Simplesmente Lu

Outubro 31 2011

Workshop de Ballet Clássico Infantil com a profª. Eleusa Lourenzoni (SP), no IAP (foto: arquivo do IAP)


As comemorações da 20ª edição do Dança Pará Festival, iniciadas no dia 21 de outubro, chegaram ao final na quarta-feira passada, 26, no Teatro Maria Sylvia Nunes, Estação das Docas, com a “Noite dos Campeões”, que premiou os melhores trabalhos do maior concurso de Dança da Região Norte. Da programação do festival, realizada também no Pólo Joalheiro (Coliseu das Artes), Memorial dos Povos e Instituto de Artes do Pará (IAP), constaram mostras de dança, palestras, workshops e lançamento de livro, com participação de mais de 100 companhias de dança, totalizando 1.748 bailarinos da capital, do interior, de outros estados e países. Da Dança de Rua ao Ballet Clássico, passando pela Dança de Salão, Contemporânea e Folclórica, a variedade de estilos e a democratização da participação dos bailarinos são marcas do festival realizado pela Cia. Arte Produções, com direção de Darley Quintas e Maurício Quintairos.

 

“Ao inovar, superar obstáculos, valorizar o artista da terra e a diversidade da dança que se faz em cada pedacinho do Pará e do Brasil, imensos em tamanho e criatividade, a história do Dança Pará Festival confunde-se com a de muitos bailarinos: alguns que se tornaram professores e coreógrafos, outros que continuam bailarinos. Eles cresceram junto com o festival, se aprimorando e se reinventando a cada ano”, comentou o coreógrafo Maurício Quintairos, diretor artístico do Dança Pará. O formato do festival, diz ele, muda a cada ano, incorporando inovações, como a participação do grupo de percussão japonesa Seishin Daiko, que fez parte do desfile “Fashion Dance”, na abertura oficial do evento, no Pólo Joalheiro, e dos músicos do Grupo Incantus, que abriram todas as noites de dança no Sylvia Nunes com um repertório eclético e variado. Outra novidade foram as mostras e os concursos infantis de dança, realizados pela manhã.

 

Darley Quintas, Heitor Pinheiro (presidente do IAP) e Ivan Grandi (foto: arquivo do IAP)

 

Ivan Grandi, jornalista especializado em dança e diretor da Revista Dança Brasil, publicação mensal que também completa 20 anos, foi um dos convidados do encontro, onde lançou o “Concurso Dance Tube” na região. Ele participou, ainda, da bancada de jurados e foi responsável pela palestra “A dança no contexto da tecnologia”. Acostumado a participar de eventos do gênero, Grandi elogiou as novidades do festival, frisando o ineditismo dos números musicais na abertura das mostras e do concurso de dança. O jornalista informou que o Dança Pará Festival terá destaque nas edições de novembro e dezembro da revista.

 

O Dança Pará também tem inovado ao promover, durante estes 20 anos, o “Circuito de Dança Itinerante” em municípios de várias regiões do Pará e de outros Estados, levando os vencedores do festival para realizar apresentações, cursos e outras atividades que ajudem a impulsionar o desenvolvimento sócio educativo e o aprimoramento técnico dos participantes, bem como a formação de público. Com o apoio de prefeituras municipais, governo estadual e iniciativa privada, caravanas de bailarinos já visitaram inúmeras localidades paraenses como Tucuruí, Ananindeua, Paragominas, Bragança, Altamira e Santarém, além das seguintes capitais: Brasília, Fortaleza, Recife, Natal, Campo Grande, Manaus e Goiânia. Parcerias firmadas com outros países, como a França e a Alemanha, também têm dado um novo impulso ao evento. No sentido inverso, caravanas de bailarinos vêm todo ano para o Dança Pará mostrar seus trabalhos coreográficos ou para serem avaliados pelos professores convidados, realizando, desta forma, este importante intercâmbio.

 

PRÊMIO DANÇA PARÁ – Para esta edição do festival foram reservadas 100 premiações, entre elas 76 troféus para os três melhores de cada categoria e modalidade que obtiveram as notas mínimas exigidas. O "Prêmio Dança Pará" nasceu com o intuito de incentivar profissionais e estimular novos talentos por meio de troféus, certificados de participação, medalhas e incentivos financeiros para os melhores projetos sociais e para quem se destacou como coreógrafo, bailarino e técnico - figurinistas, maquiadores, iluminadores e outros.

