Simplesmente Lu

Julho 28 2009

 

O jornalista Lúcio Flávio Pinto informa que é provável que ainda hoje, terça-feira (28), seu novo livro, "A História Censurada (O Pará dos nossos dias)", esteja nas ruas, para a alegria dos que acompanham seu trabalho e torcem para que saia vitorioso nos processos judiciais que responde, movidos pela família Maiorana. Ronaldo Maiorana, um dos proprietários das Organizações Romulo Maiorana, filiada da Rede Globo (tv, rádio e jornal Liberal),  para quem não sabe, agrediu fisicamente e de forma covarde Lúcio Flávio em um restaurante público paraense, uns anos atrás. Além de não ter respondido, na época, a altura, pelas agressões, mais uma vez a Justiça paraense protege este grupo de Comunicação, numa sentença inacreditavel que pretende, inclusive, calar Lúcio Flávio Pinto, num ótimo exemplo de ditadura (leia aqui). Lúcio não se calou, assim como a sociedade, que se  movimenta contra estas injustiças que revoltam e envergonham. Tive uma pequena mostra do que as ORM são capazes, quando estagiei lá, em 2004, exploração que até hoje não esqueci. Na época não tive o apoio devido do Sindicato dos Jornalistas do Pará (Sinjor), que também não se manifestou em relação ao caso do Lúcio Flávio. O que tem em comum a Justiça, o Sindicato e as ORM? Respostas para perguntas do gênero com certeza estão no novo livro do Lúcio Flávio, que tem sido um dos poucos (e, em muitos momentos, o único)  que não se calam e, desta forma, exercem o Jornalismo em sua plenitude. Sinto vergonha de ser paraense quando um profissional como ele, reconhecido (e premiado) no Brasil e mundialmente por sua bandeira pela Amazônia, seja tratado assim na sua terra... Abaixo, como referência, segue o texto da orelha do livro, que pode ser encontrado em algumas bancas de revista e livrarias da cidade, que vendem o Jornal Pessoal e os demais livros do autor. Luciane.

 

 

 A VERDADE HISTÓRICA


Os Maiorana extraditaram a história no Pará. Os donos do maior grupo de comunicação do Norte do Brasil, por sua afiliação à Rede Globo, a terceira maior rede de televisão do mundo, não admitem que a história possa contrariá-los. Mesmo que seja verdadeira, ainda que seja provada, documentada, pública e notória. Quem ousar dizer a verdade vai se tornar vítima de suas perseguições. O principal instrumento a seu serviço, para proscrever a verdade incômoda, tem sido a justiça.

 

 O jornalista Lúcio Flávio Pinto já experimentou o amargor de decisões tendenciosas, parciais. A última delas, no dia 6 de julho de 2009, impôs-lhe o pagamento de 30 mil reais de indenização aos irmãos Romulo e Ronaldo Maiorana, mais acréscimos que elevam esse valor a R$ 40 mil. A punição também inclui não falar de ambos os Maiorana e publicar sua carta, embora os autores da ação tivessem pedido que a censura fosse feita apenas para beneficiar o pai e jamais tenham escrito uma carta a respeito da reportagem.

 

Franz Kafka teria muito que aproveitar dessa sentença. Pois tudo que foi dito no Jornal Pessoal é verdade, conforme reafirma este livro. O fundador do império de comunicação, Romulo Maiorana não pôde colocar em seu nome a concessão da emissora de televisão, porque os órgãos de informações do governo federal o vetavam, em função da sua ligação anterior ao contrabando, um dos principais alvos da ação dos militares no Pará.

 

Esse fato já faz parte da história e foi referido apenas porque, sem ele, a reconstituição do passado, sobre as origens da corporação de comunicação, estará adulterada, comprometida. Os donos atuais do grupo Liberal não se importam com o rigor dos fatos: estão dispostos a reescrever tudo para que o enredo corresponda à sua vontade e aos seus caprichos.

 

Entretanto, os poderosos não podem tudo, se o que desejam viola a legalidade, a ética e a moral pública. Viola também a democracia brasileira, que, no Pará, deixou de ter vigência em função da decisão do juiz Raimundo das Chagas Filho. Ao decidir que uma publicação periódica como o Jornal Pessoal não pode mais falar de Romulo pai, Romulo filho e Ronaldo Maiorana, sem que o pedido incluísse os dois filhos, o magistrado acabou assumindo a paternidade da censura prévia. O Pará, assim, regride à condição de ditadura.

  

Este livro foi escrito para impedir que esse retrocesso se consume. Ele espera poder mobilizar as pessoas conscientes da história, para que resistam às violências de um autêntico processo político. Ao mesmo tempo, visa assegurar que a história não se torne uma página em branco, ou preenchida com uma verdade utilitária.


 

GULAG TROPICAL


 
O jornalista Lúcio Flávio Pinto tem sido vítima de processos políticos que dão ao Pará as características de um Estado ditatorial. A justiça, agindo com parcialidade e tendenciosidade, faz a vontade dos donos do maior império de comunicação do Norte do Brasil, empenhados em sufocar a verdade e reescrever a história para atender seus caprichos e suscetibilidades. Este livro diz um não a esse Gulag ao tucupi.

