Simplesmente Lu

Janeiro 31 2007

10 DESEJÁVEIS VIRTUDES PARA A POLÍTICA CULTURAL DO PT NO ESTADO

Sétima virtude: Produção e veiculação – “Artista quer produzir e veicular suas obras”.

 

Texto: Cláudio Marinho, ator e jornalista.

 

 

Endereço do blog do autor: Na Cena de Cláudio Marinho 

 

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“Artista quer produzir e veicular suas obras.

 

 

Por Cláudio Marinho*.

 

 

As eleições sempre provocam uma reflexão mais intensa sobre os rumos que a administração pública vai dar à saúde, à educação, à cultura e a outras necessidades do povo. Infelizmente a discussão, na maioria das vezes, se restringe às divergências partidárias e pouco se fala de programas de governo. Como as eleições já passaram mesmo, torna-se mais pertinente ainda ir direto ao assunto: artista quer ter meios para produzir e veicular a sua obra. Parece óbvio e é mesmo.

 

 

A discussão parte desta conclusão óbvia porque os artistas, em sua maioria - exceto aqueles eleitos pelos departamentos de marketing de empresas que concedem patrocínio - sequer têm verba para iniciar a sua produção. E quando o trabalho está pronto, começa a peregrinação em busca da veiculação da obra e da divulgação quase sempre deficiente. Quanta solidão!

 

 

Não falo que é papel do governo assumir uma postura paternalista. Não é isso. Digo que o governo tem, sim, o papel fundamental de estimular a produção e veiculação artística, principalmente estimular a pesquisa que traz resultados inovadores e nem sempre comerciais. O governo tem, sim, o papel fundamental de apresentar a arte ao povo que quase sempre está mais preocupado com a própria sobrevivência.

 

 

Não basta estimular o turismo e arrumar as fachadas das cidades. É preciso zelar pelo povo, educá-lo, dar-lhe acesso à cultura, estimular o pensamento. Só assim formaremos uma sociedade realmente democrática e que possa, num futuro próximo, assumir perante o mundo a grande responsabilidade de ser uma sociedade amazônica, preparada para defender seus interesses.

 

 

O governo deve ter, sim, o compromisso com os artistas que são o maior patrimônio da cultura paraense. Este artista é agente de toda a reflexão, é veículo da criatividade, é o que propõe o novo. Não estimular e valorizar o artista é - com certeza - o posicionamento político mais perverso. É assumir - mesmo que não declaradamente - a falta de interesse em ver as transformações necessárias. Este compromisso não deve se resumir a disponibilizar uma lei de incentivo cultural e deixar que o artista estenda o pires aos diretores de marketing das empresas, implorando por patrocínio.

 

 

O Pará tem uma atividade artística singular, que fervilha idéias. O nosso Estado tem uma diversidade musical como se vê em poucos lugares, que transita da música de raiz até o rock, que cada vez mais ganha destaque nacional; o Pará tem um time de fotógrafos premiados internacionalmente pela sensibilidade e capacidade de fazer trabalho autoral; quanta inventividade nas artes plásticas, sintonizadas com a arte contemporânea; o Pará tem escritores incríveis como Dalcídio Jurandir e Maria Lúcia Medeiros que ainda não ocupam o lugar merecido na literatura brasileira; o Estado tem guerreiros do teatro e da dança em suas salas de espetáculos; tem guerreiros nos sets de filmagem que insistem em fazer cinema na Amazônia, mesmo sem condições para isso. Volto aqui, ao ponto de partida: estes artistas querem meios para produzir e veicular suas obras.

 

 

É preciso mesmo retroceder ao ponto de partida: produção e veiculação. Depois disso podemos direcionar a discussão para outras questões. Infelizmente o Pará (que num samba enredo foi chamado a 'obra-prima da Amazônia'), com todo o seu potencial artístico, ainda está no ponto de partida. Mas, graças aos teimosos artistas, está pronto para dar a arrancada!

 

 

Cláudio Marinho é ator e jornalista paraense. Radicado há dois anos em São Paulo, trabalha no teatro e edita o site Na Cena de Sampa  - www.nacenasp.com - que divulga a produção teatral paulistana.”

