Simplesmente Lu

Março 07 2013
Da Redação
Agência Pará de Notícias
Atualizado em 03/03/2013 às 16:07

Jardim da Liberdade do Espaço São José Liberto. FOTO CLÁUDIO SANTOS AG. PARÁ



Um crescimento de 30% nas vendas realizadas em 2012 e de 10% no número de visitantes, em relação ao ano anterior, além de profissionais selecionados em concursos internacionais de joias e bijuterias, são alguns resultados das ações desenvolvidas no Espaço São José Liberto, onde funcionam o Museu de Gemas do Pará, o Polo Joalheiro e a Casa do Artesão.

 

Referência cultural, artística, arquitetônica e de comercialização de joias e artesanato do Pará, o São José Liberto é administrado pela Organização Social Instituto de Gemas e Joias da Amazônia (Igama), que investe em ações destinadas a estimular o crescimento de vendas e da visitação, e ampliar a participação do Polo Joalheiro em eventos comerciais nacionais e internacionais.

 

Com a parceria do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração (Seicom), o Igama firmou parcerias com a Secretaria de Estado de Turismo (Setur), a Companhia Paraense de Turismo (Paratur) e com a Associação Brasileira de Agentes de Viagens (Abav).

 

O resultado desse trabalho em conjunto está no crescimento das vendas no espaço, que totalizaram no ano passado R$ 1.652.672,55. Desse total, a loja UNA – administrada pelo Igama e que reúne os trabalhos de 40 pequenos empreendedores - foi responsável por R$ 918.574,23. O número de visitantes chegou a 288.015, uma média de 24 mil pessoas por mês, o equivalente a 10% a mais que o número registrado em 2011.

 

SURPRESAS - As amigas Érika Neves e Renata Erler (FOTO), que visitaram pela primeira vez o São José Liberto na manhã do último sábado (2), se disseram “encantadas” com o espaço e os produtos. “Todos têm de vir aqui. É surpreendente! Muito lindo mesmo!. Nunca imaginei que existia um trabalho desses aqui. Já comprei uma joia que retrata muito bem o meu Estado. Já vou trazer duas outras amigas em outubro”, declarou Érika, que é paraense mas está fora de Belém há 18 anos.

 

Renata, natural de Vitória, no Espírito Santo, também afirmou ter ficado “extasiada” com o local e as joias. “Isso aqui é maravilhoso. É muito bom ver essa transformação de um prédio que era um presídio, que lembra violência, em um local de coisas lindas como estas joias e artesanato. A gente se surpreende com este local”, ressaltou.

 

No São José Liberto funcionam seis lojas de venda de joias, ocupadas por várias pequenas empresas. Uma delas, a Belém da Saudade, comercializa joias antigas. A proprietária, Conceição Souza, informou que o movimento é grande na loja. “A receptividade é muito boa. São joias que fazem as pessoas recordar o passado, pois são difíceis de encontrar. As pessoas vêm aqui comprar essas joias porque gostam, e ainda há aqueles que compram para dizer que são joias de família, que pertenciam aos bisavós”, contou.

 

Conceição Souza, proprietária da Loja Belém da Saudade. FOTO CLÁUDIO SANTOS AG. PARÁ

 

PREMIAÇÕES – O reconhecimento ao trabalho desenvolvido no Polo Joalheiro se reflete, também, na projeção que os profissionais vinculados ao espaço vêm angariando, dentro e fora do país, nos segmentos joalheiro e artesanal.

 

Em 2012, quatro designers vinculados ao Polo foram selecionados no concurso internacional Bijoux d’Autore 2012, realizado na Itália. Entre as quatro selecionadas, Nilma Arraes ficou entre as 10 primeiras colocadas. As demais selecionadas foram Bárbara Muller, Mônica Matos e Marcilene Rodrigues.

 

No maior concurso internacional de joias em ouro, o AngloGold Ashanti AuDITIONS, promovido pela mineradora AngloGold Ashanti, da África do Sul, a designer paraense Selma Montenegro, natural de Afuá, no Arquipélago do Marajó, ficou entre as 18 finalistas, com o colar denominado “Açaí” . Em agosto, o Espaço São José Liberto receberá a exposição das joias vencedoras do concurso.

 

Na área de artesanato, a peça “Bufalo Montado”, do mestre Darlindo Oliveira Pinto, natural de Monte Alegre, no oeste paraense, foi agraciada com o certificado da terceira edição do “Reconhecimento de Excelência da Unesco para os produtos artesanais do Mercosul+”. Darlindo Oliveira é um dos mestres balateiros – profissionais que fazem miniaturas com a balata, uma goma elástica semelhante à seiva da seringueira -, que comercializam suas peças na Casa do Artesão.

 

Joias e artesanato do Espaço São José Liberto receberam premiações em 2012.

FOTO CLÁUDIO SANTOS AG. PARÁ

 

EIXOS - Rosa Helena Neves (FOTO), diretora executiva do Igama, ressaltou que o reconhecimento desse trabalho é fruto de três eixos de atuação. “Capacitação e inovação tecnológica, promoção de ações dentro e fora do espaço e a preservação do espaço. As joias produzidas aqui já têm uma identidade. Elas são culturais e históricas. O designer imprime nas joias os símbolos e ícones da região amazônica, numa perspectiva contemporânea, enfatizando a sustentabilidade, que é um tema atual. A joia paraense tem uma tradução de tudo o que somos na Amazônia. Ela mostra para o mundo a universalização da região”, explicou a diretora.

 

Segundo ela, 50% dos visitantes do espaço compram joia ou artesanato, ou peças dos dois segmentos. No São José Liberto também são comercializados acessórios de moda, setor incentivado pela parceria com instituições de ensino superior, como a Universidade do Estado do Pará (Uepa), a Universidade da Amazônia (Unama), a Faculdade do Pará/Estácio (FAP) e o Instituto de Estudos Superiores da Amazônia (Iesam), visando a formação de novos profissionais.

 


Texto:
Antenor Filho - Secom
Fone: (91) 3202-0912 /  (91) 8122-5456
Email: antenorfilho@agenciapara.com.br

 

Secretaria de Estado de Comunicação
Rodovia Augusto Montenegro, km 09 - Coqueiro - Belém - PA CEP.: 66823-010
Fone: (91) 3202-0901
Site: www.agenciapara.com.br Email: gabinete@secom.pa.gov.br

FONTE: Agência Pará de Notícias
publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 13:27

Novembro 13 2012

Colar Vita Opressa, criação de Bárbara Müller. FOTO: divulgação Bijoux D'Autor

 

Quatro designers vinculadas ao Polo Joalheiro do Pará estão entre os 45 artistas selecionados no concurso internacional “Bijoux d’Autore 2012”, realizado na Itália. Bárbara Müller, Marcilene Rodrigues, Mônica Matos e Nilma Arraes terão seus trabalhos, com temática e matéria prima da Amazônia, expostos em Roma, neste mês de novembro, e em fevereiro de 2013 no Museo del Bijou di Casalmaggiore, cidade da Província de Cremona, no norte da Itália.