 

 

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 06:47

Julho 21 2009

17/7/2009 18:54

Da Redação
Agência Pará

Rodolfo Oliveira/Ag Pa                        Clique na imagem para ampliar Ampliar imagem

No Horto Municipal em Dom Eliseu, estudantes plantaram 50 mudas, marcando o início dos trabalhos do mutirão Arco Verde Terra Legal,

que segue até este sábado (18)

 

 
Rodolfo Oliveira/Ag Pa                        Clique na imagem para ampliar Ampliar imagem

Os alunos plantaram mudas de paricá, cupuaçu e açaí, indicadas para

recuperar áreas degradadas

 
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A inauguração de um viveiro e o plantio de 50 mudas do Programa Um Bilhão de Árvores para a Amazônia, no espaço do Horto Municipal em Dom Eliseu, Rio Capim, marcaram, na manhã desta sexta-feira (17), o início dos trabalhos do mutirão Arco Verde Terra Legal no município, que prossegue até amanhã (18), na Escola Municipal Manuelita Andrade.

 

"Terra sem produtividade não serve para nada. Plantar esta muda é plantar uma nova vida para a natureza. É salvar o meio ambiente", comentou o estudante Gustavo Pereira, de 15 anos, que participou da atividade junto com os alunos da escolinha de futebol da prefeitura. Eles plantaram mudas de paricá, cupuaçu e açaí, indicadas para recuperar áreas degradadas. "Muito se fala de Amazônia e o mundo todo está voltado para o povo paraense, que teve essa iniciativa de reflorestamento", comentou Paulo Cezar Oliveira, responsável pela turma e gerente de Esportes e Lazer da Secretaria Municipal de Esportes.

 

O ato de plantar uma muda, para Marcelo Moraes, de 10 anos, representou "uma forma de amor", mensagem que levará para os colegas. Preservar o que se tem para não sofrer as consequencias mais tarde foi o alerta de Ronie Teixeira Alves, de 15 anos, que considera o programa "um incentivo para criar um mundo melhor para as pessoas não sofrerem com o que está acontecendo".

 

O Horto Municipal possui 2,2 hectares, área cedida pelo governo do Estado. O projeto inicial do viveiro, segundo Adário Júnior, secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, prevê a produção anual de 100 mil mudas de urucum, açaí e essências florestais, que potencializarão a agricultura familiar do município. Ele explica que, além do viveiro de mudas, no espaço será feita a seleção e a classificação da goiaba (Pachouse), bem como a clonagem do fruto, que tem grande impacto na economia do município.

 

Dom Eliseu é o maior produtor de goiaba da região amazônica, cuja agricultura familiar registra produção anual de cerca de 500 toneladas. Um empresa privada do município, a Senor, produz anualmente 800 toneladas do fruto.

 

Reflorestamento - O programa "Um Bilhão de Árvores para a Amazônia" é de responsabilidade da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Lançado em maio do ano passado, em Belém, pelo presidente Lula, é o maior programa de restauração florestal do mundo, um conjunto de políticas públicas que prevê o reflorestamento a partir da parceria entre o poder público e privado. Dom Eliseu foi um dos municípios que mais sofreu com a extração madeireira e de carvão mineral, atividades que mais desmataram nas últimas décadas.

 

Ao todo, 16 municípios receberão o mutirão. As caravanas oferecem desde a emissão de documentos até atendimentos médicos, serviços que pretendem facilitar a vida do homem do campo. O objetivo é promover o desenvolvimento sustentável, através da conscientização ambiental e da regularização fundiária, agilizando os processos e orientando produtores rurais a obterem a titulação, orientação e apoio técnico e financeiro.

 

Participaram da atividade o diretor de Planejamento da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Cláudio Cunha; o prefeito de Dom Eliseu, Joaquim Neto; os coordenadores estadual e federal do Arco Verde, Nelita Paes e Rogério Guedes; e representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

 

Cláudio Cunha entregou uma camisa do programa para o prefeito, destacando que ele já faz parte do "exército" contra o desmatamento. "A população vai entender a mensagem que dá para produzir sem agredir o meio ambiente. Só assim poderemos trilhar um caminho bem diferente do que foi trilhado até agora", frisou Cláudio Cunha, acrescentando a importância do seguinte tripé: qualidade de vida, futuro ecológico e desenvolvimento econômico.

 

Luciane Fiuza - Secom

 

Terra Legal retoma a regularização fundiária do Iterpa em Dom Eliseu

17/07/2009 10:53
 
Da Redação
Secretaria de Comunicação
 

O Instituto de Terras do Pará retoma em conjunto com o Ministério de Desenvolvimento Agrário o trabalho de regularização fundiária no município de Dom Eliseu, que recebe neste final de semana o Mutirão Arco Verde Terra Legal. A representante do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), Heloísa Leal, lembrou que no ano passado 70 famílias já foram cadastradas e tiveram seus lotes georreferenciados no município. "Trabalhamos para identificar as áreas federais e estaduais", explicou. O Iterpa fez a varredura fundiária de cada área, trabalho que será agora intensificado com o Terra Legal, em parceria com a prefeitura, que cederá espaço para um escritório onde o cadastramento continuará.

