evangelho. Ele afirmou que o Círio, em todo o seu esplendor, pode deixar faltar algo, se o cristão não souber renunciar. Lembrando uma passagem bíblica, o arcebispo frisou que "a generosidade da renúncia aos bens" é uma das lições mais difíceis, mas deve estar presente na vida das pessoas.
Dom Vicente também saudou e agradeceu a todos os meios de comunicação da cidade e de outros pontos do Brasil, pela cobertura jornalística que, segundo ele, permite que tantas pessoas acompanhem o Círio de Nazaré.
Emoção - Apesar da grande cobertura, muita gente não abre mão de participar da missa e ainda chegar cedo para conseguir um bom lugar, como a cozinheira Maria de Deus Souza, 59 anos, que mora no município de Ananindeua e chegou antes da meia noite à praça. "Vale o sacrifício! Ela é tudo na minha vida, não sou nada sem ela, que protege meus filhos e toda a minha família. Sou uma devota de coração e sempre fui atendida", comentou, com a concordância do filho, Cléber.
"Maria é a mãe de Jesus, é a nossa mãe, é a maior de todas as mães", frisou a aposentada Ana Gonçalves, 69 anos, que também participou da cerimônia de descida da imagem original do altar da Basílica Santuário para a Trasladação, no sábado (10).
Para proteger a imagem e os fiéis, o governo de Estado preparou um grande esquema de segurança, que conta com o apoio da Guarda Municipal e da Força Nacional, além do reforço dos 1.300 homens da Guarda de Nazaré e dos 40 Guardas de Nossa Senhora de Santa Maria de Belém.
Participar como voluntário da Guarda de Nazaré, há 4 anos, tem um significado especial na vida de João Batista de Oliveira, 52 anos, para quem a participação é uma forma de agradecer as graças alcançadas. "Às vezes dá aquele cansaço, mas no mesmo instante a gente adquire forças pela fé e segue em frente", falou Oliveira, que fica no ponto chamado núcleo, onde a berlinda é atrelada à corda dos romeiros.
Religiosidade - Quando a berlinda começa a se deslocar as ruas de Belém vão se transformando em rios de devotos reverenciando a mãe do Filho de Deus. As demonstrações de fé na corda, montada em frente ao Mercado do Peixe, no Ver-o-Peso, são tocantes. No local, os promesseiros aguardam desde a madrugada para conseguir um lugar na corda.
Ao sair da Catedral, a berlinda contornou o Mercado do Ver-o-Peso e foi atrelada à corda às margens da Baía do Guajará, no início do Boulevard Castilhos França.
A devoção dos promesseiros da corda é traduzida em imagens impressionantes de sacrifício. Embalados por orações, palmas, queima de fogos e tradicionais hinos de louvor à Nossa Senhora de Nazaré, os fiéis percorrem o trajeto que segue pelas Avenidas Presidente Vargas e Nazaré até a Basílica Santuário.
"O Círio é a devoção dos fiéis, a força dos seus símbolos e a energia dos que seguem a romaria. Mas é também manifestação de cultura e das tradições do nosso povo. É compreensão às diferenças e, acima de tudo, uma manifestação de paz e de amor", disse a governadora Ana Júlia Carepa, em mensagem veiculada na mídia, destacando a alegria que sente ao entregar a Catedral restaurada ao povo do Pára e aos visitantes. A governadora não participou da missa de abertura da procissão do Círio, mas esteve presente na romaria fluvial, na descida da imagem do Glória e na Trasladação.
Assista ao vídeo-documentário "Promesseiros da Fé", que fala sobre a festividade de Nazaré. O trabalho foi todo baseado em depoimentos de pessoas que participaram do Círio de 2008, sendo produzido pela Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), via Digital Produções.
Tradição na época do Círio de Nazaré, os produtos da feira do miriti chamam a atenção pela diversidade e criatividade das peças em exposição
O artesanato feito de miriti é um chamariz para clientes de todas as idades, como as crianças que se encantam com o desenho dos produtos
Miniatura da imagem de Nossa Senhora de Nazaré está em exposição na feira do miriti, que funcinará até o dia 12 de outubro em Belém
A festa do Círio de Nazaré tem muitas cores. Colorido retratado nos tradicionais brinquedos de miriti, arte que ganha novas formas e tratamento, movimentando a economia de Abaetetuba, município do nordeste paraense, que gira em torno do aproveitamento da palmeira do miriti e do açaizeiro. O resultado do trabalho de 148 artesãos pode ser conferido até o dia 12 de outubro na nona edição da Feira do Miriti, aberta na quinta-feira (8), na Praça Waldemar Henrique, junto com a Feira do Círio, que reúne artesãos de diversas regiões do Estado.
A organização da Feira do Miriti espera que o volume de negócios gerados este ano seja da ordem de R$ 350 mil, superando em mais de R$ 100 mil o do ano passado, quando o evento fechou mais de 50 negócios. A realização é do Serviço de Apoio à Micro e Pequenas Empresas do Pará (Sebrae/PA) em parceria com a Asamab (Associação dos Produtores de Brinquedos e Artesanato em Miriti de Abaetetuba). O Sebrae também promove a Feira do Círio, que chega à sua 13ª edição.
Além das réplicas de animais, barcos, flores e outros objetos de fibra de miriti, como quadros e cortinas, o espaço foi ambientado com fitas de promesseiros. Alegria e demonstração de fé marcaram também a celebração de abertura, seguida pela procissão que levou uma berlinda de miriti com a imagem da santinha ao centro dos estandes, onde houve a benção do padre Reginaldo Barbosa, de Abaetetuba. Em seguida, mais colorido e música com o Arrastão da Pavulagem e os shows de músicos da terra.
Para o presidente da Asamag, Desidério Antônio Neto, o movimento do primeiro dia já é um indício de que o "casamento" das feiras deu certo. Durante a missa, ele agradeceu ao Sebrae pelo apoio que tem dado à associação, ao governo do Estado e às prefeituras de Belém e de Abaetetuba. Para Neto, a feira é uma ótima oportunidade para os artesãos comercializarem e divulgarem suas peças, que já foram expostas pelo Brasil e na Europa.
"O artesanato feito com o miriti é maravilhoso, digno de galeria", elogiou o aposentado paulista Rinaldo Filho, apontando a qualidade do designer das peças e a criatividade dos artistas. Ele chegou ontem a capital paraense e seguiu do aeroporto direto para a feira, a convite do amigo paraense, Ederaldo Santos, professor de folclore. "Poder mostrar isso para quem vem de fora é motivo de orgulho e fico envaidecido de mostrar os detalhes das obras", disse Santos.
