Simplesmente Lu

Março 06 2007

Recebo e reproduzo e-mail de Cibele Vasco Santos, bailarina e estudante de Serviço Social da UFPA, que convoca a classe artística para discutir políticas culturais no Estado, a partir da semana que vem, no Instituto de Artes do Pará (IAP). A notícia foi veiculada no plantão do Portal ORM , no dia cinco de março de 2007.

Artistas discutem ações culturais no IAP até o dia 30

Discutir as diretrizes que irão nortear a parceria entre o IAP e a classe artística em 2007. Esse é o objetivo do ciclo de seminários que irá reunir profissionais da música, do teatro e da dança para uma conversa sobre as políticas culturais no Estado. Os encontros serão na sede do IAP, das 17h às 19h.

No dia 12 de março (segunda-feira) o IAP convida músicos, compositores, intérpretes e produtores musicais para o seminário ‘Roda de Música’, onde serão debatidas ações culturais para este segmento.  A programação se estende até o dia 16 (sexta-feira). Do dia 19 até o dia 23 é a vez dos profissionais da dança. Durante o seminário ‘O corpo da Dança’ será desenvolvido um ensaio inicial que possibilite a formação de grupos de discussão sobre a linguagem da dança.

Encerrando a programação, do dia 26 até o dia 30 será realizado o seminário ‘Opinião teatral’ que irá discutir as intenções deste segmento através de debates e exercícios cênicos. O foco principal é a importância da criação de um ‘corpo’ coletivo entre artistas e órgãos que atuam na área cultural.

Serviço - De 12 a 30 deste mês, ciclo de seminários com as categorias artísticas, de 17h às 19h,  na sede do IAP, localizado na Praça Justo Chermont, 236. Fonte: Ascom/IAP

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 11:38

Fevereiro 25 2007

bailarina 3d.JPG

Recebi, ontem, um e-mail da bailarina e coreógrafa Rose Monteiro e faço coro com ela. A classe da dança paraense precisa se unir em um objetivo em comum, maior. Necessita se movimentar mais, não só nos palcos. Já convoquei, aqui no blog, os artistas para realizarem o cadastro no Teatro Waldemar Henrique, pois, dessa forma, estarão habilitados para participar da eleição do diretor da Casa. Transcrevo o e-mail:

Ei, “bunita”, olha só o que a Ana Flávia postou na comunidade Pará Dança, no Orkut.

"Gente,

Aconteceu hoje no Teatro Margarida Schivasappa uma eleição para escolha de três representantes de cada segmento artístico (teatro, dança e música) que irão compor a comissão eleitoral para o processo que apontará o novo gerente do Teatro Waldemar Henrique. Como sempre, nossa turma de dança não compareceu em peso, o que nos fez perder espaço para o pessoal do folclore. Dentre os dois candidatos que se elegeram a membro da comissão eleitoral pelo segmento de dança, um era de dança contemporânea e o outro de folclore. Como a galera do folclore estava em massa na assembléia, vocês já devem saber o que aconteceu. Nada contra o folclore, mas fico me perguntando o porquê do interesse desse segmento da dança no Teatro Waldemar Henrique, já que eles sequer utilizam aquele espaço para suas produções. O fato é que agora precisamos nos articular para a eleição, portanto, preparem-se para efetuar cadastro junto ao Teatro Waldemar Henrique, pois somente assim vocês poderão votar. Vamos verificar os candidatos, estudar suas propostas e eleger o que for melhor para aquela casa de espetáculos, sem esquecer sua verdadeira funcionalidade que é abraçar os artistas que investem em experimentação e pesquisa. Colaborem, nossa classe (dança) precisa se fortalecer. (Ana Flávia)”. 

E ela tem toda razão; agora olha o que eu postei também lá:

Ana Flávia, isso é o retrato do que somos, uma classe, em sua maioria, desarticulada, sem objetivos para um grupão, sem consciência do que seja política cultural. a maioria continua mesmo nas suas caixinhas de música, que só funcionam com muita corda.... espero realmente que quem for para lá vislumbre horizontes melhores PARA TODOS e isso podemos e devemos cobrar. Bks! (Rose Monteiro)”.

PS: A idéia do título do post eu “roubei” do blog do Juvêncio de Arruda, o Quinta Emenda .

 

__________________________________________

 

 

Atualizada em 26 de fevreiro de 2007.

IMPORTANTE

A professora e coreógrafa Waldete Brito avisa que o prazo de entrega da documentação foi prorrogado. Até a próxima quinta-feira, dia primeiro de março, responsáveis por grupo, escola ou cia. de Dança podem levar os documentos dos alunos ao teatro. O material necessário é o seguinte: currículo, identidade, CPF e documentos que comprovem, no mínimo, cinco anos de atividade artística (xérox e original).