 

As famílias já cadastradas, em fase de titulação no Iterpa, são do assentamento estadual Alto Bonito e das colônias Santa Maria, Nova Esperança e Rio Verde.

 

A abertura do Arco Verde Terra Legal ocorreu na manhã desta sexta-feira (17), na Escola Municipal Manuelita de Andrade, após o plantio de 50 mudas no horto municipal, por alunos do projeto Escolinha de Futebol da Prefeitura de Dom Eliseu.

 

A produtora rural Ivaneide Jesus dos Santos pretende regularizar seu terreno no município e procurou informações. "Eu criava gado e agora queria um empréstimo para investir na terra, que é produtiva", disse ela.

 

O mutirão atenderá nesta sexta-feira (17) e sábado (18), na Escola Manuelito de Andrade, com palestras, emissão de documentos, orientação sobre cadastro, regularização e financiamento, entre outras ações.

 

Desde quarta-feira (15), representantes de colônias de pescadores e de pequenos produtores e empregados rurais debatem problemas como a falta de documentação, demarcação de terras, necessidade de benefícios, incentivo a projetos de plantação de goiaba, entre outros. Participaram da reunião os coordenadores estadual e federal da Operação Arco Verde, respectivamente, Nelita Paes e Rogério Guedes, além do vice-prefeito Francisco Manoel de Aquino.

 

Quinto dos 16 municípios onde haverá o Mutirão, Dom Eliseu tem cerca de 45 mil habitantes e  atividades produtivas ligadas à pecuária e à cultura de grãos, especialmente a soja e o milho. Dom Eliseu também é o maior produtor de goiaba da região amazônica.

 

Luciane Fiuza - Secom

 

Leia mais:

 

Milhares de pessoas buscam atendimento no Mutirão Arco Verde Terra Legal

 

Terra Legal fez mais de mil cadastros para títulos de terra em três municípios

 

Terra Legal garante o título da terra para agricultores de Ulianópolis

 

E assista ao vídeo sobre o mutirão Arco Verde / Terra Legal

 

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 05:54

Julho 16 2009

ABAIXO-ASSINADO EM APOIO AO JORNALISTA PARAENSE LÚCIO FLÁVIO PINTO

 

Por Herbert Marcus.


O repórter e editor do
Jornal Pessoal, de Belém do Pará, Lúcio Flávio Pinto, foi condenado pelo juiz Raimundo das Chagas Filho, da 4ª Vara Cível da capital, a pagar uma indenização de R$ 30 mil aos irmãos Romulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana, proprietários das Organizações Romulo Maiorana, uma das empresas de comunicação mais influentes da Região Norte, cuja emisssora de TV é afiliada à Rede Globo. A sentença, expedida no último dia 6 de junho de 2009, refere-se a uma das quatro ações indenizatórias movidas pelos irmãos contra o jornalista que, em 2005, publicou artigo em um livro organizado pelo jornalista italiano Maurizio Chierici, depois reproduzido no Jornal Pessoal, no qual abordava as atividades de contrabandista do fundador das ORM, Romulo Maiorana, nos anos de 1950, o que teria motivado a ação, pois os irmãos consideraram ofensivo o tratamento dispensado à memória do pai. Além da indenização por supostos danos morais, o juiz ainda obriga o jornalista a não mais referir-se aos irmãos em seus próximos artigos.

Lúcio Flávio Pinto, de 59 anos, em quatro décadas de jornalismo é um dos profissionais mais respeitados no Brasil e no exterior. Seu Jornal Pessoal resiste, de forma alternativa, há 22 anos, sem aceitar patrocínio ou anúncios, garantindo a independência de seu editor frente aos temas públicos do Pará, sobretudo na seara política. Por sua atuação intransigente frente aos desmandos políticos, às injustiças sociais e ao desrespeito aos direitos humanos, recebeu prêmios internacionais importantes: em 1997, em Roma, o prêmio Colombe d’oro per La Pace; e em 2005, em Nova Iorque, o prêmio anual do CPJ (Comittee for Jornalists Protection). Além disso, é premiado com vários Esso. É também autor d e 14 livros, tendo como tema central a Amazônia, sendo os mais recentes “Contra o Poder”, “Memória do Cotidiano” e “Amazônia Sangrada (de FHC a Lula)”.

Esse fato demonstra o que significa fazer jornalismo de verdade na capital do Pará: uma condenação.

Por isso, nós, abaixo-assinados, solidarizamo-nos com Lúcio Flávio Pinto, pedindo a revisão de sua condenação em nome da democracia e da liberdade de pensamento. 
  

Para assinar basta postar um comentário com seu nome e RG

MANIFESTAÇÃO CONCRETA DE SOLIDARIEDADE 
 

 

Amigos e colegas de Lúcio Flávio Pinto estão articulando uma campanha de solidariedade financeira, que já tomou forma na web (aqui e aqui).