Os brinquedos feitos de miriti também encantaram a socióloga Martinha Rebelo e seu marido, o químico industrial Edmilson Vianna. "A gente já conhecia o (brinquedo) tradicional, como a cobra e o roque roque, mas está mais diversificado. Dá vontade de comprar tudo", comentou Martinha Rebelo. Vianna disse que a cor, o movimento e a leveza do artesanato chamaram a atenção da filha deles, que mora no Texas e encomendou 50 peças, as quais pretende usar no trabalho que realiza com crianças autistas.
Desenvolvimento - Segundo Desidério Neto, as técnicas utilizadas hoje dão "suavidade e mais resistência" ao artesanato, que é leve e um pouco frágil. O presidente da Asamag falou ainda que o Sebrae tem colaborado por meio de oficinas de capacitação para a melhoria e o desenvolvimento de novos produtos, como móveis, papel, licor e extrato de miriti, além de tramas diferenciadas utilizando a envira da palmeira. Os artesãos, hoje, já reciclam as sobras, agregando valor ao produto.
O colar feito com miniatura de ícones do Círio e da fauna da Amazônia é um exemplo do resultado deste aprendizado. Depois de prontas, casas, peixes, pássaros, imagens de Nossa Senhora e outros objetos ganham um banho de verniz. Uma técnica que, nas palavras da artesã Edna Rodrigues, é cheia de minuncias dá muito trabalho.
O Círio também é a principal inspiração para o artesão Raimundo Lima, de 60 anos, 48 deles dedicados ao miriti. Ele explicou que durante o ano inteiro prepara o estoque para trazer à festa nazarena. As rodas gigantes são o tema central e quatro vendedores o ajudam nas vendas. Com a Feira do Miriti, da qual Lima participa há quatro anos, as vendas melhoraram em torno de 50%. Jhonne Pereira é outro que tem feito bons negócios: ano passado vendeu mais de R$ 1.500 mil, valor que pretende superar nesta edição.
Diversificação - O Miriti é uma palmeira esbelta e de grande porte (pode atingir até 35 metros de altura e 80 cm de diâmetro), comum na paisagem de áreas inundadas da região amazônica, as árewas de várzea. Do caule se extrai o refresco, o vinho, o palmito e o féculo. As talas servem para a construção de paneiros e das folhas são feitas redes. Dos frutos é extraído óleo comestível, também utilizado para amaciar e envernizar o couro.
A matéria-prima utilizada para o artesanato de miriti é o pecíolo (braço ou talo), haste de coloração clara, composta de tecido leve e esponjoso. No setor de biojoias, outras matérias-primas são fundidas na resina na confecção de acessórios. Entre outros aproveitamentos, o miriti também é utilizado na construção de cenários de teatro e na decoração de carros carnavalescos.
Até a construção civil já descobriu vantagens de trabalhar com o material: estudantes universitários do curso de Arquitetura da Universidade Federal do Pará (UFPA) desenvolveram o projeto "Maquetes em Miriti", selecionado pelo programa Monumenta, do Ministério da Cultura, em junho de 2008.
Luciane Fiuza - Secom
Fotos: Eunice Pinto
Fonte: Agência Pará de Notícias - Secretaria de Estado de Comunicação (Secom):
Uma ótima sugestão para o Círio é o concerto da cantora Patrícia Oliveira, acompanhada pelo pianista Paulo José Campos de Melo. No repertório, música erudita com temas marianos, que homenagearão Nossa Senhora de Nazaré. Essa é a nona edição do espetáculo "Um Canto para Maria", que tem à frente a soprano paraense radicada na Itália.
A igreja será o cenário do espetáculo de peças religiosas e populares, que contará com a participação da Banda de Música da Base Naval de Belém e de um coro dirigido pelo maestro Vanildo Monteiro. A realização é da Basilica Santuario, com patrocinio da Avegacao Sion, Reicon, Amazon Dry Port e Banco da Amazônia.
Basílica Santuário Programação: "Um Canto Para Maria", espetáculo de música erudita.
Local: Basílica Santuário de Nazaré, na Avenida Nazaré.
Data: 8 de outubro de 2009.
Horário: 20 horas.
Informações: (91) 4009-8400.
Governo homenageia "todas as Marias" com programação cultural
Da Redação
Agência Pará
Revitalizada, a Catedral de Belém é parada obrigatória no roteiro cultural da Festividade de Nazaré (foto: Lucivaldo Sena. Ag. Pará)
O interior da Catedral Metropolitana de Belém, já aberta à visitação, encanta pela imponência e beleza arquitetônica.
Lucivaldo Sena (Ag. Pará)
A exposição de joias homenageia os 100 anos da Basílica Santuário, tanto nas peças quanto na ambientação (foto: Eunice Pinto. Agência Pará)
O pingente Majestosa II, criado pela designer Selma Montenegro, é uma das 74 joias da exposição montada no São José Liberto. Eunice Pinto (Agência Pará).
Uma extensa programação cultural, promovida pelo governo do Estado, integra as homenagens à Nossa Senhora de Nazaré. Este ano, o Círio completa 217 anos, em uma festividade que inclui 11 romarias, desde a fluvial até a dos motoqueiros. Só o Círio, realizado no segundo domingo de outubro, leva cerca de 2 milhões de pessoas às ruas da capital paraense. Com o tema "Pará de todas as Marias", a programação do governo deste ano inclui espetáculos de música, exposições temáticas e visitação a museus e igrejas centenárias.
Mais de 40 shows de música, dança folclórica e outras manifestações culturais serão realizados no complexo turístico Estação das Docas, às margens da Baía do Guajará. Os espetáculos iniciaram no último domingo (4) e prosseguem até a próxima segunda-feira (12).
A partir de 12h, solos e duos de música são apresentados nos palcos deslizantes da Estação. Um palco montado na orla recebe, às 18 horas, cantores, bandas e grupos parafolclóricos, como o músico Ivan Cardoso, a cantora Gabi Amarantos, o Balé Folclórico da Amazônia e a banda Gaia na Gandaia.
A programação encerra na manhã do dia 12 de outubro, com uma festa especial pelo Dia das Crianças, no Mangal das Garças. A promoção é da Organização Social Pará 2000 e do governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), em parceria com as empresas Marujo´s e Nova Schin.
Basílica, Tesouros da Fé - A Basílica Santuário também inspirou a exposição "Joias de Nazaré 2009 - Basílica, Tesouros da Fé", que traz a maior coleção já produzida pelos profissionais do Polo Joalheiro do Pará, sob a inspiração dos ícones do Círio. Aberta no início de outubro, ela pode ser visitada até o dia 31 de outubro, no Espaço São José Liberto.
A exposição homenageia os 100 anos de lançamento da pedra fundamental da Basílica Santuário de Nazaré, um dos mais importantes patrimônios arquitetônicos do Pará, cujos detalhes foram reproduzidos pelos designers, ourives, lapidários e artesãos paraenses.