 

Ana Rosa Crispino, diretora da Ballare Cia. de Dança (PA) foi uma das grandes vencedoras do concurso de Dança. Ela foi a única contemplada com o ouro na categoria Ballet de Repertório conjunto, com o pas de trois de "Paquita". No Repertório a companhia também ficou com os primeiros lugares com a variação masculina de "D. Quixote" e o pas de deux de "Diana e Acteon". A Ballare foi premiada, ainda, com ouro e prata no Contemporâneo e no Jazz. Ana Rosa competiu também como convidada do professor Rolon Ho, da Cia. de Dança Cabanos (PA), que conquistou o segundo lugar na categoria Dança de Salão.

 

A bailarina Ana Rosa Crispino, diretora da Ballare, com sua aluna Mariana Moraes,

na "Noite dos Campeões" do Dança Pará Festival 2011 (foto: divulgação)

 

De Paragominas, nordeste paraense, a professora Kátia Ramos, do Espaço Cultural Glaucia Rabelo Leal e da Escola Municipal de Dança de Paragominas, trouxe a maior delegação desta edição, com 186 bailarinos, e arrebatou várias premiações, como o primeiro lugar no Baby Dance (conjunto), com a coreografia “New York, New York”, de sua autoria. “Aqui (no festival) conhecemos como anda o desenvolvimento da dança em nosso Estado, além de trocar informações artísticas que ajudam a nos atualizar no mundo da dança, com essa troca de várias culturas que enriquecem o nosso saber”, avaliou Kátia. Há 10 anos morando no município, ela não deixou de participar de nenhuma edição do encontro e ontem também recebeu, juntamente com a professora Rose Monteiro, da Cia. Municipal de Tucuruí, homenagem da direção do evento pelo fomento à arte da Dança no Estado.

 

 A professora Kátia Ramos, de Paragominas (PA), recebeu homenagem do Dança Pará Festival

(foto: divulgação)

 

Já para Ediva Silva de Souza, viajar para participar do Dança Pará é “realização de um grande sonho”.  A sua delegação, com 14 pessoas, veio de Cachoeiro do Itapemirim (ES), conhecida como a terra de Roberto Carlos. Seu grupo de Dança, criado há três anos, denominadao Emoções de Cachoeiro do Itapemirim, conquistou o primeiro lugar na categoria conjunto da Terceira Idade justamente com uma homenagem ao rei, denominada “Elas Dançam Roberto Carlos”, um mix de canções das décadas de 50, 60 e 70, com coreografa de Márcia D'Oliveira e Marilei Zucoloto. "Vale muito a pena porque muitas delas não têm essa oportunidade de sair da cidade para dançar. Recebemos o apoio da prefeitura municipal de Cachoeiro e promovemos diversos eventos para arrecadar fundos para a viagem: jantares, noites de caldos, mostras de talentos", relatou Márcia, que está a frente do grupo, juntamente com Luiz D'Oliveira e Marilei. 

 

 Cachoeiro do Itapemirim foi bem representado no Dança Pará pelas dançarinas do "Emoções"

(foto: C3 Studio)

 

O Grupo de Dança da Melhor Idade Cláudio Santoro, de Manaus (AM) ganhou o troféu de terceiro lugar, com a coreografia “Crazy to You”, de Rosinha Cruz, e em segundo lugar ficou o Projeto Dance e Viva, de Paragominas (PA), coreografia de  Magno Lopes: "Um Sonho de Criança". A professora Ana Mendes (AM), já veterana no festival, foi responsável pelo workshop de “Dança para a Terceira Idade” e  ressaltou a vitalidade e a alegria das alunas do curso.

 

O Grupo de Dança da Melhor Idade Cláudio Santoro, de Manaus, ficou com o terceiro lugar,

com “Crazy to You”. (foto: C3 Studio)

 

Na opinião de Rose Monteiro, estimular a participação de companhias do interior e de fora do Estado auxilia no crescimento técnico e na  interação, de uma forma mais abrangente, delas com o mundo da dança. Para Rui Guilherme Gama, que dirige, junto com Natalina Gama, a Dançart, Cia e Escola de Dança, de Marituba (PA), o Dança Pará é como uma prova, uma avaliação do trabalho feito pelos grupos de dança. "As escolas ganham reconhecimento e se aperfeiçoam a partir das vivências nos festivais", disse ele, que participou de todas as edições do encontro. O Dança Pará, destacou o diretor, o incentivou tanto para desenvolver, junto com outros bailarinos e coreógrafos, a dança no interior do Estado, como para criar o “Urban Dance Festival”, em Marituba, encontro que já caminha para a sua terceira edição, em dezembro de 2011. Da premiações da companhia nesta edição está o ouro no Contemporâneo (conjunto juvenil), com a coreografia “Sonata”, de Rui Guilherme.

