Simplesmente Lu

Dezembro 09 2006

10 DESEJÁVEIS VIRTUDES PARA A POLÍTICA CULTURAL DO PT NO ESTADO

Segunda virtude: Interiorização. Texto: Juvêncio de Arruda, economista, publicitário e cientista político.

 Link do Blog do Juvêncio – 5ª EMENDA

Waldemar Henrique_Paes Loureiro.jpg

PRÓLOGO: “Festa No Interior”

Fora de forma - deixou a secretaria de Cultura há 16 anos - o poster não se garante senão em simplesmente sugerir atenção ao Pará que poucos gestores públicos se interessam, mas onde vive 75% da população: todo e qualquer lugar fora de Nova Déli.
Juvencio de Arruda sugere a "virtude" da distribuição, da igualdade.
O Pará, aquele do mapa no formato da galinha Knorr, está dançando.
Porque os governos, e os habitantes de Nova Déli, olham muito pro seu próprio umbigo.

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51 anos de idade, 44 andando pelo interior do Pará.
Há 20 dirigindo documentários e fazendo banco de imagens, em mais de 100 dos 143 municípios. Garanto pra voces que o estado, do ponto de vista da sua "cultura", mudou muito, mas muito.
Chegou muita gente, das mesmas regiões: Maranhão, Ceará, Goiás, Espírito Santo, Minas e sul do Brasil. Esse povo trouxe novos temperos ao caldeirão.
Vi, ouvi e cheirei todos os espaços culturais, manifestações, grandes festas, pessoas que fazem ou fizeram a cultura deste estado neste período.
Waldemar Henrique, Isoca, Noé von Atzingen, Laurimar Leal, Verequete, Haroldo Maranhão, David Miguel, Dica Frazão, Augusto Morbach, Benedito Nunes, Luiz Braga,Gileno Chaves, Paes Loureiro, Vicente Sales, Edyres Proenças, Ruy Barata e mais um cesto além de um cento de gente tão...tão...magnífica.
Aqui ou alhures, autores ou operadores, todos propositalmente misturados, porque todos vivos ou "encantados".
Na minha cabeça todos estão juntos, são juntos.
Trabalhei na secretaria da Cultura, fui conselheiro da FUNTELPA, sou conselheiro de uma escola de samba, fiz planejamento e produção cultural - concebendo, captando recursos e organizando eventos, shows, exposições e seminários na área da cultura.
Aprendi, me diverti - muito mais o segundo do que o primeiro - e conheci toda essa constelação aí de cima.
Ufa! Tá bom?
Por tudo isso, berro: vamos sair para o interior!
Com os barcos e as carretas cheias. De lonas, equipamentos e gente.
Sobe rio e "corta trecho", dia e noite
Prá cá e prá lá, sem parar.
Construindo espaços culturais; museus da imagem e do som com núcleos de produção e distribuição em áudio e vídeo; financiando instrumentos e materiais de trabalho; bancando programas de treinamento e de bolsas de estudo e pesquisa; facilitando a interface dos projetos e ações culturais com os movimentos sociais - da pastoral carcerária aos sem terra, sem esquecer indígenas e quilombolas.
Numa palavra: espaços, registro, formação e articulação.
E festa, muita festa.
Ah! sim, e que a política cultural contemple todas as manifestações e setores da cultura, ainda que devagar.
É melhor andar devagar do que pensola.
Bate esse bumbo aê, Ana Júlia...rs

 

Ps: Ilustrando o artigo, um pedaço da conhecida “constelação” de Juvêncio Arruda. Da esquerda para a direita, o carnavalesco Luiz Guilherme Pereira, primo do maestro Waldemar Henrique; o próprio; o poeta João de Jesus Paes Loureiro; e a moça que não consegui identificar. A foto é do arquivo pessoal de Luiz Guilherme.

 

Ps2: Há alguns anos, em entrevista, Luiz Guilherme me falou da “veia popular" de Waldemar Henrique. Em 1974, Waldemar e Paes Loureiro escreveram o samba-enredo “Marajó, Ilhas e Maravilhas”, defendido pela escola de samba belenense Quem São Eles. Segundo o primo do maestro, a intenção de um grupo de artistas da época era tentar vincular "o carnaval paraense a um sentido mais amazônico". Em sua época, Waldemar não foi tão popular pelo caráter erudito de certas canções, já que naquele tempo esse tipo de música não tinha tanta penetração nos meios de massa. Sobre o assunto, mês passado tive a agradável oportunidade de conversar com Paes Loureiro, durante um evento, e ele recordou o momento da foto, quando Waldemar recebia a letra do samba.

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 03:40

RUBEM. A iniciativa de escrevermos sobre virtudes desejáveis para o próximo governo é justamente com o intuito de darmos para os novos governantes algumas boas idéias, a partir da avaliação do que já foi feito, avaliação essa que o profº Fábio Castro contribuiu de maneira primorosa. Acredito que cada pessoa, blogueiro ou não, tem algo a acrescentar, o que será de grande valia para o próximo governo, se ele souber ouvir. Agora as ações a serem implementadas, a meu ver, devem devem ser resultado de muita pesquisa, de debates, de uma ampla discussão com artistas e demais setores da sociedade. Só assim teremos nossa memória cultural preservada e abriremos um espaço mais democrático e amplo, para "festas no interior e na capital".
Luciane Fiuza de Mello a 10 de Dezembro de 2006 às 19:21

A discussão em torno de uma proposta que beneficie a todos que fazem arte no estado do Pará tem o seu grau de urgência, pois uma região como a nossa, rica em diversidade cultural, foi de certa forma abandonada durante era "chaveana". O valor da nossa cultura é inestimável, entretanto foi negligenciado, colocado em segundo plano, dando vez ao imperialismo dos grandes centros do país. Liderando este processo, o então dono de um palacete imaginário às margens da Magalhães Barata. A nossa história tem vários mestres, que formaram novos mestres. Posso citar alguns: Waldemar, Isoca, Verequete, Lucindo, Altino Pimenta, Adelermo, Margarida, Augusto Rodrigues, Vera, Clara, Teka, Marilene, Eni, Carlos Santa Brígida, Líbero Luxardo, Teodoro, Jesus, Benedito, Dalcídio, Eneida, entre tantos outros. Acredito, caro Juvêncio, que quem assumir a Secretaria de Cultura do Estado terá na mão uma grande oportunidade: respeitar o memorial cultural do povo paraense e trabalhar na interiorização, para que o amazônida conheça a sua história e se descubra como artista.
Rubem Meireles a 9 de Dezembro de 2006 às 18:53

Juvêncio, desejo "que a política cultural contemple todos os setores e manifestações da cultura". Que em nosso céu multipliquem-se estrelas de todas as grandezas. Encantamentos eternos, como o canto da Iara Mãe D'Água e o Tambatajá de Waldemar. Vamos desbravar o Pará!
Luciane Fiuza de Mello a 9 de Dezembro de 2006 às 17:31

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