O Espaço São José Liberto, inaugurado em 11 de outubro de 2002, abriga o Museu de Gemas, o Polo Joalheiro e a Casa do Artesão, sendo gerenciado pelo Instituto de Gemas e Joias da Amazônia (Igama). O Museu de Gemas do Pará foi o primeiro do gênero no país e é o único da Região Norte. Seu acervo reúne mais de 4 mil peças, entre cerâmica arqueológica (marajoara e tapajônica), gemas minerais e orgânicas, formações minerais raras e joias de coleções.
Nazaré de todos nós - Outra parada obrigatória é o Museu do Círio, criado em 1986 pelo governo do Estado, por meio de um convênio entre a Companhia Paraense de Turismo (Paratur) e as Obras Assistenciais da Basílica de Nazaré. O espaço faz parte do Núcleo Cultural Feliz Lusitânia e foi idealizado pelo jornalista e historiador Carlos Rocque.
Uma pesquisa realizada pelo Museu do Círio deu origem à exposição "Nazaré de todos nós", que homenageia Círios de 11 municípios paraenses, como os de Curralhinho e Breves, no Arquipélago do Marajó. A exposição itinerante, aberta no início de setembro, prossegue até 31 de outubro.
Vinculado ao Sistema Integrado de Museus e Memoriais (SIMM/Secult), o Museu do Círio preserva a memória da devoção à Maria. O acervo de mais de 1.600 peças foi formado a partir de doações feitas por instituições ligadas à Igreja Católica, fiéis e promesseiros. No local, os visitantes podem ver desde pedaços da corda até diferentes imagens, mantos e fotografias.
Catedral - O Círio 2009 também reserva uma emoção a mais para romeiros e turistas: visitar a Catedral Metropolitana de Belém. Fechada desde 2005, o governo do Estado retomou e concluiu a restauração, orçada em cerca de R$ 14 milhões. A Catedral, de onde sai a imagem de Nossa Senhora para o Círio, foi entregue à população em 1º de setembro deste ano, após a revitalização total do prédio, das telas e do órgão.
Do roteiro também não pode faltar a visitação à Basílica Santuário de Nazaré, que encanta pelos vitrais e arquitetura suntuosa. Projetada pelo arquiteto Gino Coppedè e pelo engenheiro Giovanni Pedrasso, ambos italianos, a Basílica de Nazaré reproduz as linhas originais da Basílica de São Paulo extra-muros de Roma e resulta da determinação dos padres barnabitas, que chegaram a Belém no início do século XX.
Mais informações sobre a Basílica podem ser obtidas no balcão de informações localizado na entrada da igreja, que assim como a Catedral está aberta diariamente à visitação, de 8 às 20 horas, com exceção dos horários de celebração.
Serviço: "Pará de Todas as Marias - Círio 2009"
Estação das Docas
Programação: shows diários de música, dança e manifestações folclóricas.
Local: Boulevard Castilhos França.
Data: de 5 a 12 de outubro de 2009.
Horário: diariamente, às 12h e às 18h.
Informações: (91) 3212-5525.
Museu do Círio
Programação: "Nazaré de Todos Nós", exposição itinerante sobre os Círios de 11 municípios, promovida pelo Museu do Círio (Rua Padre Champagnat, s/n, na Cidade Velha).
Duração: de 28 de setembro até 31 de outubro.
Local e data: de 5 a 11 de outubro, a mostra ficará exposta no Shopping Pátio Belém. De 13 a 24, no Instituto de Artes do Pará (IAP) e de 26 a 31 de outubro na Fundação Curro Velho (FCV).
Informação: (91) 4009-8845.
Espaço São José Liberto / Pólo Joalheiro
Programação: Exposição "Joias de Nazaré 2009 - Basílica, Tesouros da Fé".
Local: Casa do Artesão, Espaço São José Liberto. Jurunas.
Data: de 1º a 31 de outubro,
Horário de visitação: de segunda a sábado, de 09 às 19 horas, e aos domingos, de 10 às 19 horas.
Informações: 3344-3518.
PS: Nas fotos, momentos de uma conversa-entrevista muito agradável que a doutora Clara Pandolfo, grande conhecedora da problemática amazônica,concedeu, no início do ano, ao jornalista Lúcio Flávio, a qual eu tive a satisfação de presenciar e registrar.
Demorei para escrever sobre ela, que nos deixou no dia 31 de julho, com quase cem anos, lúcida, esbanjando inteligência, preocupada com a família e ainda indignando-se com o tratamento que a Amazônia tem recebido de seus filhos. Dona Clara Pandolfo foi uma grande mulher, como a jornalista Ana Diniz bem descreve no texto reproduzido abaixo, e como o Lúcio Flávio Pinto também o fez no seu Jornal Pessoal. Ela foi a primeira química do Pará, desenvolvendo, posteriormente, projetos de manejo sustentável e trabalhando em prol da Amazônia.
O título do post faz referência à maneira como seus opositores gostavam, ironicamente, de chamá-la. Ironicamente, também, é a voz dela, que, mesmo distante há décadas da imprensa e das atividades profissionais, ainda ecoa, forte e definitiva. No fundo, penso que ela sabia do seu valor, mas não ligava para reconhecimento. Tanto que, entre os 12 documentos que elegeu como os que mais lhe alegraram, poucos eram premiações, mas, sim, singelas homenagens, como uma trova recebida de uma pessoa da platéia em uma de suas palestras e uma matéria escrita pelo jornalista Lúcio Flávio.
Era uma grande pessoa, a dona Clara. Uma figura indescritível. Acho que demorei para falar dela porque ando meio chateada com o que tem acontecido por estas bandas. Eu não consigo aceitar bem que pessoas tão capazes, tão incríveis, nos deixem assim... Este ano sofremos com a ida do talentosíssimo Walter Bandeira e sua voz encantadora. Depois ficamos órfãos também da inteligência e capacidade do economista Juvêncio de Arruda, blogueiro que nos brindava diariamente com suas críticas, análises e bom humor. E, semana passada, quem partiu foi o jornalista Raimundo Pinto, grande conhecedor da Amazônia e referência na área. Acredito que a missão deles tenha continuidade lá em cima, para onde foram convocados, mas não me conformo destas pessoas, simplesmente, se calarem e partirem.
Dona Clara era de uma sagacidade incrível e sua memória era um fenômeno. Meu parentesco com ela era distante. Sua filha, Lúcia Pandolfo (foto abaixo), é minha madrinha de batismo e foi casada com meu tio, Beré, irmão do meu pai. Todo ano eu tinha o prazer de encontrá-la, quase sempre no Natal, quando a tia Lúcia estava por aqui. Apesar da dificuldade auditiva, a conversa com ela era sempre gratificante e enriquecedora. Um momento que também não esqueço foi quando acompanhei Lúcio na entrevista que ele fez com Clara Pandolfo em 2007, a última que ela concedeu. Nesse dia, a mestra estava tão feliz com a nossa visita que falou por quase uma hora, sem cansar. Tenho tudo registrado, em áudio e em fotos.