 

Rui Guilherme com Vitor Luís e Jéssica Tatiaia, da Dançart, recebendo de Maurício Quintairos

o troféu de terceiro lugar Duo Ballet Clássico (foto: divulgação)

 

PROJETOS SOCIAIS - Entre os projetos sociais que se inscreverm este ano estavam a Companhia de Arte Pró-Paz, o Projeto Dança Popular do Brasil e o Dançar para não me Amofinar. Mas “Os Encantados de Arapiranga”, grupo de dança oriundo de um vilarejo de Curuçá (PA), foi o escolhido como o melhor projeto social. O grupo folclórico com 20 integrantes foi criado, há três anos, por Jaime Amaral, que também é professor da Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará (ETDUFPA) e diretor da Cia de Ballet Jaime Amaral. Carlos Barata, vice-diretor e ensaiador do grupo, relatou que as dificuldades para sobreviver de cultura no Estado são muitas, lembrando que até o espaço de ensaio utilizado por eles ainda é de terra batida.

 

“Se nós, da capital, não temos essa grande estrutura, imagina os do interior... Só de abrir espaço para a discussão, para entender a dança como um todo e não só as vertentes mais conhecidas. Só de pensar que dançar no nosso País já é difícil. Só do festival apoiar essa vinda desses artistas do interior, já é maravilhoso! São raros os festivais que dão toda essa assistência para os grupos mostrarem seu trabalho. Isso reverbera no próprio Estado”, analisou Jaime Amaral, acrescentando que  "Os Encantados” são resultado de um projeto social que nasceu meio por acaso, durante as suas férias na localidade, em 2004, quando ele conheceu de perto a riqueza e o ecletismo dos dançarinos locais.

 

De início, foi criado um coral com 70 vozes, formado por crianças que passaram, posteriormente, a fazer parte do Grupo de Dança. O projeto faz parte da tese de doutorado de Jaime, “Matintas: O mito amazônico da cena contemporânea em Belém do Pará”, com defesa agedada para 2012.A pesquisa versa sobre este processo criativo da Cia. de Ballet Jaime Amaral, já que o grupo de Arapiranga é um desdobramento do trabalho da companhia. “Eu sou a primeira pessoa que escreve sobre a comunidade, sobre a minha relação com a comunidade e todos os envolvidos com arte no local”, conclui.


Analay Saiz (Cuba) e Santiago Gil (Equador) conquistaram a plateia do festival (foto: divulgação)

 

DESTAQUE - Nas homenagens e premiações especiais da "Noite dos Campeões", a bailarina Bianca Palheta, da Escola de Dança Edith Marques (PA), foi contemplada com medalha de honra ao mérito por representar o Pará na única escola do Bolshoi no Brasil, sediada em Joinville (SC). Ela foi aprovada na audição realizada em julho deste ano e, no início de 2012, parte para iniciar seus estudos na conceituada escola. Bianca também foi escolhida como bailarina revelação do Dança Pará Festival.

 

O produtor cultural Darley Quintas, diretor executivo do festival, enfatizou que o festival é um espaço democrático onde bailarinos renomados dividem o palco e recebem o mesmo tratamento dos demais participantes. Darley também explicou que, pelo caráter sócio-cultural do evento, número crescente de participantes e sua importância no desenvolvimento da arte da Dança, o festival foi reconhecido e cadastrado pela Funarte/MinC e pelo Conselho Internacional de Dança-CID/Unesco.

 

Também participaram como convidados especiais, este ano, Analay Saiz (Cuba), Santiago Gil (Equador), Eleusa Lourenzoni (SP), Ana Vládia e Paulo Lima (CE), Kico Brown (SP), Ana Bottosso (SP), Vinicius Villiger e Flavia Teixeira (RJ), e Valdemar Santos e Cia. Eficiente de Dança (PI).

 

O Dança Pará Festival 2011 é uma realização da Cia. Arte e Produções, com apoio do Governo do Estado do Pará, Prefeitura de Belém e empresariado local. Mais informações sobre o evento podem consultadas no site do festival: http://www.wix.com/dancaparafestival/2011

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 23:11
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