 

 

Ps: A crônica acima foi publicada em 11 de novembro de 2006 no jornal "O Liberal". As fotos de Cláudio atuando no teatro e no cinema foram retiradas do blog do ator; a arte da montagem é de Alex Padarath.
publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 12:16

Janeiro 28 2007

MARTHA BATISTA.JPG Martha Batista.JPG

Se a minha virtude é uma virtude de bailarino;

se muitas vezes saltei de pés juntos

em êxtase se ouro e esmeralda;

e se meu Alfa e Ômega é

que tudo o que é pesado se torne leve,

todo corpo vire bailarino,

todo espírito vire pássaro:

então, em verdade,

é isto o meu Alfa e Ômega. 

 (Nietzsche)

 

Ps: Nos instantâneos, momentos do solo de Kitri, do clássico de repertório Dom Quixote, interpretados pela bailarina paraense Martha Batista - coreografia premiada, em 2005, no Bento em Dança, Festival Internacional de Dança de Bento Gonçalves (RS). Esta é uma pequena homenagem que faço à minha amiga, que, atualmente, é partner de Rubem Meireles na Guará Balé Teatro. Nada mais justo, porém, muito pouco para quem tem a virtude da dança transbordando pelos poros... Fotos do arquivo pessoal de Martha Batista.
publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 03:22
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Janeiro 27 2007

 isadora duncan3.jpgduncan_isadora2.jpg

Minha arte é precisamente um esforço para exprimir em gestos e movimentos a verdade do meu ser. E foram-me precisos longos anos para encontrar o menor gesto absolutamente verdadeiro. As palavras têm um sentido diferente. Diante do público que acudia em massa as minhas apresentações, eu jamais hesitei. Dava-lhes os impulsos mais secretos da minha alma. Desde o início, nada mais fiz do que dançar a minha própria vida. (Isadora Duncan).

Isadora Duncan.jpg

Isadora Duncan tornou-se uma personalidade marcante do século XX. Precursora da Dança Moderna, repudiou as técnicas do Balé clássico, deixando-se levar por movimentos expontâneos, criando vigoroso e livre estilo pessoal. Correndo como uma bacante, com túnicas vaporosas, os pés descalços e os cabelos semi-soltos, libertou a arte suspensa há séculos nos vasos gregos do Louvre, que lhe serviram de fonte de inspiração e evocação do espírito dionísiaco. Norte-americana, nascida em São Francisco em 1877, Isadora partiu para a Europa em 1899 buscando afirmar-se como dançarina. Arrebatada pelas obras de Beethoven e Wagner e pelas imagens da Grécia Antiga, alcançou grande sucesso em Paris em 1902, ao apresentar-se no Teatro Sarah Bernhardt, iniciando uma série de triunfos que lhe dariam notabilidade mundial. Em agosto de 1916, aos 38 anos de idade, Isadora Duncan apresentou-se no Brasil no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. O desastre e afogamento de seus dois filhos em 1913 e o suicídio de seu ex-marido, o poeta russo Sergei Esenin (1895-1925), martirizaram Isadora até sua morte em Nice a 14 de setembro de 1927, quando sua longa echarpe, durante um passeio de automóvel, terminou por se enrolar em uma das rodas do conversível, sufocando inesperadamente sua trágica e gloriosa existência. "Está de luto a graça do mundo! Isadora Duncan (...) desapareceu com as linhas predestinadas do seu corpo e o abençoado condão de sua arte" - Revista da Semana, Rio, 1927.

 

Fonte: http://www.brasilcult.pro.br/teatro/painel22.htm  

 

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 03:42
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Janeiro 25 2007

10 DESEJÁVEIS VIRTUDES PARA A POLÍTICA CULTURAL DO PT NO ESTADO

 

Sexta virtude: Respeito e Compromisso com a Cultura Popular. Texto: Pedro Nelito, professor, sociólogo e mestrando em Direito.

 

 

Endereço do blog do autor: Blog do Pedro Nelito   

 

 

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Solicitado para escrever sobre uma virtude que deveria constar na atuação do governo petista durante sua administração no Estado do Pará, no que concerne ao campo da cultura, escrevo sobre o respeito e o compromisso com a cultura popular.

É possível existir cultura a serviço da política e política a serviço da cultura? Muitos estudiosos sustentam que tudo depende do compromisso de quem tem o poder de decisão; o aspecto político se manifesta sobremaneira.

Assim como pode existir política para proibir, cercear, “direcionar”, também pode existir a organização para o incentivo, para a criação, para o esclarecimento...

Com a nova administração estadual se renovam a esperança e os votos de que os segmentos populares possam ter vez e voz.