Clara Pandolfo lembra minha avó, Orlandina Fiuza de Mello, que tinha a mesma vivacidade e sabedoria, só não trilhou um caminho profissional como o dela, dedicando-se mais aos trabalhos domésticos, mas sempre preocupada com o bem estar dos outros. A minha avó também trabalhou como costureira por um tempo para ajudar a garantir o sustento da família. Foram mulheres especiais, mulheres inesquecíveis.
Estou colaborando com a pesquisa do meu primo, Murilo Pandolfo Fiuza de Mello, que iniciou, ano passado, o projeto de escrever um livro sobre a trajetória da avó. Admiro a tenacidade do Murilo e seu empenho, que com toda a certeza resultarão em um belo livro. A pesquisa tem dado trabalho para ele, mas tem compensado em dobro. A cada passo, descobrimos novas facetas da química e estudiosa da Amazônia.
Dona Clara ainda vai nos surpreender muito, pois seu pensamento era visionário e sua voz era potente. Tão alta que ainda será ouvida por muito tempo: ecoará e conscientizará gerações, eternamente.
Clara Martins tinha 19 anos quando ingressou no mundo científico, ao lado de, nada mais, nada menos, Paul Le Cointe. Ela estudava na Escola de Chimica Industrial, fundada em 1910 e fechada em 1931. Sua presença no primeiro e único boletim da Escola de Chimica, publicado em 1929, é como colaboradora de Le Cointe, líder da equipe francesa que tocava a escola, numa contribuição ao estudo químico das plantas amazônicas.
(Eu penso no que Clara deve ter enfrentado para entrar nessa escola, uma adolescente de dezesseis anos... a ciência era, nos anos 20 do século XX, um reduto masculino; creio que o fato de ter uma inteligência extraordinária a ajudou; mesmo assim, numa época em que o destino feminino vinha traçado do berço, estudar química industrial, com cientistas franceses – devia ser demais para a província!)
Dois anos depois daquela estréia, a escola era fechada por Getúlio Vargas.
Mas Clara tinha adquirido uma paixão, definitiva: a Amazônia.
Vinte e cinco anos depois, Clara conseguia sua reabertura. Ela já se chamava Clara Pandolfo, e já obtivera sua primeira parcela significativa de poder: estava na SPVEA (Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, a antecessora da SUDAM), e havia otimismo – e dinheiro – em relação às coisas regionais. A Escola, agora, era escrita com “qu” e mantida pela Associação Comercial do Pará e SPVEA. A Escola de Química Industrial continua até hoje, transformada em Faculdade, dentro da Universidade Federal do Pará.
(Penso no que Clara faria hoje, ao ver o “seu” curso de química como um dos quatro piores do Brasil... Ah, não ficaria por isso mesmo!).
Nada mais tivesse feito Clara e isso já seria suficiente para garantir-lhe um espaço considerável na história da ciência paraense. Só que Clara era maior, muito maior: movida pela paixão desenvolvida com Le Cointe, tornou-se uma das maiores autoridades em Amazônia no século XX. Centenas de trabalhos e alguns livros refletem seu pensamento e sua participação.
Sim, porque Clara jamais foi omissa. Solidamente ancorada em ciência e técnica, foi uma militante que compareceu a milhares de eventos, escreveu dezenas de artigos, debateu, reuniu, lutou e interferiu politicamente onde quer que estivesse.
Era de uma lucidez impressionante o que, ao lado de uma inteligência extraordinária, lhe dava um senso crítico capaz de perceber conseqüências de longo e médio prazo com extrema rapidez.
(Eu penso em Clara enfrentando a aceleração tecnológica, que a alcançou depois dos 50 anos. Olhando os computadores e extasiada diante das telas que lhe mostram o que só imaginava através do estudo dos livros. Lutando com a velocidade, tentando compreender, observando a rápida mudança nos costumes, na tecnologia...).
Sua militância, é claro, foi ultrapassada: militâncias são efêmeras e circunstanciais. Seu pensamento, entretanto, fica. E muito do que disse dói, dói fundo numa certa elite e numa certa esquerda. Talvez por isso os comentários sobre sua morte são raros e esparsos; talvez por isso as pessoas esqueçam que Clara foi uma pioneira na ocupação de espaços intelectuais pelas mulheres paraenses; foi uma intransigente defensora da Amazônia; foi uma realizadora; foi uma servidora pública exemplar. Honrou seu mestre, sua família e sua geração.
Mais: gostem ou não, suas palavras ficam. Como estas, que escreveu em 1956, aos 44 anos, num trabalho vencedor de um concurso promovido pelo jornal “Folha do Norte”:
“Uma exploração florestal bem dirigida estará forçosamente jungida à necessidade de desenvolver programas de reflorestamento. A indústria madeireira que não providencie a reposição da cobertura florestal da área desmatada, será obrigada a ir buscar a distâncias cada vez maiores a madeira para seu suprimento, acarretando custos operacionais cada vez mais elevados”.
O jornalista paraense Raimundo José de Faria Pinto, 56 anos, faleceu na noite desta quinta-feira (3), em um hospital de Belém, vítima de câncer. Nascido em Santarém, Raimundo Pinto foi um dos mais importantes jornalistas de sua geração. Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Pará, eleito em 1992. Nos últimos anos, era editor do site Pará Negócios, voltado à cobertura de assuntos econômicos, sociais e políticos na Amazônia.
Ao reconhecer a importância e a seriedade do trabalho realizado pelo jornalista em 38 anos de plena atividade, o Governo do Pará manifesta seu profundo pesar à família, amigos e admiradores de Raimundo José.
A paixão pela reportagem, vivenciada em vários jornais do país, foi a grande motivação de uma carreira iniciada em 1971, no jornal "A Província do Pará", na época um dos mais importantes do Estado. De 1975 a 1993 foi correspondente em Belém dos jornais "O Estado de S. Paulo" e "Jornal da Tarde", e da revista "Visão" a partir de 1978.
Trabalhou como repórter do jornal "O Liberal" em 1976. Foi repórter e editor do jornal "O Estado do Pará", no período de 1977 a 1980, e editor do jornal alternativo "Bandeira 3". Trabalhou como repórter e editor da Sucursal do jornal "Gazeta Mercantil" em Belém, de 1996 a 2004. Como assessor de imprensa, atuou na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), de 1981 a 1989, e na assessoria de comunicação do Governo do Pará em dois períodos - de 1995 a 1996 e de 2003 a 2004.
A larga experiência no mundo da reportagem Raimundo registrou no livro "Repórter", editado em 1995. Também foi co-autor dos livros "Panará - a volta dos índios gigantes", publicado em 1997 pelo Instituto Socioambiental, e "O Novo Brasil", editado em 2002 pela Editora Nobel.