Voce pode também ajudar o Jornal Pessoal, depositando qualquer valor na seguinte conta: 
  

UNIBANCO (banco 409)
Conta: 201.512-0
Agência: 0208
CPF: 610.646.618-15

No caminho com Maiakóvski

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
 

(Eduardo Alves da Costa)
 

___________________________________________________

  

PS: destaquei um comentário interessante do blog do Idelber Avelar, "Jornal Pessoal. A Utopia do jornalismo, 19 depois", onde Lúcio conta um pouco mais sobre a  história do JP:

 

#59

 

Idelber, ao falar a cultura da doação americana, você foi direto à origem do Jornal Pessoal. Num artigo escrito em 2006, por ocasião do aniversário da publicação - A utopia do jornalismo, 19 anos depois - http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=398IMQ002 - o Lúcio Flávio contou que tinha ultrapassado a longevidade de sua inspiração, o I.F. Stone's Weekly, que começou a circular em janeiro de 53 e foi até 71. A newsletter começou com 5.300 assinantes (entre eles Einstein e Eleanor Roosevelt) e tinha 66 mil quando terminou. O texto é uma belíssima reflexão sobre o jornalismo.

 

marcus fidelis em julho 14, 2009 4:41 AM

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 04:02

Julho 14 2009

 

arco-iris-2187

 

Minha homenagem:

 

Simplesmente Ju. Era como,  de vez em quando, eu chamava Juvêncio de Arruda, editor do blog Quinta Emenda e mestre dos blogueiros paraenses (políticos, professores, profissionais liberais, estudantes etc), que sempre se divertia com o trocadilho. Juvêncio de Arruda partiu no início da tarde desta segunda-feira (13), aos 54 anos anos, depois de lutar corajosamente contra um cancêr que o pegou de surpresa nas últimas semanas. O economista, cientista político e publicitário (que fazia mestrado em Ciências Políticas na UFPA) deixou a família, os amigos, a blogosfera, a cidade e o Estado sentido-se orfãos deste grande homem, desta voz que será eternamente lembrada por todos que se acostumaram a visitar o seu concorrido blog, já atualizado nas primeiras horas da manhã. 

 

Comentava com a minha amiga Nerusa, voltando do trabalho, o quanto a notícia tinha me abalado. No mesmo instante, um lindo arco-íris apareceu na nossa frente, formando um sorriso enviesado... Mais do que um sinal, era a certeza de que o Ju estava lá em cima, triste de saudade e feliz de saber o quanto é amado por tantos aqui neste Parazão que ele adorava e onde as pessoas aprenderam a ouvir suas críticas certeiras e, ao mesmo tempo, amáveis. Um pouco depois, uma chuva caia lenta e persistente, como as lágrimas dos que, pouco a pouco, tomavam conhecimento da sua partida. Foram os blogs que ele tanto amava que primeiro deram a notícia que ninguém queria ouvir... Acredito que a corrente de fé, de orações e de boas energias, formada nos últimos dias por familiares, amigos e admiradores, o auxiliará na passagem para esta nova fase de sua existência.  

 

Ficaremos com muita saudade do "estilo Ju de ser": da crítica construtiva, da constância nos posts, da criatividade nos títulos, da elegante ironia em resposta aos comentaristas mais exaltados, do carinho por todos, das notícias em primeira mão, do pedido de desculpa pela informação incorreta ou palavra mal colocada... Acima de tudo, o estilo dos que não se calam diante do que está errado. Maior exemplo disso foi ele ter publicado, a menos de uma semana, com todas as limitações físicas, a carta do jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, uma prova da indignação que Juvêncio sentia ao ver uma injustiça sendo cometida: Lúcio Flávio tem razão. Fiquei comovida com esta atitude dele.

 

Acredito que, pessoalmente, ele deveria ser muito divertido e uma ótima companhia, que, infelizmente, pouco desfrutei. Mas, como tantos, aprendi a respeitá-lo neste anos de convívio quase que 100% virtual. A única vez que vi o Juvêncio foi no encontro de blogueiros, promovido em 2007, quando tive o prazer de ouvi-lo falar sobre sua experiência de vida e como blogueiro - palavras que me inspiraram até a ser mais combativa. Com um grande sorriso ele me recebeu neste dia especial. Reproduzo, abaixo, as postagens que fiz sobre este encontro e ainda o texto que ele escreveu com todo o carinho, a meu pedido, "Festa no Interior", que sintetiza a grandeza do ser humano que ele era: sonhador, inteligente, sábio, bem humorado, inspirador, competente, artífice das palavras, príncipe das idéias, rei da blogosfera e um grande  apaixonado pelo Pará. Fica aqui minha singela homenagem ao Juvêncio, Juca, Juva ou  simplesmente Ju.

 

Siga em paz, amigo, pois cumpriste tua missão com louvor. 

 

Saudades!

 

Lu.

 

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 01:19

Julho 14 2009

Sábado, 9 de Dezembro de 2006

 INTERIORIZAÇÃO. Por Juvêncio de Arruda.