Para iniciar é necessário dizer que, nessas poucas linhas que se seguem, entende-se cultura como produção ou manifestação voluntária, individual ou coletiva, que busca a ampliação do conhecimento através de uma elaboração artística, de um pensamento ou de uma pesquisa...

É importante lembrar que nos albores da civilização ocidental a cultura como manifestação de um conhecimento passou a instrumentalizar o poder, a justificá-lo; nesse caso estamos falando de Roma Imperial. A partir e durante o governo de Otávio Augusto (27 a.C. – 14 d.C.) fica bem explícita a utilização da cultura na perspectiva de "direcionar". As obras que eram patrocinadas pelo Estado buscavam o engradecimento da figura do imperador e dessa forma justificavam o poder de Roma, sob o comando de Otávio.

Historicamente, é possível identificar a atividade cultural sendo tutelada ou proibida pelos poderosos de plantão. Em alguns momentos o enaltecimento do poder, noutros o questionamento da opressão e a busca da liberdade; a capitulação diante da força e o renovar das esperanças com novos confrontos.

O pensamento de Galileu Galilei foi considerado subversivo para a sua época, um conhecimento que mexeu com o universo. Argumentava Galileu que a terra era redonda e girava em torno do sol, além de o universo ser infinito. O conhecimento produzido por Galileu não mexeu apenas com o universo, mexeu com o poder. Daí ter sido ameaçado com a fogueira, naquela época, e como conseqüência ele teve que abjurar o conhecimento produzido.

Trazendo essa reflexão para mais perto de nossas inquietações cotidianas, após a consolidação do capitalismo, surgem novas classes sociais: burguesia e proletariado. As novas classes apresentam percepções distintas em relação ao mundo, homem, família e etc. Com a industrialização e os grandes centros urbanos, nos confrontamos no campo cultural com produções distintas também. Temos uma dualidade.

O século passado foi o século das revoluções. A disputa ideológica fez do campo cultural lugar privilegiado para a disputa da hegemonia da sociedade.

Capitalismo e comunismo açoitaram a humanidade com produções culturais que buscavam a satanização do campo adversário, em detrimento daquelas manifestações que iam ao encontro do que existia de mais humano na sociedade, possível de ser encontrado em ambos os campos.

No caso brasileiro, mais especificamente o Estado do Pará, após a retirada dos militares do poder, vive-se, durante o período de redemocratização, uma preocupação de retomar e dar vazão às expressões populares. Não houve uma planificação no que concerne ao campo cultural. Não existiu política cultural que possibilitasse o investimento de recursos na perspectiva de gerar uma autonomia aos vários grupos de difusão das mais variadas expressões culturais já existentes à época. Não se planejou ou se concebeu outros meios de captação de recursos para a manutenção dessas manifestações populares organizadas.

As manifestações populares, chamadas, também, de cultura popular, expressam anseios e em algumas manifestações denunciam mazelas que se abatem sobre os segmentos populares.

Na história mais recente, precisamente nos últimos 12 anos de política cultural do governo tucano, presenciou-se uma ausência de política que viesse a organizar as manifestações populares na direção do que foi exposto acima. No lugar disso, tivemos duas instâncias dentro do governo (Funtelpa x Secult) - pelo menos nos últimos quatro anos - que apoiavam várias manifestações culturais, umas populares, outras eruditas, mas que não estabeleciam uma relação dialógica, um ponto de contato que ensejasse a percepção de uma política de Estado.

Vejamos o caso do carnaval. Com a partidarização, ou melhor, com a “tucanização” das agremiações carnavalescas de maior apelo popular, assistiu-se durante os oito anos do governo petista em Belém o esvaziamento do carnaval no município de Belém, patrocinado pelo governo estadual tucano, que injetava recursos financeiros e transportava as agremiações carnavalescas para se apresentarem no município de Ananindeua. Enquanto este município era administrado por tucanos, manteve-se como palco das apresentações dessas agremiações de Belém.

Apoio ao carnaval que se resumia ao repasse de recursos públicos. Faltava política para o setor.

Como virtude que se espera ver praticada pela administração petista no Governo do Estado do Pará, acentua-se o respeito e o compromisso com a cultura popular.

Um passo importante para o governo petista seria assumir o compromisso com os segmentos populares: criar espaços para dialogar com os vários grupos que produzem e difundem a cultura popular, tomando a contribuição individual e coletiva desse segmento.