O trabalho de Raimundo José Pinto alcançou reconhecimento nacional com o Prêmio Esso de Jornalismo, que ele ganhou em 1976 pelo jornal "O Estado de S. Paulo", e quando recebeu Menção Honrosa do Prêmio Esso em 1977 pela série de reportagens "Amazônia, a ocupação ilegal", também publicada no "Estadão". No Pará, Raimundo ganhou o Prêmio Aimex de Jornalismo em 2003, 2004 e 2005.
Raimundo Pinto era casado com a jornalista Sílvia Sales e tinha três filhos.
Texto: Secom (Secretaria de Estado de Comunicação)
Em solenidade na qual comemorou seus 30 anos de fundação, na semana passada, no Rio de Janeiro, a Associação Nacional de Jornais apresentou uma relação com 31 casos de censura à imprensa praticados nos últimos 12 meses no Brasil, sendo 16 decorrentes de decisão judicial. O levantamento podia ser considerado completo ou, pelo menos, satisfatório, se não tivesse omitido a censura judicial imposta ao “Jornal Pessoal”, quinzenário que edito em Belém do Pará há 22 anos, pelo juiz da 4ª vara cível do fórum de Belém, Raimundo das Chagas Filho, no dia 6 de julho.
O juiz Raimundo das Chagas deferiu a ação de indenização por dano moral proposta em setembro de 2005 por Ronaldo Maiorana e Romulo Maiorana Júnior, donos do grupo Liberal, a maior corporação de comunicações do norte do país, afiliada à rede Globo de Televisão. O juiz condenou o “Jornal Pessoal” a indenizar os dois empresários, por pretensa ofensa à memória de seu pai, em 30 mil reais, mais honorários advocatícios arbitrados pelo máximo legal (20% do valor da causa) e custas judiciais. O valor corresponde a um ano e meio de faturamento bruto do “Jornal Pessoal”. Recorde-se que pena semelhante aplicada a “O Estado de S. Paulo” por magistrado do Distrito Federal foi de 150 mil reais, em iniciativa que provocou o justo protesto da ANJ.
Para estabelecer o valor, o juiz disse que meu jornal, que circula com tiragem de 2.000 exemplares, 12 páginas em formato ofício e não aceita publicidade, vendendo apenas em bancas e livrarias, tem alto lucro, sobretudo por vender muito entre estudantes. Não há qualquer base de cálculo nos autos nem o juiz requereu perícia que fundamentasse sua decisão. Como tudo na sentença, ela é arbitrária.
O titular da 4ª vara cível também impôs ao “Jornal Pessoal” publicar carta dos autores da ação, em respeito ao direito de resposta. Só que nenhuma carta foi juntada aos autos, o que, evidentemente, torna inexeqüível a determinação, nem ela pode ser ainda suprida, já que o processo foi encerrado pela sentença de mérito.
Em outra tutela inibitória, o juiz impôs ao “Jornal Pessoal” a proibição de qualquer tipo de referência aos autores da ação, embora, na petição inicial, eles tivessem requerido o acautelamento apenas para a memória do pai, o que caracteriza a violação à regra processual de que o julgador não pode conceder o que não foi pedido.
Já suscitei a suspeição do magistrado através do devido recurso, além de ter-lhe embargado a sentença. Representarei contra ele ao Conselho Nacional de Justiça na próxima semana.
Diante da gravidade desse caso de censura, qualquer levantamento sobre a violação do princípio constitucional que proíbe a censura de periódicos no Brasil deixará de ser sério se excluir a violência praticada no dia 6 de julho pelo juiz Raimundo das Chagas Filho. Poderá sugerir uma moral de má inspiração: de que a ANJ coloca o espírito corporativo acima da defesa de um dos princípios constitucionais que sustenta o edifício democrático, que é a liberdade de imprensa. Atenta para combater a insidiosa censura que se espraia pelo país em pleno regime democrático, fecha os olhos para a violação patrocinada por um associado, como o jornal “O Liberal”.
No dia 20 escrevi uma carta ao vice-presidente da ANJ e responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão entidade, Júlio César Mesquita, pedindo-lhe para rever a lista dos 31 casos de censura à imprensa divulgada pela associação e nela incluir, por ser de direito e de verdade, o caso do “Jornal Pessoal”. Aguardo sua manifestação.
Quase aos 60 anos de idade, sou jornalista profissional há 43 anos, 18 dos quais em “O Estado de S. Paulo” (1971-1989), minha mais longa e mais importante experiência na grande imprensa.
Há 22 anos edito, sozinho, o “Jornal Pessoal”, quinzenário que coloquei em circulação em setembro de 1987, em Belém do Pará. É a mais duradoura das publicações da imprensa alternativa brasileira, com a singularidade de ser feita por uma única pessoa, viver exclusivamente da venda avulsa e ter formato pobre, quase artesanal. Mesmo assim, recebeu prêmios internacionais por sua qualidade e é considerada uma fonte de referência sobre temas amazônicos. Tudo em função da sua seriedade, da sua devoção quase missionária à rigorosa e exata apuração dos fatos, o que possibilita ao meu jornal um título que muito o honra: o de jamais ter sido desmentido. Mesmo os que divergem do jornal reconhecem sua seriedade e sua competência no trato dos temas da sua pauta.
Justamente por isso, o “Jornal Pessoal” tem sido muito perseguido, por aqueles que não aceitam a divulgação dos seus desvios, como disse o sr. Roberto Irineu Marinho, ao discursar na solenidade comemorativa aos 30 anos da Associação Nacional dos Jornais. Meu jornal incomoda não por mentir ou ofender as pessoas, mas por dizer a verdade. O texto bíblico assegura, com razão, que a verdade liberta. Mas há pessoas no nosso país que não toleram a liberdade. Daí porque, desde 1992 até hoje, fui processado 33 vezes no fórum de Belém e condenado cinco vezes, sem que, entretanto, tenha perdido minha condição de réu primário porque as sentenças não foram executadas.
Desses 33 processos, 19 são de autoria de três irmãos, filhos de Romulo Maiorana, fundador do grupo Liberal, que é associado da ANJ, 14 dos quais propostos em juízo depois que um deles, Ronaldo Maiorana, diretor editor-corporativo do jornal “O Liberal”, me agrediu fisicamente, em 21 de janeiro de 2005. A agressão, perpetrada pelas costas, com a cobertura de dois Policiais Militares, que funcionavam como seguranças particulares do agressor, teria sido uma reação do referido cidadão a um artigo publicado no “Jornal Pessoal”, por ele considerado ofensivo.