10 DESEJÁVEIS VIRTUDES PARA A POLÍTICA CULTURAL DO PT NO ESTADO
Segunda virtude: Interiorização.
Texto: Juvêncio de Arruda, economista, publicitário e cientista político.
 Link do Blog do Juvêncio, 5ª EMENDA
 

Waldemar Henrique_Paes Loureiro.jpg

 
Terça-feira, 16 de dezembro de 2007

PRÓLOGO: "Festa No Interior "

Fora de forma - deixou a secretaria de Cultura há 16 anos - o poster não se garante senão em simplesmente sugerir atenção ao Pará que poucos gestores públicos se interessam, mas onde vive 75% da população: todo e qualquer lugar fora de Nova Déli.
Juvêncio de Arruda sugere a "virtude" da distribuição, da igualdade.
O Pará, aquele do mapa no formato da galinha Knorr, está dançando.
Porque os governos, e os habitantes de Nova Déli, olham muito pro seu próprio umbigo.

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51 anos de idade, 44 andando pelo interior do Pará.
Há 20 dirigindo documentários e fazendo banco de imagens, em mais de 100 dos 143 municípios. Garanto pra voces que o estado, do ponto de vista da sua "cultura", mudou muito, mas muito.
Chegou muita gente, das mesmas regiões: Maranhão, Ceará, Goiás, Espírito Santo, Minas e sul do Brasil. Esse povo trouxe novos temperos ao caldeirão.
Vi, ouvi e cheirei todos os espaços culturais, manifestações, grandes festas, pessoas que fazem ou fizeram a cultura deste estado neste período.
Waldemar Henrique, Isoca, Noé von Atzingen, Laurimar Leal, Verequete, Haroldo Maranhão, David Miguel, Dica Frazão, Augusto Morbach, Benedito Nunes, Luiz Braga,Gileno Chaves, Paes Loureiro, Vicente Sales, Edyres Proenças, Ruy Barata e mais um cesto além de um cento de gente tão...tão...magnífica.
Aqui ou alhures, autores ou operadores, todos propositalmente misturados, porque todos vivos ou "encantados".
Na minha cabeça todos estão juntos, são juntos.
Trabalhei na secretaria da Cultura, fui conselheiro da FUNTELPA, sou conselheiro de uma escola de samba, fiz planejamento e produção cultural - concebendo, captando recursos e organizando eventos, shows, exposições e seminários na área da cultura.
Aprendi, me diverti - muito mais o segundo do que o primeiro - e conheci toda essa constelação aí de cima.
Ufa! Tá bom?
Por tudo isso, berro: vamos sair para o interior!
Com os barcos e as carretas cheias. De lonas, equipamentos e gente.
Sobe rio e "corta trecho", dia e noite
Prá cá e prá lá, sem parar.
Construindo espaços culturais; museus da imagem e do som com núcleos de produção e distribuição em áudio e vídeo; financiando instrumentos e materiais de trabalho; bancando programas de treinamento e de bolsas de estudo e pesquisa; facilitando a interface dos projetos e ações culturais com os movimentos sociais - da pastoral carcerária aos sem terra, sem esquecer indígenas e quilombolas.
Numa palavra: espaços, registro, formação e articulação.
E festa, muita festa.
Ah! sim, e que a política cultural contemple todas as manifestações e setores da cultura, ainda que devagar.
É melhor andar devagar do que pensola.
Bate esse bumbo aê, Ana Júlia...rs
 
 

Ps: Ilustrando o artigo, um pedaço da conhecida "constelação" de Juvêncio Arruda. Da esquerda para a direita, o carnavalesco Luiz Guilherme Pereira, primo do maestro Waldemar Henrique; o próprio; o poeta João de Jesus Paes Loureiro; e a moça que não consegui identificar. A foto é do arquivo pessoal de Luiz Guilherme.

 

Ps2: Há alguns anos, em entrevista, Luiz Guilherme me falou da "veia popular" de Waldemar Henrique. Em 1974, Waldemar e Paes Loureiro escreveram o samba-enredo "Marajó, Ilhas e Maravilhas", defendido pela escola de samba belenense Quem São Eles. Segundo o primo do maestro, a intenção de um grupo de artistas da época era tentar vincular "o carnaval paraense a um sentido mais amazônico". Em sua época, Waldemar não foi tão popular pelo caráter erudito de certas canções, já que naquele tempo esse tipo de música não tinha tanta penetração nos meios de massa. Sobre o assunto, mês passado tive a agradável oportunidade de conversar com Paes Loureiro, durante um evento, e ele recordou o momento da foto, quando Waldemar recebia a letra do samba.
 

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publicado por Luciane Fiuza de Mello às 03:40
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publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 01:11

Julho 14 2009

 

Terça-feira, 13 de Março de 2007
 

SIMPLESMENTE JU.

 "BLOGS": MOMENTOS DO ENCONTRO

 
Juca.jpg
                                   Juvêncio de Arruda (Juca, Juva ou simplesmente Ju)
 
Alunos da FAZ.jpg
Alunos de Comunicação Institucional da Faculdade de Tecnologia da Amazônia (FAZ) 
 
Blogs_mais fotos.jpg
Lucas Damasceno e Tricia (Assistente de Marketing da FAZ). Meus coleguinhas queridos da UFPA.
 
Blogs.jpg
Cristina Moreno (professora da FAZ e organizadora do encontro); Carol, Bethânia e Antônio Jinkings (que receberam muito bem os participantes); e Carlos Kayath.
 