 

As profissionais paraenses foram selecionadas entre 90 inscritos, por dois júris – um técnico científico e outro de observadores, formados por 14 jurados. Os vencedores serão anunciados entre 22 e 25 deste mês, período em que as peças participarão da exposição na capital italiana.

 

Sob a coordenação de Norma De Lucia, o concurso é promovido pela Associação Incontri e Eventi, sediada em Roma, responsável por concursos e exposições de artesanato e obras de arte. Segundo os organizadores, o “Bijoux d’Autore” valoriza os aspectos criativo, artístico e artesanal das peças inscritas.

 

O objetivo é estimular a confecção de peças com design e baseada em pesquisa de materiais, além de revitalizar estilos e materiais utilizados nas bijuterias, que são ornamentos antigos, mas sempre se renovam de acordo com as tendências e descobertas do mercado da moda.


A gema vegetal de açaí, criação de Paulo Tavares, é destaque do pingente Curuatá. FOTO: divulgação Bijoux D'Autore

 

LIBERDADE - Segundo Mônica Matos, participar do concurso foi a possibilidade de fazer uma peça com tema livre, usando materiais não preciosos – um dos critérios do concurso. Ela é autora do pingente “Curuatá”, nome do invólucro que protege os frutos das palmeiras e também serve de recipiente para índios e ribeirinhos, que colocam dentro dele os frutos coletados na floresta.

 

Na peça – que traz ainda cobre e fibra de miriti, tingida com pigmento extraído do mogno -, o fruto principal é o açaí, representado por uma gema vegetal feita do pigmento natural extraído do fruto. As gemas vegetais resultam de pesquisa e experimentos feitos pelo ourives Paulo Tavares, também vinculado ao Polo Joalheiro do Pará.

 

Para Mônica Matos, a seleção no concurso internacional “é muito significativa, pelo fato de 14 jurados italianos terem considerado as nossas peças merecedoras dessa seleção, principalmente diante do alto nível das peças que participaram”. Colar Beira de Rio, da designer Marcilene Rodrigues. FOTO: divulgação Bijoux D'Autore.

 

A designer Marcilene Rodrigues, natural de Itaituba (oeste do Pará), viu no concurso um desafio e uma oportunidade para divulgar seu trabalho e a cultura paraense. Para ela, o estímulo para participar está em todas as etapas do processo, “desde a inspiração da obra até a escolha da matéria prima , das cores e da própria confecção”.

Colar Beira de Rio, da designer Marcilene Rodrigues. FOTO: divulgação Bijoux D'Autore


CRIATIVIDADE E OUSADIA - Marcilene assina o colar “Beira de rio”, inspirado nas margens de rios e lagos do Arquipélago do Marajó, onde a mata ciliar convive de forma harmônica com o homem e animais, principalmente os búfalos. E o chifre de búfalo, verdadeiro símbolo dos campos marajoaras, é um dos elementos usados no colar, junto com a fibra de tururi (também encontrada no Marajó), tingida em tons terrosos, verde e azul.

 

“Esse reconhecimento é importante. O Brasil é diversidade pura, de uma riqueza cultural fantástica, e o Pará é um dos Estados mais genuínos. Somos ousados e criativos. Mostramos o quanto estamos nos aprimorando, ganhando um olhar de respeito sobre o nosso trabalho e a nossa cultura”, ressalta Marcilene Rodrigues.

 

Com samambaia seca, fibra de buriti, semente de paxiubão e tela de arame, a designer Bárbara Muller criou o colar “Vida Oprimida”. Segundo ela, o concurso valoriza as peças não apenas como joias ou adornos, mas como objetos de arte. Bárbara acredita que a matéria prima diferenciada e a inspiração no cenário amazônico contribuíram para destacar os trabalhos das designers paraenses.

 

Ousadia também não falta ao trabalho de Nilma Arraes, uma das veteranas do Polo Joalheiro do Pará. Nilma, que retira da biodiversidade da Amazônia a inspiração e os materiais que utiliza em suas peças, utilizou fibra de curauá e escama do peixe pirapema (espécie abundante no norte e nordeste do Brasil) na confecção de um maxicolar, denominado “Piracema”.

 Colar Escamas, de Nilma Arraes. FOTO: divulgação Bijoux D'Autore

 

“Trabalhei com a tendência dos maxicolares, visando também o local onde o concurso seria realizado. Com isso selecionei o material com os quais gosto de trabalhar, e optei pelas escamas”, conta Nilma, para quem participar de um concurso internacional é “muito representativo, pois mostra resultados de trabalhos que vêm sendo realizados pelo Programa de Gemas e Joias do Estado do Pará”.

 

O concurso internacional “Bijoux d’Autore” não oferece premiação em dinheiro. Os vencedores ganham a divulgação de seus trabalhos para o público europeu, por meio das exposições das peças, além de entrevistas concedidas a um crítico e historiador da arte, escolhido entre os membros do júri. Nesta primeira edição internacional, o concurso selecionou trabalhos enviados de vários pontos da Itália, como Milão, Firenze, Gênova e Torino, e de outros países, como Brasil e Venezuela.

 

As peças selecionadas já estão disponíveis no site dos promotores do concurso - http://www.incontrieventi.it/bijoux-dautore.html

 

Ascom/Igama

 

FONTE: http://blog.saojoseliberto.com.br/2012/11/designers-do-polo-joalheiro-sao.html

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 17:01

Setembro 21 2012


Capa da Revista "História em Quadrinhos do Círio de Nazaré", do quadrinista paraense Luiz Pinto

 

Históricas, cômicas, romanceadas ou repletas de aventuras, as Histórias em Quadrinhos estabelecem uma relação direta e imediata com o leitor. Rica em imagens e com textos dinâmicos, expressos principalmente nos diálogos, as HQs têm legiões de fãs em todos os continentes. E foi pensando nessa facilidade de comunicação da chamada “nona arte”, que o quadrinhista paraense Luiz Pinto, após longa trajetória como chargista e cartunista, idealizou a História em Quadrinhos do Círio de Nazaré, obra que ele autografa neste sábado (22), a partir das 16h30, no Ponto do Autor, dentro da programação da XVI Feira Pan-amazônica do Livro. O evento, realizado pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura (Secult), acontece no Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, até 30 de setembro, e deve receber cerca de 450 mil visitantes.