Apesar dessa alegação, observa-se que os autores das ações (cinco delas cíveis e 14 penais, com base na extinta Lei de Imprensa) jamais contestaram as matérias do “Jornal Pessoal” em seus próprios veículos de comunicação, de audiência incomparavelmente maior, e nunca exerceram o direito de resposta. Preferiram propor de imediato as ações na justiça, confinando as questões controversas aos autos dos processos. Mesmo nesses processos, porém, nunca demonstraram a intenção de apurar os fatos, já que não comparecem às audiências designadas, embora sendo seus autores, o que é fato inédito. Em dois dos processos, recorrendo à exceção da verdade, demonstrei cabalmente que todos os fatos por eles contestados eram procedentes, apresentando as provas deferidas, acolhidas e reconhecidas pelo juiz do feito. Todos fatos de interesse público, relacionados à imprensa. Nada com a vida privada dos cidadãos.
A intenção, sobretudo após a agressão covarde, tanto mais grave porque o agressor é advogado e preside a comissão em defesa da liberdade de imprensa da OAB do Pará, é nítida: acabar com o “Jornal Pessoal”. Os donos do grupo Liberal, associado da ANJ, usam plenamente seu direito de informação e opinião em relação a tudo e a todos, mas não aceitam serem incluídos na agenda dos cidadãos, como se constituíssem categoria especial. Nem se preocupam com o debate público, em esclarecer a sociedade, apresentando suas razões em contraposição aos relatos do meu jornal. Simplesmente querem punir o jornalista que ousou não se submeter às suas vontades e caprichos.
A perseguição judicial ao “Jornal Pessoal” completará, no próximo mês, 19 anos. Não sei de jornalista que já tenha sido tão processado por uma empresa jornalística, como eu tenho sido pelo grupo Liberal. Inusitadamente, essa corporação jornalística abre mão da sua competência específica, que é a informação, partindo diretamente para o litígio judicial, nada dizendo em seus próprios veículos sobre as supostas ofensas recebidas, através da imprensa, nem se defendendo no âmbito do veículo tido como ofensor.
A "aula" do ministro Marco Aurélio Mello – veiculada na última edição televisiva do Observatório da Imprensa – sobre as duas recentes decisões do Supremo Tribunal Federal relacionadas com o exercício do jornalismo, entre outros méritos mostrou o grau de manipulação do noticiário pela grande mídia.
No lugar de tornar o processo jornalístico mais claro, mais compreensível e mais eficaz, as duas decisões – fim da Lei de Imprensa e da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão – estabeleceram uma tremenda confusão. A pretexto de restabelecer a normalidade democrática foram criados dois vácuos legais, rigorosamente injustificados, com enorme prejuízo para a magistratura que fica sem referências para a tomada de decisões e, principalmente, para a sociedade empurrada a um perigoso ceticismo no tocante à racionalidade da nossa Suprema Corte.
Se os juízes iludiram-se, o problema é de Suas Excelências, mas se à cidadania não foram oferecidas as informações necessárias para avaliar a exata dimensão do que foi decidido pelo egrégio colegiado, a falha é da imprensa que, assim, abdica do seu papel institucional e desabilita-se como guardiã do interesse público.
Confusão simplista
Acontece que a imprensa (hoje chamada de indústria jornalística) era parte interessada nos dois casos. Não apareceu formalmente na proposta de extinção da Lei de Imprensa, mas estimulou, criou o clima, deu total cobertura ao autor da ação, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).
No caso do fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, a indústria jornalística foi parte, atuou direta e ostensivamente através de uma de suas entidades corporativas (o Sindicato de Empresas da Rádio e Televisão do Estado de São Paulo – SERTESP). Agora, quando começa a ficar visível o tamanho do estrago produzido pela afoiteza da maioria dos ministros do STF, as empresas de comunicação engavetam qualquer tipo de reflexão sobre o ocorrido. Aquele resultado de 8 votos a 1 é irreversível – ninguém discute – mas além de um placar conviria rever os principais lances daquela desgraçada partida.
O voto do relator da matéria, ministro Gilmar Mendes, atual presidente do STF, deveria ser exposto, traduzido e discutido em detalhes. Uma imprensa evoluída e qualificada não admitiria que este lance histórico permanecesse envolto em suspeitas e dúvidas.
O Meritíssimo partiu de uma premissa errada ao endossar a tese de que a exigência do diploma para o exercício do jornalismo constitui um entrave à liberdade de expressão. Entusiasmado com a sua cruzada libertária, acabou com a profissão de jornalista no Brasil. Passou ao largo de diversos estatutos que sequer estavam mencionados na questão e passou uma borracha num pedaço da história política do país. Na realidade, fez tabelinha com a grande imprensa que em 2008 decretou a inexistência da história do jornalismo brasileiro. Agora, somos meros mestres cucas: quando nos for exigida uma qualificação profissional, basta escrever "sem ofício conhecido".
O enorme saber jurídico do relator-presidente do STF não o animou a estudar os antecedentes históricos do caso que o Estado colocara em suas mãos: ignorou que no Senado romano já existiam jornalistas (diurnarii ou actuarii, redatores das Actae Diurnae), ignorou a designação de "redatores das folhas públicas" consignada por Hipólito da Costa em junho de 1808 e, como grande apreciador da cultura alemã, ignorou que em Leipzig, 1690, um teólogo de nome Tobias Paucer apresentou uma tese de doutoramento, De relationibus novellis – O Relato Jornalístico – comprovando a sua especificidade e suas diferenças com outros gêneros narrativos. Segundo Paucer, a publicação de notícias (novellae) tem uma técnica e uma ética próprias.
Antes de determinar a extinção da profissão de jornalista confundindo-a simplisticamente com a questão do diploma, o ministro Gilmar Mendes deveria ter estudado a questão com mais cuidado e profundidade. Para inteirar-se a respeito de Paucer, bastaria mandar comprar o recém-publicado Ética, Jornalismo e Nova Mídia, de autoria do jornalista, crítico e professor Caio Túlio Costa (Zahar, 2009, págs. 41-46), de onde essas informações foram extraídas.
Acusações contra o establishment
De nada adianta aquela formidável exibição de malabarismo jurídico nas 91 páginas do seu parecer, se o ministro Mendes não conseguiu compreender duas questões comezinhas e cruciais:
1. O fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício profissional é apenas um aspecto da questão. A especificidade da profissão de jornalista é outra. O ministro Gilmar Mendes sabe que as grandes empresas jornalísticas mantêm há décadas cursos de aperfeiçoamento para formandos de jornalismo. Viu neles apenas uma prova da deficiência acadêmica, não conseguiu enxergar neste mesmo fato a demonstração cabal de que a própria indústria reconhece a especificidade do conhecimento para o exercício do jornalismo.