Blogs_continua.jpg
O blogueiro Walter Jr (do "Caneta sem Fronteira"); Juvêncio ("5ª Emenda"); o secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Alberto Damasceno; e José Augusto Fernandes, presidente da Mantenedora da FAZ. 


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publicado por Luciane Fiuza de Mello às 02:47
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Sábado, 10 de Março de 2007

Blogs 2 - O Encontro.

Yuri Guedelha.JPG 
 
Super agradável! Posso definir assim a noite de ontem. Promovido pela professora Cristina Moreno, o "Blogs", encontro que reuniu blogueiros, amigos e alunos do curso de Comunicação Institucional da Faculdade de Tecnologia da Amazônia (FAZ), foi um sucesso total, como eu já previa. Além das ótimas colocações do palestrante da noite, o blogueiro Juvêncio de Arruda, do 5ª Emenda, o ambiente da Livraria Jinkings completou a festa, pois é muito interessante. Ficamos no Café Literário, espaço de bom gosto na decoração, na iluminação, no cardápio... E para completar a noite, apreciamos o sax de Yuri Guedelha (foto).
 
Fui com meu amigo Rubem Meireles e tive a grata satisfação de reencontrar e conhecer alguns blogueiros, entre eles, a Carol, o Pedro Nelito, o Bruno Soeiro, a Mari e o Walter Jr. Senti falta do Edyr Augusto, do Fábio Castro, do Yúdice Randol, do Augusto Barata, do Hudson Andrade e outros. Tomara que estejam no próximo encontro.
 
Juvêncio, que é economista, começou falando um pouco de sua experiência profissional, inclusive como marketeiro (ele fez campanha para todos os partidos: pense num cara "safo"... rssrsrsr). Em seguida, fez uma breve explanação sobre o papel que os blogs desempenham hoje. Ressaltando a própria evolução tecnológica, citou pesquisas que apontam a tendência de, um dia, o espaço virtual vir a suplantar os jornais tradicionais. Questões relativas ao papel do jornalista na sociedade também foram abordadas por ele.
 
Depois, alunos e demais presentes puderam fazer perguntas e falar livremente, inclusive sobre temas que dividem as opiniões da blogosfera, como a moderação de comentários nos blogs. Juvêncio de Arruda falou sobre sua experiência no 5ª Emenda e lembrou passagens polêmicas, como o caso de um político que ficou revoltado quando soube que o dono de uma agência publicitária não gostou nada do "plágio" feito por ele durante a campanha eleitoral do ano passado.  O político chegou a questionar a existência da fonte do blogueiro. Falou o que quis, ouviu o que não quis.
 
Parabenizo Cristina Moreno pela ótima organização do encontro. Pena que sai de lá com vontade de ficar. Ficamos todos com gostinho de "quero mais".  


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publicado por Luciane Fiuza de Mello às 06:16
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Do blog da jornalista Cristina Moreno, o morenocris:

Linkado no Meu Coração!

 
Juvêncio de Arruda

O primeiro encontro de blogueiros em Belém foi realizado no dia 09 de março de 2007, na livraria Jinkings, promoção da minha disciplina de Métodos e Técnicas de Pesquisa, enquanto professora na Faculdade de Tecnologia da Amazönia. O palestrante convidado foi um economista por formação, o blogueiro Juvêncio de Arruda, do Quinta Emenda. 'Não sou jornalista. Eu trabalho há 20 anos na comunicação. Fiz o mestrado em Comunicação Científica, mas a minha maneira de ver o mundo começa na economia.'

Na verdade, foi um longo bate-papo, mas deixo apenas uma frase de Juca pra nós:
 

'A definição, conceito mais comum que encontramos sobre Blog, são diários pessoais. É uma definição correta. Realmente eles têm uma marca autoral muito forte, muito presente. Eles são a cara do dono, mesmo quando a gente acha que não são.'


 

 

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 00:56

Julho 09 2009
 


 

 

A campanha que eu estou apoiando e convido os demais blogueiros e leitores a aderir iniciou no blog do jornalista Augusto Barata O blog da Eva Maués, Debaixo da Chuva, já aderiu. Lá diz o seguinte: 

 

"Lastimável a postura do juiz que condenou o jornalista Lúcio Flávio Pinto, editor do quinzenal Jornal Pessoal, a pagar indenização por danos morais aos irmãos Ronaldo e Rômulo Maiorana no valor de R$ 30 mil.
 

Um comentarista de um blog paraense sugeriu que aderíssemos à campanha da moedada. Explico: todos os solidários ao Lúcio, que já provou não ter condições de arcar com tal despesa, podem doar moedas para que os R$ 30 mil sejam pagos em moedas de R$ 0,10. Já gostei e reforço aqui no blog a campanha. Vamos todos juntar as 300 mil moedas necessárias ao troco para os Maiorana".

 

Lúcio Flávio Pinto, estamos todos contigo e contra esta Justiça corrompida que envergonha a gente. Que este juiz absurdo sinta o peso da injustiça que está cometendo.

 

Lu.

 

PS: mais sobre o assunto no post abaixo.