 

O projeto de transpor para a linguagem dos quadrinhos a história da devoção a Nossa Senhora de Nazaré, iniciada em Portugal e que chegou ao Pará há mais de dois séculos, foi um verdadeiro desafio para Luiz Pinto. A primeira edição, publicada em 1993, ano do Círio 200, saiu encartada em uma revista da Agência Ver Editora, em preto e branco. Depois, ainda pela mesma editora, a revista foi publicada apenas com a capa colorida.

 

A edição que será autografada na Feira do Livro, revista, ampliada e colorida, foi impressa em 2011, com o apoio do Governo do Estado, por meio da Companhia Paraense de Turismo (Paratur). Todo o trabalho de colorização, feito pelo próprio autor, levou quase 10 meses para ser concluído. Luiz aproveitou a nova edição para fazer ajustes em algumas páginas, que na primeira edição ficaram com excesso de texto. As páginas foram redesenhadas, e as mudanças podem ser vistas nas páginas finais, nas quais ele explica o motivo e a ampliação realizada.

 

“Essas alterações foram necessárias para recuperar a agilidade e a objetividade da linguagem dos quadrinhos. A transformação em duas páginas recobrou essa característica fundamental na leitura de HQ”, ressalta Luiz Pinto, cujo trabalho se caracteriza por ser um “quadrinho de autor”, que retrata a devoção a Nossa Senhora e o Círio e Nazaré sob a perspectiva histórica. “A História do Círio de Nazaré em Quadrinhos veio se juntar às inúmeras obras e registros feitos sobre um evento que mobiliza, a cada ano, mais de 2 milhões de pessoas. O objetivo desse trabalho é contribuir para levar essa história tão singular, que se reescreve a cada segundo domingo de outubro, a todos os leitores, especialmente às crianças e adolescentes, que podem ter nos quadrinhos uma porta aberta ao conhecimento”, destaca o autor.

 

Responsável pelo roteiro, Luiz passou anos pesquisando a história do Círio e a origem dessa devoção, que começa em 1182, em terras de Portugal – país homenageado nesta edição da Feira do Livro -, com o milagre envolvendo o nobre português D. Fuas Roupinho. “É uma história fascinante, já que a imagem de Portugal seria uma cópia de Maria, esculpida na Galiléia, e teria passado pelas mãos de São Jerônimo e Santo Agostinho, escapado a perseguições e ao passar dos séculos. E isso sem contar as histórias que cercam a imagem em Belém, desde o achado até o primeiro Círio, passando por problemas políticos e polêmicas provocadas pelas mudanças ocorridas na procissão com o passar dos anos”, conta o autor.

 

Luiz Pinto faz questão de ressaltar que a revista não é direcionada apenas à população católica ou àqueles que, mesmo professando outras religiões, se identificam com o Círio e a devoção a Maria. “Sem dúvida, é uma revista feita para levar essa história a todas as camadas da população”, enfatiza.

 

O Mercado Ver-o-Peso no final do século XVIII: o primeiro "Círio de Nazaré" pelos traços de Luiz Pinto


Trajetória - Nascido em Santarém, no oeste do Pará, terra do maestro Wilson Dias da Fonseca, o “Isoca”, patrono da XVI Feira Pan-Amazônica do Livro, Luiz Antonio de Faria Pinto, 58 anos, que assina suas criações como “Luizpê”, tem uma longa trajetória no jornalismo gráfico, como diagramador, ilustrador, chargista, caricaturista e cartunista. Integrante de uma família de jornalistas e escritores, Luiz transita com desenvoltura também pela música. Trabalhou em jornais em São Paulo (SP), Salvador (BA) e em Belém (PA). Há vários anos vem se dedicando ao trabalho em quadrinhos e ao Jornal Pessoal. O projeto em curso é a História em Quadrinhos da Cabanagem, a revolução popular que tomou conta do Pará a partir de 1835.

 

“Esse também é um projeto longo, que quase concluí em 2006, mas por uma série de problemas, inclusive de saúde, ainda não pude terminar. Mas já retomei e espero lançar no próximo ano. A Cabanagem é outro tema fascinante. É um fato histórico, com nuances próprias, que certamente seduzirá os leitores na dinâmica linguagem dos quadrinhos”, diz Luiz Pinto.


Literatura e imagem - Pelo mundo afora, as histórias em quadrinhos ganham nomes e estilos diversos. Presentes em livros, revistas, álbuns ou jornais, elas recebem em Portugal o nome de Banda Desenhada, e na França, Bande Dessinée. Nos Estados Unidos, grande centro dos quadrinhos de aventura, voltadas às figuras de super-heróis, são os Comics, e no Japão, os mundialmente famosos Mangás. Para os italianos são Fumetti (alusão aos balões dos diálogos, que parecem fumaça saindo das bocas dos personagens), e para os espanhóis, os Tebeos. Na Argentina, as HQs são Historietas, em Cuba, Muñequitos, na Coreia do Sul, Manhwas, e na China, Manhuas.

 

Independentemente da forma como são conhecidas, as HQs estão presente na história do homem desde a antiguidade. Pinturas rupestres, os hieróglifos egípcios e as tapeçarias da Idade Média são considerados pelos estudiosos como a origem desse gênero de arte, que une literatura e imagens desenhadas ou pintadas. “Meu trabalho está mais voltado ao quadrinho feito na Europa. Antes de escolher um tema, estudo bastante, pesquiso vários autores, porque posso contar a história de várias formas, até com personagens fictícios, como acontece com a HQ do Círio, mas os fatos não podem ser alterados. Por isso que defino como um quadrinho de autor”, frisa Luiz Pinto.


Serviço: Sessão de autógrafos da História em Quadrinhos do Círio de Nazaré, do quadrinhista paraense Luiz Pinto. Sábado (22), das 16h30 às 18h30, no Ponto do Autor, na XVI Feira Pan-Amazônica do Livro, que acontece de 21 a 30 de setembro no Hangar. Entrada franca. Realização – Governo do Pará/Secult.

 

Fotos: Divulgação

 

Texto: Socorro Costa

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 11:11

Março 09 2012

SE VOCÊ É CONTRA A INJUSTIÇA, ACESSE TODOS COM LÚCIO FLÁVIO PINTO

 

TODOS COM LÚCIO FLÁVIO PINTO

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Lúcio Flávio Pinto e a ciência amazônica

Em manifesto de solidariedade pronunciado na noite da última terça, 06, a pesquisadora Ima Vieira, que foi diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi  entre os anos de 2005 e 2009, ressalta o diferencial do jornalismo feito por Lúcio Flávio Pinto e a sua importância para a Amazônia.