2. Ao aceitar a ação proposta pelo Ministério Público Federal e o SERTESP, o ministro Mendes caiu na armadilha armada pelo seu vasto arsenal de conhecimentos. No final da argumentação [o formato da íntegra fornecida pelo STF não permite a numeração das páginas], faz pesada carga contra as empresas de comunicação:
"No Estado democrático de Direito, a proteção da liberdade de imprensa também leva em conta a proteção contra a própria imprensa".
Ora, se a imprensa está envolta em suspeições por que razão Sua Excelência endossa as teses de uma corporação empresarial ainda mais suspeita?
Como a sua fonte é portuguesa (ANDRADE, Manuel da Costa, Liberdade de Imprensa e inviolabilidade pessoal: uma perspectiva jurídico-criminal, Coimbra Editora, 1996, pág. 63), o ministro Mendes designa acertamente a mídia como os media e tasca as seguintes acusações contra o establishment jornalístico:
** "...hoje não são tanto os media que têm de defender a sua posição contra o Estado, mas, inversamente, é o Estado que tem de acautelar-se para não ser cercado, isto é, manipulado pelos media..."
** "...os meios de comunicação de massa já não são expressão da liberdade e autonomia individual dos cidadãos, antes relevam dos interesses comerciais ou ideológicos de grandes organizações empresariais, institucionais ou de grupos de interesse."
** "...o exercício da atividade jornalística está invariavelmente associado à mobilização de recursos e investimentos de peso considerável. O que, se por um lado resulta em ganhos indisfarçáveis de poder, redunda ao mesmo tempo na submissão a uma lógica orientada para valores de racionalidade econômica."
Os dispensáveis
Como explicar tamanha contradição? Como conciliar este arrasador ataque aos grandes grupos de comunicação com o generoso acolhimento dos argumentos propostos por um sindicato de empresas do ramo beneficiadas por concessões públicas e notoriamente desatentas aos seus compromissos sociais?
Esquizofrenia ideológica, exercício de retórica jurídica ou a certeza de que este relatório jamais seria publicado na íntegra em veículos de grande tiragem? Qualquer que seja a explicação – certamente haverá outras menos drásticas – flagrou-se a precariedade do processo decisório vigente nesta República.
O fim da exigência do diploma era uma fixação do empresariado jornalístico, obsessão alimentada pela má consciência do patronato durante os 21 anos de regime militar. Em 1985, ao invés da purgação saneadora, a exacerbação dos piores instintos acaba por extinguir a própria profissão de jornalista.
A indústria e os industriais do jornalismo finalmente desfizeram-se dos industriários. Com o twitter são perfeitamente dispensáveis. Como diz José Saramago, com o twitter nos encaminhamos decisivamente para o grunhido. E o STF oferece o suporte legal.
O jornalista Lúcio Flávio Pinto informa que é provável que ainda hoje, terça-feira (28), seu novo livro, "A História Censurada (O Pará dos nossos dias)", esteja nas ruas, para a alegria dos que acompanham seu trabalho e torcem para que saia vitorioso nos processos judiciais que responde, movidos pela família Maiorana. Ronaldo Maiorana, um dos proprietários das Organizações Romulo Maiorana, filiada da Rede Globo (tv, rádio e jornal Liberal), para quem não sabe, agrediu fisicamente e de forma covarde Lúcio Flávio em um restaurante público paraense, uns anos atrás. Além de não ter respondido, na época, a altura, pelas agressões, mais uma vez a Justiça paraense protege este grupo de Comunicação, numa sentença inacreditavel que pretende, inclusive, calar Lúcio Flávio Pinto, num ótimo exemplo de ditadura (leia aqui). Lúcio não se calou, assim como a sociedade, que se movimenta contra estas injustiças que revoltam e envergonham. Tive uma pequena mostra do que as ORM são capazes, quando estagiei lá, em 2004, exploração que até hoje não esqueci. Na época não tive o apoio devido do Sindicato dos Jornalistas do Pará (Sinjor), que também não se manifestou em relação ao caso do Lúcio Flávio. O que tem em comum a Justiça, o Sindicato e as ORM? Respostas para perguntas do gênero com certeza estão no novo livro do Lúcio Flávio, que tem sido um dos poucos (e, em muitos momentos, o único) que não se calam e, desta forma, exercem o Jornalismo em sua plenitude. Sinto vergonha de ser paraense quando um profissional como ele, reconhecido (e premiado) no Brasil e mundialmente por sua bandeira pela Amazônia, seja tratado assim na sua terra... Abaixo, como referência, segue o texto da orelha do livro, que pode ser encontrado em algumas bancas de revista e livrarias da cidade, que vendem o Jornal Pessoal e os demais livros do autor. Luciane.
A VERDADE HISTÓRICA
Os Maiorana extraditaram a história no Pará. Os donos do maior grupo de comunicação do Norte do Brasil, por sua afiliação à Rede Globo, a terceira maior rede de televisão do mundo, não admitem que a história possa contrariá-los. Mesmo que seja verdadeira, ainda que seja provada, documentada, pública e notória. Quem ousar dizer a verdade vai se tornar vítima de suas perseguições. O principal instrumento a seu serviço, para proscrever a verdade incômoda, tem sido a justiça.
O jornalista Lúcio Flávio Pinto já experimentou o amargor de decisões tendenciosas, parciais. A última delas, no dia 6 de julho de 2009, impôs-lhe o pagamento de 30 mil reais de indenização aos irmãos Romulo e Ronaldo Maiorana, mais acréscimos que elevam esse valor a R$ 40 mil. A punição também inclui não falar de ambos os Maiorana e publicar sua carta, embora os autores da ação tivessem pedido que a censura fosse feita apenas para beneficiar o pai e jamais tenham escrito uma carta a respeito da reportagem.
Franz Kafka teria muito que aproveitar dessa sentença. Pois tudo que foi dito no Jornal Pessoal é verdade, conforme reafirma este livro. O fundador do império de comunicação, Romulo Maiorana não pôde colocar em seu nome a concessão da emissora de televisão, porque os órgãos de informações do governo federal o vetavam, em função da sua ligação anterior ao contrabando, um dos principais alvos da ação dos militares no Pará.
Esse fato já faz parte da história e foi referido apenas porque, sem ele, a reconstituição do passado, sobre as origens da corporação de comunicação, estará adulterada, comprometida. Os donos atuais do grupo Liberal não se importam com o rigor dos fatos: estão dispostos a reescrever tudo para que o enredo corresponda à sua vontade e aos seus caprichos.
Entretanto, os poderosos não podem tudo, se o que desejam viola a legalidade, a ética e a moral pública. Viola também a democracia brasileira, que, no Pará, deixou de ter vigência em função da decisão do juiz Raimundo das Chagas Filho. Ao decidir que uma publicação periódica como o Jornal Pessoal não pode mais falar de Romulo pai, Romulo filho e Ronaldo Maiorana, sem que o pedido incluísse os dois filhos, o magistrado acabou assumindo a paternidade da censura prévia. O Pará, assim, regride à condição de ditadura.