Inconcebível que artistas com lastro nacional e às vezes até internacional ainda fiquem se apropriando dos parcos recursos destinados ao setor cultural devido à ausência de uma política de Estado. Existindo uma política cultural de Estado, é necessário que todos os segmentos estatais possam interagir para a sua efetivação.

A Secult deve assumir a responsabilidade de coordenar a implementação em todo o governo dessa política cultural.

A cultura não deve ser tomada como algo dado, estático, mas como um processo dinâmico, que a todo o momento se recria. Processo influenciado pelas disputas ideológicas dos diversos grupos políticos que disputam a hegemonia da sociedade.

Numa perspectiva democrática a cultura popular deve expressar uma liberdade conscientizada e conquistada nas lutas sociais, que possibilite o convívio e a coexistência social, levando em consideração que as restrições impostas à liberdade de cada um só se legitimam na medida em que garantam a liberdade de todos.

A política possibilita a organização dessas manifestações, e cabe o alerta: deve-se ter muito cuidado para não se “legitimar” manifestação popular que atente contra os princípios democráticos, a pretexto de que se trata de manifestação da cultura popular e por isso se permite todo tipo de exageros que dificultam a convivência social democrática. Basta lembrar as festas de “aparelhagens”. A despeito da existência de uma lei que regulamenta os níveis de decibéis permitidos para o funcionamento desses equipamentos sonoros, notícias veiculadas pela mídia paraense demonstram os  transtornos causados por eventos em que essas aparelhagens são a atração principal. É só levantar a opinião das pessoas que moram próximas dessas “festas” para saber o quanto o som alto incomoda. Não cabe ao poder público proibir essas manifestações, deve permiti-las dentro dos padrões legalmente estabelecidos pelo legislativo responsável pela matéria.

Espera-se uma descentralização dos eventos culturais patrocinados pela política cultural do Estado. Nesse sentido a questão cultural permitirá antever a dimensão do compromisso dessa administração com as esperanças depositadas nas urnas da eleição que consagrou a ascensão do Partido dos Trabalhadores ao governo do Estado do Pará.

O que se produziu aqui não foi um texto acadêmico. Estas poucas linhas traduzem a preocupação e ao mesmo tempo a esperança de que a virtude de escutar e assumir compromisso com a cultura popular seja uma realidade benfazeja neste novo governo.

Ps: Na foto, ritmistas e puxadores de samba do Rancho não posso me amofiná.  Fonte da imagem: http://www.belem.pa.gov.br

Ps2: O médico, compositor e escritor Alfredo Oliveira escreveu o livro Carnaval Paraense, lançado recentemente, que registra a riquíssima história do nosso carnaval. Mais informações sobre o livro no Portal ORM e no blog do jornalista, escritor e teatrólogo Edyr Augusto Proença:  POLAROADS - Carnaval Paraense 

 

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 07:59

Janeiro 24 2007

Rubem Meireles.JPG No meu click: Rubem Meireles.

Há que se afinar o corpo até o último sempre. Exercer-se como instrumento capaz de receber a poesia do mundo. Poesia suspensa em rotação e translação. Movimentos moderados. Alinhavando dias e luares. Estações e colheitas. Minutos e milênios. Provisoriamente. (Bartolomeu Vaz Queiroz)

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 03:11
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Janeiro 22 2007
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Entranhas da Sociedade foi o tema da exposição de arte contemporânea dos alunos do primeiro ano do Ensino Médio do Núcleo Pedagógico Integrado (NPI) da UFPA – atualmente denominado Unidade Acadêmica Especial (UAE). Ocorrida no dia 12 de janeiro, a exposição ocupou as dependências do NPI com os mais inusitados trabalhos, que tomaram até o espaço dos banheiros da escola. Nas instalações dos alunos-artistas, os mais diversos materiais e tecnologias foram utilizados para falar das mazelas da sociedade contemporânea. A organização do evento, que reuniu seis turmas do primeiro ano, foi de Junia Barros Vasconcelos, professora de artes.

 

Junia explicou que os alunos elaboraram os trabalhos a partir de uma visão crítica da sociedade e do homem contemporâneo, através do manuseio de materiais do cotidiano, como discos de vinil, flores de plástico, bolas de isopor e outros. “Eles atribuem a este material um novo valor, um novo conceito”, explicou. Nos trabalhos mostrados foram utilizadas diversas linguagens: objeto, vídeo-arte, instalação e fotografia.