Em seu depoimento, a pesquisadora destaca a significativa produção intelectual do jornalista e a sua visão diferenciada sobre o desenvolvimento da região amazônica, que fundamenta o seu trabalho junto ao Jornal Pessoal: a defesa pela produção intensiva de conhecimento de ponta; pela distribuição e qualificação de profissionais in loco, preparados para lidar com as diversas realidades locais; e a necessidade de garantir soluções de vanguarda para garantir um crescimento econômico acompanhado da valorização do patrimônio natural e do empoderamento de seus habitantes.

Confira abaixo alguns trechos do discurso de Vieira e clique aqui para ler o texto na íntegra.

O jornalista Lúcio Flavio Pinto, desde o I Simpósio Internacional da Biota Amazônica, evento realizado em 1966 em Belém (sua primeira cobertura jornalística, ainda muito jovem), fez a diferença durante sua trajetória de mais de 40 anos de investigação jornalística. Ele é um dos principais conhecedores das questões ambientais e de conflitos de terra na Amazônia, além de outros assuntos, é claro, produzindo análises contundentes sobre a região.

Sua visão é ambiciosa, quer que a Amazônia vire um celeiro de produção científica e aplicação tecnológica moderna, possibilitando que a região periférica obtenha uma nova posição no mundo. Ele quer ver a valorização da via de acesso pelos rios. Tem propostas concretas de projetos científicos para a região – como os kibutz científicos.

Lúcio Flávio tem sido um crítico minucioso de todos os planos insanos e mirabolantes que já houve para a Amazônia, desde o Instituto da Hiléia, passando pelos projetos Jari, Calha Norte, SIVAM, Carajás, Tucuruí, Belo Monte. É um dos maiores inimigos da forma como as estradas cortam esse território.

A história da Amazônia após os anos 1970 não pode ser escrita sem mencionar os 12 livros que Lúcio Flávio escreveu e as centenas de edições do Jornal Pessoal e da Agenda Amazônica. Lúcio é corajoso, um estudioso da região e um incansável divulgador da verdade sobre o que acontece na Amazônia, com seu povo e o patrimônio público. Por isso, está sendo implacavelmente perseguido. Por isso, os arrogantes e poderosos (sejam juízes, empresários e os ditos donos das terras públicas da Amazônia) os ameaçam de todas as formas.

Como Lúcio conseguiu fazer tudo isso? A compulsão pela leitura, a disposição para estudar e colecionar documentos, o conhecimento obtido em viagens pelo interior da Amazônia e pelo exterior, a formação de sociólogo, o exercício diário da reportagem investigativa, a convivência com cientistas e técnicos, o respeito pelo conhecimento erudito e popular. Mas, ele age, principalmente, por entender o jornalismo como uma missão social, a olhar criticamente as experiências do cotidiano“.

Copie e compartilhe o link para o texto: http://somostodoslucioflaviopinto.files.wordpress.com/2012/03/lucio-flavio-pinto-e-a-cic3aancia-amazc3b4nica-final-_1_.pdf

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Arquivado em Manifestos de Solidariedade

Lúcio Flávio Pinto no Yahoo!: O tiro pela culatra do juiz

Texto publicado em Cartas da Amazônia, blog de Lúcio Flávio Pinto no Yahoo!, na noite da última quarta, 07:

Desde que a ministra Eliana Calmon, corregedora-chefe do Conselho Nacional de Justiça, disse que há bandidos de toga no judiciário, ninguém provocou tanta celeuma quanto o juiz da 1ª vara cível de Belém do Pará. O que Amílcar Roberto Bezerra Guimarães disse no seu blog pessoal na internet está rodando e espantando o mundo.

Exagero?

O distinto leitor que revolva sua memória atrás do registro de um magistrado que, no pleno exercício do seu ofício (ou múnus, como se diz do juridiquês), haja declarado:

— Que não acredita na justiça.
— Que considera válido resolver diferenças e litigâncias à base da violência (ou, conforme ele disse: dos sopapos).
— Que interpreta como benesse o que devia ser a pena máxima na carreira jurídica: a aposentadoria compulsória com rendimentos proporcionais ao tempo de serviço para os maus juízes.
— Que trata a parte, já submetida à sua tutela jurisdicional ou ainda dela dependente, com o uso de expressões como babaca, pateta, canalha e covarde.

O que um ou outro magistrado disse alguma vez, em geral por inadvertência (e depois desmentiu), o juiz Amílcar afirmou de uma só vez, com todas as letras, sem tergiversações. Disse, confirmou, reafirmou e aditou novas declarações e expressões chocantes ao repertório inicial de barbaridades.

Antes que pudessem ser analisadas, suas sandices provocaram surpresa, estupor, espanto, choque. O cidadão comum provavelmente jamais imaginou que tais considerações pudessem sair da mente e atravessar a boca e a ponta dos dedos de um juiz. Daí o título do meu artigo anterior: “Isto é um juiz?”.

É. Mas já não devia ser. Alguma providência devia ter sido tomada pelo canal competente para afastar Amílcar Guimarães do exercício de uma importante vara cível na 10ª maior capital do país, com 1,5 milhão de habitantes.
Esse juiz encerrou a mensagem no seu facebook, em si uma anomalia, por se constituir de notas mundanas, pedindo ao seu contendor, que é este escriba: ”Eu quero me aposentar. bem que esse otário do LFP poderia fazer uma reclamação no CNJ. Juro que não me defendo e aceito a aposentadoria agora. Me ajuda, babaca!!!!!!”

Confesso ser essa a primeira vez que me tratampor babaca. Não faço jus ao título, depois de 46 anos de jornalismo. Por isso, não cometerei a babaquice de dar ao juiz o que ele quer, aquilo pelo qual implora (não é o sentido de tantos acentos de exclamação?).

Ser chamado de babaca não me ofende. Mas é um escárnio à Lei Orgânica da Magistratura Nacional. Ela já era considerada inadequada, ultrapassada, incapaz de funcionar como instrumento de autocontrole do poder judiciário.

Agora ficou inútil. Foi rasgada e atirada ao fogo pelo juiz Amílcar Guimarães. E o Conselho Nacional de Justiça, executor desse regulamento, se transformou em figura de retórica, ocioso, obsoleto.

No início de um ciclo de escândalos, que, nos últimos anos, projetou a justiça do Pará como uma das mais tristemente famosas do país, uma recém-promovida desembargadora ganhou a sinecura que fascina o juiz.

Foi mandada para casa, sem precisar mais trabalhar, com salário superior a 20 mil reais por mês. A causa da sua aposentadoria compulsória: Tereza Murrieta sacava, como se fora seu, dinheiro depositado em banco estadual, em nome da justiça, por efeito de demandas que tramitavam pela vara da qual ela era titular. O estelionato foi premiado.

Depois que suas palavras incendiaram a rede mundial de computadores, Amílcar Martins se defendeu ao seu estilo. Disse que se eu podia “satanizá-lo”, declarando-o corrupto, ele, no exercício do mesmo direito de expressão, podia me chamar de canalha, covarde, babaca.