 

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 14:44
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Julho 08 2009

"AO CARO LEITOR

"Li com estupefação, perplexidade e indignação a sentença que ontem me impôs o juiz Raimundo das Chagas, titular da 4ª vara cível de Belém do Pará. Ao fim da leitura da peça, perguntei-me se o magistrado tem realmente consciência do significado do poder que a sociedade lhe delegou para fazer justiça, arbitrando os conflitos, apurando a verdade e decidindo com base na lei, nas evidências e provas contidas nos autos judiciais, assim como no que é público e notório na vida social. Ou, abusando das prerrogativas que lhe foram conferidas para o exercício da tutela judicial, utiliza esse poder em benefício de uma das partes e em detrimento dos direitos da outra parte.
 

"O juiz deliberou sobre uma ação cível de indenização por dano moral que contra mim foi proposta, em 2005, pelos irmãos Romulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana, donos da maior corporação de comunicação do norte do país, o Grupo Liberal, afiliado à Rede Globo de Televisão. O pretexto da ação foi um artigo que escrevi para um livro publicado na Itália e que reproduzi no meu Jornal Pessoal, em setembro daquele ano.
 

 

"O magistrado acolheu integralmente a inicial dos autores. Disse que, no artigo, ofendi a memória do fundador do grupo de comunicação, Romulo Maiorana, já falecido, ao dizer que ele atuou como contrabandista em Belém na década de 50. Condenou-me a pagar aos dois irmãos indenização no valor de 30 mil reais, acrescida de juros e correção monetária, além de me impor o pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, arbitrados pelo máximo permitido na lei, de 20% sobre o valor da causa.
 

"O juiz também me proibiu de utilizar em meu jornal 'qualquer expressão agressiva, injuriosa, difamatória e caluniosa contra a memória do extinto pai dos requerentes e contra a pessoa destes'. Também terei que publicar a carta que os irmãos Maiorana me enviarem, no exercício do direito de resposta. Se não cumprir a determinação, pagarei multa de R$ 30 mil e incorrerei em crime de desobediência.
 

"As penas aplicadas e as considerações feitas pelo juiz para justificá-las me atribuem delitos que não têm qualquer correspondência com os fatos, como demonstrarei.
 

"O juiz alega na sua sentença que escrevi o artigo movido por um “sentimento de revanche” contra os irmãos Maiorana. Isto porque, 'meses antes de tamanha inspiração', me envolvi 'em grave desentendimento' com eles.
 

"O 'grave desentendimento' foi a agressão que sofri, praticada por um dos irmãos, Ronaldo Maiorana. A agressão foi cometida por trás, dentro de um restaurante, onde eu almoçava com amigos, sem a menor possibilidade de defesa da minha parte, atacado de surpresa que fui. Ronaldo Maiorana teve ainda a cobertura de dois policiais militares, atuando como seus seguranças particulares. Agrediu-me e saiu, impune, como planejara. Minha única reação foi comunicar o fato em uma delegacia de polícia, sem a possibilidade de flagrante, porque o agressor se evadiu. Mas a deliberada agressão foi documentada pelas imagens de um celular, exibidas por emissora de televisão de Belém.
 

"O artigo que escrevi me foi encomendado pelo jornalista Maurizio Chierici, para um livro publicado na Itália. Quando o livro saiu, reproduzi o texto no Jornal Pessoal, oito meses depois da agressão.
 

"Diz o juiz que o texto possui 'afirmações agressivas sobre a honra' de Romulo Maiorana pai, tendo o 'intuito malévolo de achincalhar a honra alheia', sendo uma 'notícia injuriosa, difamatória e mentirosa'.
 

"A leitura isenta da matéria, que, obviamente, o magistrado não fez, revela que se trata de um pequeno trecho inserido em um texto mais amplo, sobre as origens do império de comunicação formado por Romulo Maiorana. Antes de comprar uma empresa jornalística, desenvolvendo-a a partir de 1966, ele estivera envolvido em contrabando, prática comum no Pará até 1964. Esse fato é de conhecimento público, porque o contrabando fazia parte dos hábitos e costumes de uma região isolada por terra do restante do país. O jornal A Província do Pará, um dos mais antigos do Brasil, fundado em 1876, se referiu várias vezes a esse passado em meio a uma polêmica com o empresário, travada em 1976.
 

"Três anos antes, quando se habilitou à concessão de um canal de televisão em Belém, que viria a ser a TV Liberal, integrada à Rede Globo, Romulo Maiorana teve que usar quatro funcionários, assinando com eles um “contrato de gaveta” para que aparecessem como sendo os donos da empresa habilitada e se comprometendo a repassar-lhe de volta as suas ações quando fosse possível. O estratagema foi montado porque os órgãos de segurança do governo federal mantinham em seus arquivos restrições ao empresário, por sua vinculação ao contrabando, não permitindo que a concessão do canal de televisão lhe fosse destinado. Quando as restrições foram abolidas, a empresa foi registrada em nome de Romulo.
 

"Os documentos comprobatórios dessa afirmação já foram juntados em juízo, nos processos onde os fatos foram usados pelos irmãos Maiorana como pretexto para algumas das 14 ações que propuseram contra mim depois da agressão, na evidente tentativa de inverter os pólos da situação: eu, de vítima, transmutado à condição de réu.
 