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 15:42

Fevereiro 06 2007
Recebo e reproduzo e-mail da vereadora Vanessa Vasconcelos, no qual convoca a classe artística paraense para participar do processo que culminará na eleição da nova diretoria do Teatro Waldemar Henrique. A bailarina Rose Monteiro e a procuradora Ana Cláudia Cruz também me enviaram e-mails de divulgação. Gosto de ver esta mobilização. Fico satisfeita de saber que a democracia mostra-se, desde já, como uma das principais preocupações da Secult nesta nova fase.

Eis o e-mail da vereadora:

 

“Meus caros.... contamos com a divulgação do texto abaixo para que toda a classe se una em prol de uma política cultural para todos!!! O cadastramento será de suma importância neste momento! Grata, Um forte abraço. Ver. Vanessa.

 

---

 

Caros artistas, de cinco a 26 de fevereiro ficará no teatro W.H. uma comissão para receber o cadastramento dos artistas, que devem levar curriculum e comprovantes de cinco anos de atividade artística (bailarino, dançarino, musico, ator, sonoplasta, coreógrafo, professor de dança, iluminador etc) com recortes de jornal, programas,declarações e outros. A comissão vai analisar. No dia da eleição, o artista vai com a identidade e vota no seu candidato à direção do TWH. Será formada uma lista tríplice para apreciação do secretário e da governadora. Espero contar com seu apoio, e divulgação nesse primeiro momento que é o cadastramento, conscientizando o artista”.

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 12:07

Fevereiro 06 2007

Já que o assunto é política cultural, aproveito para avisar aos blogueiros que na próxima semana encaminharei ao secretário de Cultura do Estado, Edilson Moura, os textos sobre as desejáveis virtudes para a política cultural do PT no Estado. Apesar de o professor Fábio Castro – idealizador da campanha encabeçada por mim – ter pensado em 10 virtudes, talvez para equilibrar com os 10 pecados do governo do PSDB no Estado, escritos por ele, somente sete textos foram entregues. Aos blogueiros que não conseguiram entregar, principalmente por problema de falta de tempo, agradeço a participação e o apoio importante que deram a esta iniciativa, estendendo meus agradecimentos a todos que escreveram sobre as desejáveis virtudes.

 

O ator Hudson Andrade escreveu sete virtudes em uma; o texto pode ser conferido no blog dele, post Os Sete Selos. Posso dizer então que estamos apresentando 13 virtudes ao invés de sete. Desta forma, as virtudes superam os pecados... rsrsrr Um grande abraço aos meus amigos blogueiros que participaram da campanha escrevendo, comentando, criticando, enfim, participando ativamente deste processo democrático. Esta é a pequena contribuição que a blogosfera paraense dá ao novo governo, com votos de grandes melhorias, especialmente na área cultural.

Ps: Sobre o assunto, indico três leituras do blog do escritor, jornalista e teatrólogo Edyr Augusto Proença: Reis da Rouanet,  Reeducação   e O Teatro 

Ps: Os 10 pecados da política cultural do PSDB no Pará estão no marcador Política Cultural, do blog do professor Fábio Castro , do Departamento de Comunicação da UFPA.

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 11:55

Janeiro 31 2007

10 DESEJÁVEIS VIRTUDES PARA A POLÍTICA CULTURAL DO PT NO ESTADO

Sétima virtude: Produção e veiculação – “Artista quer produzir e veicular suas obras”.

 

Texto: Cláudio Marinho, ator e jornalista.

 

 

Endereço do blog do autor: Na Cena de Cláudio Marinho 

 

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“Artista quer produzir e veicular suas obras.

 

 

Por Cláudio Marinho*.

 

 

As eleições sempre provocam uma reflexão mais intensa sobre os rumos que a administração pública vai dar à saúde, à educação, à cultura e a outras necessidades do povo. Infelizmente a discussão, na maioria das vezes, se restringe às divergências partidárias e pouco se fala de programas de governo. Como as eleições já passaram mesmo, torna-se mais pertinente ainda ir direto ao assunto: artista quer ter meios para produzir e veicular a sua obra. Parece óbvio e é mesmo.

 

 

A discussão parte desta conclusão óbvia porque os artistas, em sua maioria - exceto aqueles eleitos pelos departamentos de marketing de empresas que concedem patrocínio - sequer têm verba para iniciar a sua produção. E quando o trabalho está pronto, começa a peregrinação em busca da veiculação da obra e da divulgação quase sempre deficiente. Quanta solidão!

 

 

Não falo que é papel do governo assumir uma postura paternalista. Não é isso. Digo que o governo tem, sim, o papel fundamental de estimular a produção e veiculação artística, principalmente estimular a pesquisa que traz resultados inovadores e nem sempre comerciais. O governo tem, sim, o papel fundamental de apresentar a arte ao povo que quase sempre está mais preocupado com a própria sobrevivência.