Eu nunca o chamei de corrupto nem disse que ele vendeu sua sentença iníqua, ilegal. Se tivesse provas ou informações seguras de que ele recebeu dinheiro para lavrar aquela “coisa”, eu o denunciaria por esse cometimento. Mas, sem provas, nada declarei.

Só afirmo o que posso provar. Por isso nunca fui desmentido em toda a minha carreira profissional. É o meu maior patrimônio.

Eu disse que a sentença era ilegal porque ele já não tinha mais identidade física com o processo. Para suprir essa falha, fraudou a data da sentença, dando-a como do dia 17, quando era do dia 21, segundo dia de função no cargo da juíza titular, que ele substituíra por um único dia.

Provas da fraude: certidão do secretário do cartório, que tem fé pública, e atestado sobre as datas fornecido pelo departamento de informática do tribunal.

Em sua defesa, o juiz estabanado diz que decidiu dar a sentença para aproveitar a oportunidade que o meu “caso” lhe oferecia. Era uma ação de indenização por dano moral, proposta no ano 2000 por aquele que os órgãos do governo, de forma unânime, classificam como o maior grileiro do Brasil.

O empresário Cecílio do Rego Almeida (falecido em março de 2008, mas que permaneceu como autor da ação, sem sucessor habilitado, até o final de 2010, dois anos e meio depois) queria ficar com 4,7 milhões de hectares de terras, rios, florestas e tudo maior. Ou 47 mil quilômetros quadrados, área 25 vezes maior do que a do município de São Paulo, onde vivem 11 milhões de pessoas. Equivalente a 8º do Pará, o segundo maior Estado da federação brasileira.

Há muito tempo o juiz tinha ideias supostamente próprias e originais sobre a liberdade de imprensa. Com aquele processo subitamente nas suas mãos, iria pôr em prática suas libações jurídicas.

Por isso sua espantosa declaração à Folha de S.Paulo de que me condenou sem ler o conteúdo daqueles autos, com 400 páginas de provas e argumentações. O juiz tinha interesse pessoal na causa, como confessou ao ser por mim interpelado perante a corregedoria de justiça, em 2006, ano da condenação.

Além de fraudar os autos com a sentença ilegal e adulterada, decidiu na ignorância do que havia naquelas 400 folhas. O processo foi estuprado duas vezes por aquele que devia ser o seu guardião. Foi sentença em vôo cego. A primeira confessada de público. Antes, delas só se sabia por murmúrios.

Mas se o juiz já tinha sua tese revolucionária sobre a liberdade de imprensa na ponta da língua, por que não pediu o processo na quinta-feira? Por que só o fez no dia seguinte, o último da sua interinidade na 4ª vara, depois das 10 da manhã de uma sexta-feira, o consagrado dia nacional da cerveja (que ele bebe e posta foto bebendo) no Brasil?

E por que, deixando a iniciativa para a undécima hora, não a executou antes das 20 horas daquela sexta-feira, 17 de junho de 2006, quando terminava o expediente forense? Se respeitasse o horário, mesmo sentenciando de forma controversa, teria agido dentro da lei. Ora, a lei, diria o juiz. Ela, ao perdedor, parafraseando por inversão o velho Machado de Assis.

Ou a inspiração veio de forma súbita? Quem sabe, durante uma partida de tênis jogada na véspera do dia derradeiro da interinidade, quando o juiz testou sua maestria com a raquete se defrontando com outro bom jogador, também advogado e igualmente interessado na causa, numa das quadras da Assembléia Paraense, o clube aristocrático de Belém?

Dá para pensar nisso. Pode ter sido por um ato falho que o juiz me desafiou a medirmos forças numa partida de tênis, ao invés de me aplicar sopapos. Aplaudiu os sopapos que o advogado (e dono do grupo Liberal de comunicações, afiliado à Rede Globo de Televisão) Ronaldo Maiorana me desferiu, com a cobertura de dois Policiais Militares, transformados em seus seguranças particulares.

Um juiz de direito, árbitro das divergências pelo cumprimento da letra da lei, como tem que ser nos regimes democráticos, dos quais a justiça é a base principal, a favor da violência.

O juiz é megalomaníaco e mentiroso. Suas mensagens chocantes servem de advertência para os que querem evitar um controle externo do poder judiciário de verdade. Sem esse controle, novos juízes como Amílcar Guimarães vão aparecer. E se multiplicar como praga daninha.

2 Comentários

Arquivado em O que Lúcio nos diz

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 15:14

Fevereiro 26 2011

Sobre o assunto tratado no post Decisão de juiz fere liberdade de imprensa, o jornalita Lúcio Flávio Pinto faz os seguintes esclarecimentos: 

 

NOTA À IMPRENSA – Lúcio Flávio Pinto – Belém, 25/02/2011

 

Hoje, aproximadamente às 18 horas, um oficial de justiça me entregou despacho do juiz Antonio Carlos Almeida Campelo, do qual dei ciência. Nesse despacho, datado deste mesmo dia, o titular da 4ª vara federal de Belém revogou parcialmente decisão que tomou no dia 22, pela qual proibiu a mim, como editor do Jornal Pessoal, de continuar a divulgar informações relativas a processo no qual dois dos proprietários do grupo Liberal, Romulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana, além de mais dois diretores da empresa, João Pojucam de Moraes e Fernando Nascimento, foram denunciados pelo Ministério Público Federal por crime contra o sistema financeiro nacional. O magistrado decidiu manter o sigilo “tão-somente quanto aos documentos bancários e fiscais constantes dos autos”.

Pela decisão fica-se agora sabendo que o sigilo foi decretado exatamente no dia em que Ronaldo, Pojucam e Fernando depuseram perante a 4ª vara, no dia 2 deste mês, embora o processo tenha sido iniciado em agosto de 2008. O juiz decidiu que o depoimento dos réus deveria ser protegido como segredo de justiça, ainda que a origem do processo seja uma ação penal pública contra pessoas que fraudaram as normas legais para se apossar de dinheiro público, os incentivos fiscais repassados pela Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia). Todas as provas foram produzidas pela Receita Federal entre 2000 e 2002. Nenhum dos documentos, bancários e fiscais, foi obtido através de quebra de sigilo.

O juiz Antonio Campelo determinou que a revogação parcial do seu ato fosse comunicada a todos os órgãos de imprensa de Belém. A proibição atingiu apenas o Jornal Pessoal, por ter sido o único que divulgou o que ocorreu durante a audiência do dia 2. Segundo o jornal, Ronaldo Maiorana confessou a prática de fraude para a obtenção da contrapartida dos recursos fiscais administrados pela Sudam.