"Todos os fatos que citei no artigo são verdadeiros e foram provados, inclusive com a juntada da ficha do SNI (Serviço Nacional de Informações), que, na época do regime militar, orientava as ações do governo. Logo, não há calúnia alguma, delito que diz respeito a atribuir falsamente a prática de crime a alguém.
 

"Quanto ao ânimo do texto, é evidente também que se trata de mero relato jornalístico, uma informação lateral numa reconstituição histórica mais ampla. Não fiz nenhuma denúncia, por não se tratar de fato novo, nem esse era o aspecto central do artigo. Dele fez parte apenas para explicar por que a TV Liberal não esteve desde o início no nome de Romulo Maiorana pai, um fato inusitado e importante, a merecer registro.
 

"O juiz justificou os 30 mil reais de indenização, com acréscimos outros, que podem elevar o valor para próximo de R$ 40 mil, dizendo que a 'capacidade de pagamento' do meu jornal 'é notória, porquanto se trata de periódico de grande aceitação pelo público, principalmente pela classe estudantil, o que lhe garante um bom lucro'.
 

"Não há nos autos do processo nada, absolutamente nada para fundamentar as considerações do juiz, nem da parte dos autores da ação. O magistrado não buscou informações sobre a capacidade econômica do Jornal Pessoal, através do meio que fosse: quebra do meu sigilo bancário, informações da Receita Federal ou outra forma de apuração.
 

"O público e notório é exatamente o oposto. Meu jornal nunca aceitou publicidade, que constitui, em média, 80% da fonte de faturamento de uma empresa jornalística. Sua receita é oriunda exclusivamente da sua venda avulsa. A tiragem do jornal sempre foi de 2 mil exemplares e seu preço de capa, há mais de 12 anos, é de 3 reais. Descontando-se as comissões do distribuidor e do vendedor (sobretudo bancas de revista), mais as perdas, cortesias e encalhes, que absorvem 60% do preço de capa, o retorno líquido é de R$ 1,20 por exemplar, ou receita bruta de R$ 2,4 mil por quinzena (que é a periodicidade do jornal). É com essa fortuna que enfrento as despesas operacionais do jornal, como o pagamento da gráfica, do ilustrador/diagramador, expedição, etc. O que sobra para mim, quando sobra, é quantia mais do que modesta.
 

"Assim, o valor da indenização imposta pelo juiz equivale a um ano e meio de receita bruta do jornal. Aplicá-la significaria acabar com a publicação, o principal objetivo por trás dessas demandas judiciais a que sou submetido desde 1992.
 

"Além de conceder a indenização requerida pelos autores para os supostos danos morais que teriam sofrido por causa da matéria, o juiz me proibiu de voltar a me referir não só ao pai dos irmãos Maiorana, mas a eles próprios, extrapolando dessa forma os parâmetros da própria ação. Aqui, a violação é nada menos do que à constituição do Brasil e ao estado democrático de direito vigente no país, que vedam a censura prévia. A ofensa se torna ainda mais grave e passa a ter amplitude nacional e internacional.
 

"Finalmente, o magistrado me impõe acatar o direito de resposta dos irmãos Maiorana, direito que eles jamais exerceram. É do conhecimento público que o Jornal Pessoal publica – todas e por todo – as cartas que lhe são enviadas, mesmo quando ofensivas. Em outras ações, ofereci aos irmãos a publicação de qualquer carta que decidissem escrever sobre as causas, na íntegra. Desde que outra irmã iniciou essa perseguição judicial, em 1992, jamais esse oferecimento foi aceito pelos Maiorana. Por um motivo simples: eles sabem que não têm razão no que dizem, que a verdade está do meu lado. Não querem o debate público. Seu método consiste em circunscrever-me a autos judiciais e aplicar-me punição em circuito fechado.
 

Ao contrário do que diz o juiz Raimundo das Chagas, contrariando algo que é de pleno domínio público, o Jornal Pessoal não tem “bom lucro”. Infelizmente, se mantém com grandes dificuldades, por seus princípios e pelo que é. Mas dispõe de um grande capital, que o mantém vivo e prestigiado há quase 22 anos: é a sua credibilidade. Mesmo os que discordam do jornal ou o antagonizam, reconhecem que o JP só diz o que pode provar. Por assim se comportar desde o início, incomoda os poderosos e os que gostariam de manipular a opinião pública, conforme seus interesses pessoais e comerciais, provocando sua ira e sua represália. A nova condenação é mais uma dessas vinganças. Mas com o apoio da sociedade, o Jornal Pessoal sobreviverá a mais esta provação.

"Belém, 7 de julho de 2009

"Lúcio Flávio Pinto"

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 03:55

Julho 07 2009

 

 Soube agora a pouco que um dos melhores e mais festejados blogueiros da terra, Juvêncio de Arruda, passa por problemas de saúde .

 

Quero deixar meu carinho e boas vibrações para que ele se recupere plenamente e que esta fase difícil passe logo. 

 

Muita gente te adora e admira, Juvêncio. Volta logo para o Quinta Emenda.

 

Um grande abraço, amigo. E conta comigo!

 

Lu. 

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 17:19
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