 

Uma das instalações da exposição chamava a atenção de quem passava: um quarto montado com lonas de plástico, música em alto volume e jogos de luz. A quentura do ambiente, segundo os alunos, também mexia com os sentidos dos visitantes. Outra  instalação ocupava um dos banheiros da escola e falava sobre a violência contra as crianças. Denominada Tempos Corrompidos, essa criação fazia referência ao caso dos meninos emasculados de Altamira, caso que tomou repercussão nacional – entre 1989 e 1993 crianças foram encontradas mortas; os crimes foram motivados por rituais de magia negra. “Falamos não só desse tipo de violência, mas também a violência psicológica, das crianças que ficam sozinhas em casa enquanto os pais saem para trabalhar”, detalha a aluna Larissa Salgado. Símbolos desenhados nas paredes lembravam inscrições de rituais satânicos, assim como as velas vermelhas espalhadas pelo ambiente.

 

O Bolo de Mulher era outra instalação que se destacava. Instalado no corredor externo da escola, o bolo era formado por diversas fotos de mulheres famosas ou não. Ao redor do bolo, muitas fitas coloridas completavam o ambiente, que destacava a sensibilidade e a alegria da mulher. Já a criação Reflexões Capitalistas, de acordo com aluna Cíntia Quaresma, tem muitos símbolos, como a boneca, que representa uma prostituta que veste o Capitalismo. “Ela pensa que faz parte da elite, mesmo sendo uma prostituta, mesmo tendo um espelho na sua frente refletindo sua real condição. Ela não consegue perceber a contradição de sua condição”, comentou Cíntia. Ela comenta que alguns detalhes da obra mostram esse paradoxo, como a favela e os prédios. A pirâmide quebrada, de acordo com Cíntia, representa a hierarquia da sociedade capitalista.

 

Isis Antunes, Márcia Chaves e José Farias foram os professores responsáveis pelo julgamento do melhor trabalho da exposição. “Os trabalhos estavam muito bons, bastante criativos”, ressaltou Márcia. Além da criatividade, segundo Ísis, as criações foram muito críticas e voltadas para o social. Junia Vasconcelos destacou a participação do professor Farias. “Ele, que é sociólogo, é muito motivador, sempre participa destes eventos com os alunos”, falou Junia, lembrando que o nome do trabalho vencedor será revelado em breve. O escolhido ganhará uma premiação simbólica.

 

Fotos: Junia de Barros Vasconcelos.

 

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 11:38

Janeiro 12 2007

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Se alguém te perguntar o que quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo... Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação. Esta vida é uma estranha hospedaria, De onde se parte quase sempre às tontas, Pois nunca as nossas malas estão prontas, E a nossa conta nunca está em dia. Reflexão de Lavoisier ao descobrir que lhe haviam roubado a carteira: nada se perde, tudo muda de dono. Sempre me senti isolado nessas reuniões sociais: o excesso de gente impede de ver as pessoas... Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem. O tempo é a insônia da eternidade. Dias maravilhosos em que os jornais vêm cheios de poesia e do lábio do amigo brotam palavras de eterno encanto Dias mágicos em que os burgueses espiam, através das vidraças dos escritórios, a graça gratuita das nuvens Sê bom. Mas ao coração Prudência e cautela ajunta. Quem todo de mel se unta, Os ursos o lamberão. Todos esses que aí estão atravancando meu caminho, eles passarão... eu passarinho! Mário Quintana.
publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 20:53

Janeiro 11 2007

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Publico, abaixo, trechos da crítica de Nei Vargas sobre o trabalho da Cia de Dança Joca Vergo, publicada em 26 de setembro de 2006 no Jornal do Comércio (RS). Peço desculpa aos leitores pelos cortes que fiz; não pude colocar na íntegra porque não tive acesso ao texto completo.