No despacho de revogação o magistrado anuncia que marcou a nova audiência de instrução e julgamento para 17 de maio e que mandou intimar o réu Romulo Maiorana Júniorpessoalmente por mandado com urgência”. O citado réu já faltou a três audiências, inclusive à última, à qual seu irmão, que é também seu sócio, compareceu. A audiência foi marcada em setembro do ano passado, com cinco meses de antecedência. Mesmo assim, Romulo Júnior decidiu viajar para Miami, nos Estados Unidos, só retornando a Belém cinco dias depois da audiência.

Segue-se a íntegra do despacho:

 

Chamo o feito à ordem.

Considerando que os atos judiciais, em regra, devem ser públicos e ainda que deve ser respeitado o direito à informação, REVOGO, em parte, a decisão de fl. 1.961, de 02/02/11, pelo qual determinou que o processo em epígrafe corresse sob sigilo de justiça, para MANTER o sigilo tão-somente quanto aos documentos bancários e fiscais constantes dos autos.

Por conseqüência, REVOGO o despacho de fl. 1.970, de 22/02/11, que proibiu publicação de notícia a respeito do processo, com a ressalva do parágrafo anterior.

Aguar-se a continuidade da audiência de instrução e julgamento designada para o dia 17/05/11, às 14h30. Intime-se o réu Rômulo Maiorana Júnior pessoalmente por mandado com urgência.

Publique-se na íntegra. Intimem-se. Oficiem-se com cópia deste despacho aos principais periódicos desta Capital.

Cumpra-se com diligência.

Belém/PA, 25 de fevereiro de 2011.

ANTONIO CARLOS ALMEIDA CAMPELO

Juiz Federal Titular da 4.ª Vara/PA

 

___________________________________________

 

Mais sobre o assunto no blog da jornalista Ana Célia Pinheiro, no post

Em defesa da liberdade de imprensa: CNJ no juiz Antonio Carlos Campelo e em todo o Judiciário paraense!

 

 

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 16:07

Fevereiro 24 2011

Despacho datado de 22 de fevereiro do juiz Antônio Carlos Almeida Campelo, titular da 4ª Vara Cível Federal do Pará, nos autos do processo 2008.8903-9, no qual os irmãos Romulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana, principais executivos do grupo Liberal de comunicação, além de outros dirigentes da corporação, são processados, a partir de denúncia feita em 2008 pelo Ministério Público Federal, por crime contra o sistema financeiro nacional, através do uso de fraude, para a obtenção de recursos dos incentivos fiscais da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia), que somaram 3,3 milhões de reais até 1999:


          “Tendo em vista a notícia publicada no Jornal Pessoal (Fevereiro de 2011, 1ª Quinzena, pág. 5) e a decisão de fls. 1961 dos autos, na qual decretou o sigilo do procedimento deste feito, oficie-se ao editor do referido jornal com a informação de que o processo corre sob sigilo e qualquer notícia publicada a esse respeito ensejará a prisão em flagrante, responsabilidade criminal por quebra de sigilo de processo e multa que estipulo, desde já, em R$ 200,00 (duzentos mil reais) [o erro é do texto original].

         O ofício deve ser entregue em mãos com cópia deste despacho.

         Intimem-se. Vista ao MPF”.

 

          No mesmo dia o Diretor de Secretaria da 4ª Vara, Gilson Pereira Costa, encaminhou o ofício, recebido no dia seguinte, 23, pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto, que de pronto deu ciência sobre a determinação perante o oficial de justiça. Como não podia deixar de ser, o jornalista acatou a decisão do magistrado, mas dela pretende recorrer, na forma legal, em defesa do direito (que a liberdade de imprensa lhe confere) de continuar a prestar informações sobre tema de relevante interesse público, como é o caso em questão. Trata-se de denúncia feita pelo fiscal da lei, que é o MPDF, de fraude e malversação de recursos oriundos de renúncia fiscal da União Federal em proveito de projetos econômicos aprovados pela Sudam. Ressalte-se que a liberdade de informação possui tutela constitucional e os julgados dos tribunais superiores têm se orientado no sentido de que o sigilo não se aplica quando incide sobre questão de alto interesse público.


          A matéria publicada na última edição do Jornal Pessoal, da 1ª quinzena de fevereiro, que motivou a liberação do Juiz da 4ª Vara Cível da Justiça Federal é a seguinte:

 

Ronaldo confessa.

“Rominho” viaja

 

Pela terceira vez seguida o empresário Romulo Maiorana Júnior faltou a uma audiência do processo a que responde por crimes contra o sistema financeiro nacional, perante a 4ª vara cível da justiça federal, em Belém. As duas primeiras audiências de instrução foram adiadas a pedido dele, por se encontrar ausente de Belém. No dia 1º, data marcada com quase cinco meses de antecedência para ouvi-lo, o principal executivo do grupo Liberal estava em Miami, nos Estados Unidos, onde tem residência, adquirida recentemente. Só voltou a Belém na madrugada do dia 6, depois de quase um mês em férias.

 

Seu irmão, Ronaldo Maiorana, diretor editor-corporativo do principal jornal do grupo de comunicação, foi à audiência, junto com Fernando Nascimento, diretor da TV Liberal, e João Pojucam de Moraes, diretor industrial de O Liberal. Todos estão indiciados no mesmo processo por crime previsto no artigo 19 da lei 7.492, de 1986 (mais conhecida como lei do “colarinho branco”):Obter, mediante fraude, financiamento em instituição financeira”.

 

A pena prevista é de reclusão, por 2 a 6 anos, e multa. A pena poderá ser aumentada de um terço “se o crime é cometido em detrimento de instituição financeira oficial ou por ela credenciada para o repasse de financiamento”, como é o caso. O que significa que a pena máxima irá a oito anos de reclusão.

 

Condenado por me agredir fisicamente, em 2005, Ronaldo Maiorana só voltou a ser réu primário no ano passado, quando decorreu o prazo de cinco anos de suspensão da execução da sentença, por acordo que fez com o Ministério Público do Estado, substituindo a aplicação da pena pela doação de cestas básicas a instituições de caridade.

 

Ronaldo confirmou a denúncia feita pelo Ministério Público Federal, de que ele e o irmão mais famoso fraudaram o capital próprio da Tropical Indústria Alimentícia (nome original da atual Fly, que já foi Bis) para receber dinheiro dos incentivos fiscais da Sudam, o mesmo crime que atribuem ao ex-deputado federal Jader Barbalho, por ter indicado dirigentes da Sudam acusados de desvio de dinheiro público, do qual tirou proveito.