 

 

Não basta estimular o turismo e arrumar as fachadas das cidades. É preciso zelar pelo povo, educá-lo, dar-lhe acesso à cultura, estimular o pensamento. Só assim formaremos uma sociedade realmente democrática e que possa, num futuro próximo, assumir perante o mundo a grande responsabilidade de ser uma sociedade amazônica, preparada para defender seus interesses.

 

 

O governo deve ter, sim, o compromisso com os artistas que são o maior patrimônio da cultura paraense. Este artista é agente de toda a reflexão, é veículo da criatividade, é o que propõe o novo. Não estimular e valorizar o artista é - com certeza - o posicionamento político mais perverso. É assumir - mesmo que não declaradamente - a falta de interesse em ver as transformações necessárias. Este compromisso não deve se resumir a disponibilizar uma lei de incentivo cultural e deixar que o artista estenda o pires aos diretores de marketing das empresas, implorando por patrocínio.

 

 

O Pará tem uma atividade artística singular, que fervilha idéias. O nosso Estado tem uma diversidade musical como se vê em poucos lugares, que transita da música de raiz até o rock, que cada vez mais ganha destaque nacional; o Pará tem um time de fotógrafos premiados internacionalmente pela sensibilidade e capacidade de fazer trabalho autoral; quanta inventividade nas artes plásticas, sintonizadas com a arte contemporânea; o Pará tem escritores incríveis como Dalcídio Jurandir e Maria Lúcia Medeiros que ainda não ocupam o lugar merecido na literatura brasileira; o Estado tem guerreiros do teatro e da dança em suas salas de espetáculos; tem guerreiros nos sets de filmagem que insistem em fazer cinema na Amazônia, mesmo sem condições para isso. Volto aqui, ao ponto de partida: estes artistas querem meios para produzir e veicular suas obras.

 

 

É preciso mesmo retroceder ao ponto de partida: produção e veiculação. Depois disso podemos direcionar a discussão para outras questões. Infelizmente o Pará (que num samba enredo foi chamado a 'obra-prima da Amazônia'), com todo o seu potencial artístico, ainda está no ponto de partida. Mas, graças aos teimosos artistas, está pronto para dar a arrancada!

 

 

Cláudio Marinho é ator e jornalista paraense. Radicado há dois anos em São Paulo, trabalha no teatro e edita o site Na Cena de Sampa  - www.nacenasp.com - que divulga a produção teatral paulistana.”

 

 

Ps: A crônica acima foi publicada em 11 de novembro de 2006 no jornal "O Liberal". As fotos de Cláudio atuando no teatro e no cinema foram retiradas do blog do ator; a arte da montagem é de Alex Padarath.
publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 12:16

Janeiro 25 2007

10 DESEJÁVEIS VIRTUDES PARA A POLÍTICA CULTURAL DO PT NO ESTADO

 

Sexta virtude: Respeito e Compromisso com a Cultura Popular. Texto: Pedro Nelito, professor, sociólogo e mestrando em Direito.

 

 

Endereço do blog do autor: Blog do Pedro Nelito   

 

 

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Solicitado para escrever sobre uma virtude que deveria constar na atuação do governo petista durante sua administração no Estado do Pará, no que concerne ao campo da cultura, escrevo sobre o respeito e o compromisso com a cultura popular.

É possível existir cultura a serviço da política e política a serviço da cultura? Muitos estudiosos sustentam que tudo depende do compromisso de quem tem o poder de decisão; o aspecto político se manifesta sobremaneira.

Assim como pode existir política para proibir, cercear, “direcionar”, também pode existir a organização para o incentivo, para a criação, para o esclarecimento...

Com a nova administração estadual se renovam a esperança e os votos de que os segmentos populares possam ter vez e voz.

Para iniciar é necessário dizer que, nessas poucas linhas que se seguem, entende-se cultura como produção ou manifestação voluntária, individual ou coletiva, que busca a ampliação do conhecimento através de uma elaboração artística, de um pensamento ou de uma pesquisa...

É importante lembrar que nos albores da civilização ocidental a cultura como manifestação de um conhecimento passou a instrumentalizar o poder, a justificá-lo; nesse caso estamos falando de Roma Imperial. A partir e durante o governo de Otávio Augusto (27 a.C. – 14 d.C.) fica bem explícita a utilização da cultura na perspectiva de "direcionar". As obras que eram patrocinadas pelo Estado buscavam o engradecimento da figura do imperador e dessa forma justificavam o poder de Roma, sob o comando de Otávio.