</p>

Nei Vargas, especial JC

“Num cenário em permanente construção, avançando conforme o fluxo e refluxo das conduções das políticas culturais, a dança em nosso Estado mantém-se viva e atenta à dinâmica das inovações dos grandes centros exportadores de tendências. Das manifestações artísticas aqui praticadas, pode-se dizer que esta é a menos estimulada; fato que, em termos, a coloca ainda em caráter incipiente. No entanto, um olhar atento a um passado recente faz surgir uma constelação de bailarinos, dos quais alguns atuantes em instâncias internacionais, construtores de uma carreira sólida e reconhecida. De fato, alguns encontram aqui um terreno profissional insustentável, na medida que o mercado de dança insiste em ser tímido. (...) O trabalho incansável que Joca tem realizado, desde o início de sua trajetória, nos é mostrado em seus últimos espetáculos. Tendo como base as pesquisas corporais de Martha Graham, a tradição do ballet clássico e as tendências contemporâneas, ele tem potencializado a dança como linguagem que dialoga com outros estratos da arte. Em seu último espetáculo, Fragmentos Personários, percebemos a miscigenação de recursos interpretativos explorados em sua coreografia, na medida em que incorpora à dança diferentes propostas até pouco tempo impensáveis, resultando em pura potência plástica e poética. (...) As danças em conjunto, solos e pas des deux – é  importante salientar que Joca coreógrafa, dirige e também é a única figura masculina em cena que dança – ganham força e riqueza de expressão pelos apropriados aéreos que compõem a trama do espetáculo. As bailarinas da Cia. de Dança Joca Vergo surpreendem em suas entradas inesperadas, que podem acontecer tanto em um monociclo ou numa espécie de corte ao palhaço, nos fazendo lembrar, por vezes, das figuras mitológicas encontradas na pintura renascentista. Como não bastassem tantos cruzamentos, a música tem trilha especialmente composta e é executada ao vivo, por um pequeno conjunto. (...) Não há como negar que o efeito estético do espetáculo nas dimensões tradicionais do espaço cênico ocidental revela uma pulsão contagiante, equilíbrio permanente e reforço no potencial dramático que permeia Fragmentos. É de se destacar o reforço que a presença de outro bailarino em cena oferece ao espetáculo, pois é dado maior visibilidade aos pas de deux em rapel de parede, tecidos e conjunto coreográfico. Sustentada em sua constante investigação, a carreira de Joca Vergo sintetiza a viabilidade do corpo enquanto elemento condicionante da expressão técnica e dramática das coisas da vida. Ele faz da dança seu instrumento de discurso cênico, fruição estética e estímulo aos sentidos”.

</p>

PS: Fotos de Vinícius Mariano. Do espetáculo “A Torre”, com a Cia de Dança Joca Vergo.

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 04:18
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Janeiro 11 2007

Joca Vergo_ATorre1.jpg Joca Vergo_ATorre2.jpg

O trabalho do gaúcho Joca Vergo é reconhecido nacionalmente na área da dança contemporânea. Nos últimos anos, o "balé aéreo” é destaque em suas montagens coreográficas. O referido balé é aquele que desenha no ar formas inusitadas em coreografias compostas pelo tecido e pelo corpo do bailarino, em perfeita sincronicidade, trabalho que lembra o movimento dos trapezistas, com técnicas de rapel e de dança. O uso de outras linguagens artísticas nas concepções dos espetáculos de Vergo é uma característica marcante no seu trabalho, que mescla bem todas estas vertentes, acrescentando elementos cênicos que completam a leitura coreográfica.

 

Joca Vergo  já residiu por alguns meses no Pará, ministrando cursos, dançando, ganhando prêmios e fazendo amigos - ele foi escolhido o melhor coreógrafo de uma das edições do Festival Internacional de Dança da Amazônia (FIDA). Sou uma das amigas dessa figura talentosa e simpaticíssima. Além das qualidades que já ressaltei, lembrei que ele também possui o dom da oratória: recita poemas ou reproduz como ninguém a fala de famosos, como a imortal Isadora Duncan, a grande precursora da Dança Moderna no mundo. Vou pedir algumas dessas jóias para ele e publicarei aqui.  

 

Sucesso - O ano passado foi pleno de realizações para Joca Vergo. O bailarino participou de dois festivais na Colômbia, ganhou o troféu Açoiranos de Dança, foi contemplado com um prêmio de  intercâmbio concedido pelo Ministério da Cultura (Minc) e a Cia de Dança Joca Vergo foi a unica  selecionada pelo "Festival Palco Giratório na Região Sul".    

 

Única representante do Brasil no 8º Festival de Teatro Callejero de Messitas em El Colégio, ocorrido em outubro de 2006 na Colômbia, a companhia de Vergo apresentou a coreografia Fragmentos Personários. O espetáculo poético-musical é uma confraternização das artes cênicas que celebra as lembranças da vida de um palhaço veterano com poesia, teatro, música, dança e técnicas aéreas, numa cerimônia cheia de magia e emoção. São personagens que evocam um jogo abstrato de atitudes e sensações.

 

PS: Fotos de Vinícius Mariano. Do espetáculo “A Torre”, com a Cia de Dança Joca Vergo.

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 03:53
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