 

Com o dinheiro público, os Maioranas implantaram uma fábrica de sucos regionais (que se transformou em refrigerantes artificiais do tipo pet) no distrito industrial de Icoaraci. A Sudam liberou 3,3 milhões até 1999, quando começou a investigação da fraude. O processo já dura mais de uma década.

 

A fraude era simples: os dois irmãos sócios depositavam um valor referente à contrapartida de recursos próprios num dia e o sacavam no dia seguinte, quando a Sudam autorizava a liberação, pelo Banco da Amazônia, da colaboração financeira da União, através de renúncia fiscal. Ronaldo se defendeu alegando que não sabia que essa é uma conduta ilícita. Sua defesa argumentou que, uma vez descoberta a fraude, o dinheiro da Sudam foi devolvido e o projeto implantado a partir daí apenas com recursos próprios.

 

A ressalva, porém, não atenua a confissão de culpa: a doutrina e a jurisprudência dos tribunais brasileiros são pacíficas, ao caracterizar esse tipo de procedimento como delito formal. Para que ele se consume, basta que seja utilizado um meio fraudulento para acessar recursos públicos, independentemente de haver ressarcimento posterior. A correção do ilícito não elide a culpa. Logo, Ronaldo Maiorana é réu confesso desse crime. O empresário chegou a chorar ao ser questionado pelo representante do MPF no interrogatório.

 

Esse foi o momento de maior pressão sobre ele. As perguntas feitas pelo juiz Antônio Carlos de Almeida Campelo foram genéricas e não se relacionavam diretamente com os fatos imputados. Ele se interessou por questões como saber quantos empregos o empreendimento gera e se o réu possui outras empresas.

 

O tom da audiência foi tão cordial que no início da sessão o magistrado perguntou ao réu se poderia chamá-lo de doutor. Ao final, se levantou para cumprimentá-lo e aos seus advogados. Essa afabilidade contrastou com os termos do despacho do juiz em 23 de setembro do ano passado, quando, designando nova data para a audiência, ele escreveu que a instrução do processo “vem sendo postergada por razões diversas. A pedido dos réus”.

 

O retardamento tem um objetivo claro: protelar o andamento do processo, recebido pelo juiz em agosto de 2008, a partir de denúncia do Ministério Público Federal, depois de oito anos de apuração, para que o crime prescreva e seus autores permaneçam impunes. É o que a justiça precisa evitar que aconteça. Este é o seu papel, não o contrário.

 

______________________

 

Publicado, ontem, no blog da jornalista Franssinete Florenzano:

 

"O despacho acima, da lavra do juiz Antônio Carlos Almeida Campelo, titular da 4ª Vara Cível Federal do Pará, foi recebido hoje de manhã pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto, que acatou a decisão do magistrado, mas vai recorrer, invocando a liberdade de informação, que tem tutela constitucional, e os julgados dos tribunais superiores, no sentido de que o sigilo não se aplica quando incide sobre questão de alto interesse público.
 

Consultado via twitter, o procurador da República Alan Mansur, dos Direitos do Cidadão, assim se manifestou: "Já existe procurador da República que acompanha o caso, no processo penal referido. Assim, cabe a ele se manifestar nos autos do processo criminal, como entender necessário. Desta forma, a postura do MPF será o que entender o representante que acompanha o caso.”



Leia mais nos blogs dos jornalistas Manuel Dutra, Ana Célia Pinheiro e Franssinete Florenzano

 

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 15:55

Agosto 27 2010
25/08/2010 17:07

 

Da Redação
Secretaria de Comunicação
Feira Pan-Amazônica do Livro edição 2010 promete repetir sucesso do ano passado, quando 500 mil pessoas participaram dos 10 dias de evento

Ariano Suassuna, romancista, poeta e um dos mais importantes dramaturgos brasileiros é um dos convidados para a Feira Pan-Amazônica do Livro 2010

A 14ª edição da Feira Pan-Amazônica do Livro, um dos maiores eventos literários do país, ocorrerá de 27 de agosto a 5 de setembro, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. A ambientação do evento será dedicada aos países africanos de língua portuguesa, os grandes homenageados da feira deste ano.

 

Entre os convidados estão os escritores Mário Prata, Marcel Souto Maior, Carlos Heitor Cony, Pedro Bandeira,o jornalista Caco Barcellos, o cartunista Ziraldo, o educador Celso Antunes, o novelista Walcyr Carrasco, o cineasta Joel Zito, o rapper Rapin Hood e o dramaturgo Ariano Suassuna.

 

A Secretaria de Estado de Cultura(Secult) é a responsável pela preparação do evento, com 176 estandes para abrigar mais de 400 expositores, com diversas atividades culturais.

 

Estão programadas apresentações artísticas, shows, oficinas, bate-papo com escritores, além da visitação aos estandes. A entrada é gratuita.

 

Ariano Suassuna - Dramaturgo, romancista e poeta paraibano Ariano Vilar Suassuna é um dos mais importantes dramaturgos brasileiros. Autor dos célebres Auto da Compadecida e A Pedra do Reino, Suassuna é um grande defensor da cultura nordestina. Com 83 anos, desde 1990 ocupa a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras e, em reconhecimento a sua produção, em 2006, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Ceará, que foi entregue em 10 de junho de 2010.

 

Mário Prata - O escritor mineiro, que já liderou a lista dos "mais vendidos", teve envolvimento com diversos setores que a atividade pode abordar: teatro, cinema e televisão. Mario Alberto Campos de Morais Prata durante 11 anos foi cronista do jornal o Estado de São Paulo, e como roteirista de cinema ganhou dois Kikitos no Festival de Gramado. Com literatura, teatro e cinema, já recebeu 18 prêmios nacionais e estrangeiros. Entre os romances publicados estão "Mas será o Benedito?" e "O diário de um magro".

 

Celso Antunes - Nascido em São Paulo, em 1937, com formação em Geografia e mestre em Ciências Humanas, o educador Celso Antunes é autor de mais de 180 livros didáticos e publicou cerca de 60 livros sobre temas educacionais. Possui obras traduzidas em países como Argentina, México, Peru, Colômbia, Espanha e Portugal. Também ministrou palestras em todos os estados brasileiros (mais de 500 municípios) e fora do país.

 

É membro da Associação Internacional pelos Direitos da Criança Brincar (Unesco) e sócio fundador do "Todos pela Educação" - sociedade civil que reúne lideranças sociais, representantes dainiciativa privada e educadores.

 

Rappin Hood - O rapper e apresentador paulista Antônio Luiz Júnior, mais conhecido como Rappin Hood, nasceu em 1972 e foi criado na periferia de São Paulo, onde começou a compor aos 14 anos deidade. Em 1989 lançou-se como rapper, depois de vencer um campeonato musical. Em 2001, lançou seu primeiro disco solo: Sujeito Homem. Em 2008, assinou contrato com a TV Cultura para apresentar o programa Manos e Minas, que vai acompanhar a produção atual e resgatar histórias da cultura negra brasileira e internacional, em especial a música em suas várias vertentes, além de abordariniciativas e realizações da cultura de periferia.