Este livro foi escrito para impedir que esse retrocesso se consume. Ele espera poder mobilizar as pessoas conscientes da história, para que resistam às violências de um autêntico processo político. Ao mesmo tempo, visa assegurar que a história não se torne uma página em branco, ou preenchida com uma verdade utilitária.
GULAG TROPICAL
O jornalista Lúcio Flávio Pinto tem sido vítima de processos políticos que dão ao Pará as características de um Estado ditatorial. A justiça, agindo com parcialidade e tendenciosidade, faz a vontade dos donos do maior império de comunicação do Norte do Brasil, empenhados em sufocar a verdade e reescrever a história para atender seus caprichos e suscetibilidades. Este livro diz um não a esse Gulag ao tucupi.
A inauguração de um viveiro e o plantio de 50 mudas do Programa Um Bilhão de Árvores para a Amazônia, no espaço do Horto Municipal em Dom Eliseu, Rio Capim, marcaram, na manhã desta sexta-feira (17), o início dos trabalhos do mutirão Arco Verde Terra Legal no município, que prossegue até amanhã (18), na Escola Municipal Manuelita Andrade.
"Terra sem produtividade não serve para nada. Plantar esta muda é plantar uma nova vida para a natureza. É salvar o meio ambiente", comentou o estudante Gustavo Pereira, de 15 anos, que participou da atividade junto com os alunos da escolinha de futebol da prefeitura. Eles plantaram mudas de paricá, cupuaçu e açaí, indicadas para recuperar áreas degradadas. "Muito se fala de Amazônia e o mundo todo está voltado para o povo paraense, que teve essa iniciativa de reflorestamento", comentou Paulo Cezar Oliveira, responsável pela turma e gerente de Esportes e Lazer da Secretaria Municipal de Esportes.
O ato de plantar uma muda, para Marcelo Moraes, de 10 anos, representou "uma forma de amor", mensagem que levará para os colegas. Preservar o que se tem para não sofrer as consequencias mais tarde foi o alerta de Ronie Teixeira Alves, de 15 anos, que considera o programa "um incentivo para criar um mundo melhor para as pessoas não sofrerem com o que está acontecendo".
O Horto Municipal possui 2,2 hectares, área cedida pelo governo do Estado. O projeto inicial do viveiro, segundo Adário Júnior, secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, prevê a produção anual de 100 mil mudas de urucum, açaí e essências florestais, que potencializarão a agricultura familiar do município. Ele explica que, além do viveiro de mudas, no espaço será feita a seleção e a classificação da goiaba (Pachouse), bem como a clonagem do fruto, que tem grande impacto na economia do município.
Dom Eliseu é o maior produtor de goiaba da região amazônica, cuja agricultura familiar registra produção anual de cerca de 500 toneladas. Um empresa privada do município, a Senor, produz anualmente 800 toneladas do fruto.
Reflorestamento - O programa "Um Bilhão de Árvores para a Amazônia" é de responsabilidade da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Lançado em maio do ano passado, em Belém, pelo presidente Lula, é o maior programa de restauração florestal do mundo, um conjunto de políticas públicas que prevê o reflorestamento a partir da parceria entre o poder público e privado. Dom Eliseu foi um dos municípios que mais sofreu com a extração madeireira e de carvão mineral, atividades que mais desmataram nas últimas décadas.
Ao todo, 16 municípios receberão o mutirão. As caravanas oferecem desde a emissão de documentos até atendimentos médicos, serviços que pretendem facilitar a vida do homem do campo. O objetivo é promover o desenvolvimento sustentável, através da conscientização ambiental e da regularização fundiária, agilizando os processos e orientando produtores rurais a obterem a titulação, orientação e apoio técnico e financeiro.
Participaram da atividade o diretor de Planejamento da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Cláudio Cunha; o prefeito de Dom Eliseu, Joaquim Neto; os coordenadores estadual e federal do Arco Verde, Nelita Paes e Rogério Guedes; e representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Cláudio Cunha entregou uma camisa do programa para o prefeito, destacando que ele já faz parte do "exército" contra o desmatamento. "A população vai entender a mensagem que dá para produzir sem agredir o meio ambiente. Só assim poderemos trilhar um caminho bem diferente do que foi trilhado até agora", frisou Cláudio Cunha, acrescentando a importância do seguinte tripé: qualidade de vida, futuro ecológico e desenvolvimento econômico.
Luciane Fiuza - Secom
Terra Legal retoma a regularização fundiária do Iterpa em Dom Eliseu
17/07/2009 10:53
Da Redação Secretaria de Comunicação
O Instituto de Terras do Pará retoma em conjunto com o Ministério de Desenvolvimento Agrário o trabalho de regularização fundiária no município de Dom Eliseu, que recebe neste final de semana o Mutirão Arco Verde Terra Legal. A representante do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), Heloísa Leal, lembrou que no ano passado 70 famílias já foram cadastradas e tiveram seus lotes georreferenciados no município. "Trabalhamos para identificar as áreas federais e estaduais", explicou. O Iterpa fez a varredura fundiária de cada área, trabalho que será agora intensificado com o Terra Legal, em parceria com a prefeitura, que cederá espaço para um escritório onde o cadastramento continuará.
As famílias já cadastradas, em fase de titulação no Iterpa, são do assentamento estadual Alto Bonito e das colônias Santa Maria, Nova Esperança e Rio Verde.
A abertura do Arco Verde Terra Legal ocorreu na manhã desta sexta-feira (17), na Escola Municipal Manuelita de Andrade, após o plantio de 50 mudas no horto municipal, por alunos do projeto Escolinha de Futebol da Prefeitura de Dom Eliseu.
A produtora rural Ivaneide Jesus dos Santos pretende regularizar seu terreno no município e procurou informações. "Eu criava gado e agora queria um empréstimo para investir na terra, que é produtiva", disse ela.
O mutirão atenderá nesta sexta-feira (17) e sábado (18), na Escola Manuelito de Andrade, com palestras, emissão de documentos, orientação sobre cadastro, regularização e financiamento, entre outras ações.
Desde quarta-feira (15), representantes de colônias de pescadores e de pequenos produtores e empregados rurais debatem problemas como a falta de documentação, demarcação de terras, necessidade de benefícios, incentivo a projetos de plantação de goiaba, entre outros. Participaram da reunião os coordenadores estadual e federal da Operação Arco Verde, respectivamente, Nelita Paes e Rogério Guedes, além do vice-prefeito Francisco Manoel de Aquino.
Quinto dos 16 municípios onde haverá o Mutirão, Dom Eliseu tem cerca de 45 mil habitantes e atividades produtivas ligadas à pecuária e à cultura de grãos, especialmente a soja e o milho. Dom Eliseu também é o maior produtor de goiaba da região amazônica.