 

Secult apresenta novidades - O secretário de Cultura do Pará, Cincinato Marques e o diretor de Cultura, Carlos Henrique Gonçalves apresentaram nesta quinta-feira (26) as novidades da 14ª edição da Feira Pan-Amazônica do Livro, que acontece entre os dias 27 de agosto e 5 de setembro, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia.

 

Cincinato destacou a parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) que deverá estimular o comparecimento de mais pessoas no evento, e fez uma estimativa de vendas. "Será algo em torno de R$ 30 milhões", frisou.

 

"Quando eu era jovem lembro que a biblioteca era um lugar sisudo onde havia um cartaz indicando silêncio. Hoje a biblioteca, principalmente, para as crianças, precisa ser um lugar de dinâmica, onde o prazer da leitura possa ser partilhado. Onde se possa pegar nos livros etc", disse o secretario.

 

O diretor de cultura Carlos Henrique Gonçalves frisou a importância de resgatar a obra do escritor paraense Bruno de Menezes (1893 - 1963). "Penso que essa é até uma homenagem tardia pois Bruno foi um dos primeiros escritores brasileiros a incorporar a ‘africanidade' em sua escrita", disse ele.

 

Carlos Henrique também frisou a importância de homenagear os países africanos de língua inglesa e disse que tentaram trazer mais escritores africanos à feira, mas muitos tinham problemas de agenda ou de saúde. "A gente ainda conhece pouco a realidade da África e essa homenagem é importante também para isso", disse ele.

 

Troca de ingressos - A assessoria do Hangar mencionou que a troca de ingressos para o deck, uma espécie de área VIP para os shows que vão acontecer na programação da Feira, será feita a partir das 10h da manhã do dia de cada show e cada pessoa só pode trocar dois ingressos. Cada livro infantil dá direito a um ingresso. "Não pode trocar com mais de dois RGs cada pessoa", informou.

 

Serviço - XIV Feira Pan-Amazônica do Livro. De 27 de agosto a 5 de setembro, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. Entrada franca. Informações: (91) 3344-0100, www.feiradolivro.pa.gov.br e twitter @feiralivropa.

 

O Hangar espera arrecadar cerca de 3 mil livros na troca de ingressos que serão doados a uma biblioteca pública ainda a ser definida.

 

Luciane Fiuza e Elielton Amador - Secom

 

Fonte: Agência Pará

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 22:31

Maio 05 2010

 

Lançamento do livro Vozes em Cena, de Regina Lima


Obra analisa o papel de mediador do campo midiático em matérias das revistas VEJA e ISTO É, em especial, sobre a cobertura da CPI instaurada pela Câmara de Deputados, com o objetivo de apurar a corrupção no Orçamento da União.


No próximo dia 11 de maio, acontece em São Paulo, o lançamento do livro Vozes em Cena – Análise das estratégias discursivas da mídia sobre os escândalos políticos. A publicação, organizada pela professora e jornalista Regina Lúcia Alves de Lima, investiga a configuração do campo midiático e dos dispositivos de comunicação postos em ação no exercício de seu papel de mediador, no intuito de entender as relações entre o campo da mídia e os campos sociais da contemporaneidade.


O lançamento acontece na Casa das Rosas, no Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, às 19h. Vozes em Cena divide espaço de lançamento com mais duas obras: Teledramaturgia – agente estratégico na construção da TV aberta brasileira, da professora Maria Ataíde Malcher, e Nelson Rodrigues – da palavra à imagem, de Joel Cardoso.


Duas noites de autógrafos já estão agendadas para acontecer dentro de eventos que também discutem a comunicação. a primeira acontece dentro da programação do 3º Seminário sobre Programação para a TV Pública, realizado pela Fundação Aperipê de 5 a 7 de maio, no Hotel Quality (Aracajú - SE), onde Regina debate a “Gestão da TV Pública”. E a segunda no dia 15 de maio, no Seminário Nacional “A mídia e as eleições de 2010”, que acontece nos próximos dias 14 e 15, na Câmara Municipal de São Paulo, onde Regina Lima participa do debate “Políticas públicas para democratização da comunicação”.

 

Vozes em Cena

Regina escolheu como alvo um conjunto de matérias, que tratam sobre casos de corrupção no âmbito da política nacional, veiculadas nas revistas semanais VEJA e ISTO É, em especial, a cobertura da CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito – instaurada pela Câmara de Deputados, com o objetivo de apurar a corrupção no Orçamento da União. As matérias escolhidas foram publicadas nos meses de outubro, novembro e dezembro de 1993 e permitem observar o início, o desenvolvimento e o auge da cobertura, bem como seu declínio.

O trabalho, ora transformado em livro, originalmente é uma tese de doutorado defendida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) pela autora.

 

Sobre a autora

Regina Lúcia Alves de Lima é graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Pará, mestre e doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora na Universidade Federal do Pará, é experiente na área de Comunicação com ênfase em Política e Comunicação. Atualmente é presidente da Fundação Paraense de Radiodifusão do Pará – (FUNTELPA), presidente de seu Conselho Curador e presidente da Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (ABEPEC). Integra o Conselho da Secretaria de Audiovisual do Ministério da Cultura e foi membro da Comissão Organizadora da Conferência Nacional de Cultura. Articulista nas áreas de comunicação e mídia, eleições e comunicação pública; palestrante, com ênfase em gênero e mídia, democratização da comunicação e modelos de gestão em comunicação pública. Principalmente, autora do livro que ora chega às mãos dos leitores: Vozes em Cena – Análise das estratégias discursivas da mídia sobre os escândalos políticos.

 

SERVIÇO:

Lançamento do livro Vozes em Cena – Análise das estratégias discursivas da mídia sobre os escândalos políticos, da professora e jornalista Regina Lúcia Alves de Lima, no dia 11 de maio, às 19h, no Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, Casa das Rosas (Avenida Paulista, 37, entrada pela Alameda Santos).

 

Noites de autógrafos:

Dia 5 de maio no 3º Seminário sobre Programação para a TV Pública, realizado pela Fundação Aperipê, no Hotel Quality (Aracajú – SE).

Dia 15 de maio no Seminário Nacional “A mídia e as eleições de 2010”, na Câmara Municipal de São Paulo (São Paulo – SP).

*O livro tem apoio do Governo do Estado de São Paulo, Casa das Rosas, Fadesp e Intercom.


Mais informações:

Camila Moreira – jornalista

(91) 3246-6911/ 8118-1801

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 22:29

Abril 08 2010

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 17:39

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