Historicamente, é possível identificar a atividade cultural sendo tutelada ou proibida pelos poderosos de plantão. Em alguns momentos o enaltecimento do poder, noutros o questionamento da opressão e a busca da liberdade; a capitulação diante da força e o renovar das esperanças com novos confrontos.

O pensamento de Galileu Galilei foi considerado subversivo para a sua época, um conhecimento que mexeu com o universo. Argumentava Galileu que a terra era redonda e girava em torno do sol, além de o universo ser infinito. O conhecimento produzido por Galileu não mexeu apenas com o universo, mexeu com o poder. Daí ter sido ameaçado com a fogueira, naquela época, e como conseqüência ele teve que abjurar o conhecimento produzido.

Trazendo essa reflexão para mais perto de nossas inquietações cotidianas, após a consolidação do capitalismo, surgem novas classes sociais: burguesia e proletariado. As novas classes apresentam percepções distintas em relação ao mundo, homem, família e etc. Com a industrialização e os grandes centros urbanos, nos confrontamos no campo cultural com produções distintas também. Temos uma dualidade.

O século passado foi o século das revoluções. A disputa ideológica fez do campo cultural lugar privilegiado para a disputa da hegemonia da sociedade.

Capitalismo e comunismo açoitaram a humanidade com produções culturais que buscavam a satanização do campo adversário, em detrimento daquelas manifestações que iam ao encontro do que existia de mais humano na sociedade, possível de ser encontrado em ambos os campos.

No caso brasileiro, mais especificamente o Estado do Pará, após a retirada dos militares do poder, vive-se, durante o período de redemocratização, uma preocupação de retomar e dar vazão às expressões populares. Não houve uma planificação no que concerne ao campo cultural. Não existiu política cultural que possibilitasse o investimento de recursos na perspectiva de gerar uma autonomia aos vários grupos de difusão das mais variadas expressões culturais já existentes à época. Não se planejou ou se concebeu outros meios de captação de recursos para a manutenção dessas manifestações populares organizadas.

As manifestações populares, chamadas, também, de cultura popular, expressam anseios e em algumas manifestações denunciam mazelas que se abatem sobre os segmentos populares.

Na história mais recente, precisamente nos últimos 12 anos de política cultural do governo tucano, presenciou-se uma ausência de política que viesse a organizar as manifestações populares na direção do que foi exposto acima. No lugar disso, tivemos duas instâncias dentro do governo (Funtelpa x Secult) - pelo menos nos últimos quatro anos - que apoiavam várias manifestações culturais, umas populares, outras eruditas, mas que não estabeleciam uma relação dialógica, um ponto de contato que ensejasse a percepção de uma política de Estado.

Vejamos o caso do carnaval. Com a partidarização, ou melhor, com a “tucanização” das agremiações carnavalescas de maior apelo popular, assistiu-se durante os oito anos do governo petista em Belém o esvaziamento do carnaval no município de Belém, patrocinado pelo governo estadual tucano, que injetava recursos financeiros e transportava as agremiações carnavalescas para se apresentarem no município de Ananindeua. Enquanto este município era administrado por tucanos, manteve-se como palco das apresentações dessas agremiações de Belém.

Apoio ao carnaval que se resumia ao repasse de recursos públicos. Faltava política para o setor.

Como virtude que se espera ver praticada pela administração petista no Governo do Estado do Pará, acentua-se o respeito e o compromisso com a cultura popular.

Um passo importante para o governo petista seria assumir o compromisso com os segmentos populares: criar espaços para dialogar com os vários grupos que produzem e difundem a cultura popular, tomando a contribuição individual e coletiva desse segmento.

Inconcebível que artistas com lastro nacional e às vezes até internacional ainda fiquem se apropriando dos parcos recursos destinados ao setor cultural devido à ausência de uma política de Estado. Existindo uma política cultural de Estado, é necessário que todos os segmentos estatais possam interagir para a sua efetivação.

A Secult deve assumir a responsabilidade de coordenar a implementação em todo o governo dessa política cultural.

A cultura não deve ser tomada como algo dado, estático, mas como um processo dinâmico, que a todo o momento se recria. Processo influenciado pelas disputas ideológicas dos diversos grupos políticos que disputam a hegemonia da sociedade.

Numa perspectiva democrática a cultura popular deve expressar uma liberdade conscientizada e conquistada nas lutas sociais, que possibilite o convívio e a coexistência social, levando em consideração que as restrições impostas à liberdade de cada um só se legitimam na medida em que garantam a liberdade de todos.

A política possibilita a organização dessas manifestações, e cabe o alerta: deve-se ter muito cuidado para não se “legitimar” manifestação popular que atente contra os princípios democráticos, a pretexto de que se trata de manifestação da cultura popular e por isso se permite todo tipo de exageros que dificultam a convivência social democrática. Basta lembrar as festas de “aparelhagens”. A despeito da existência de uma lei que regulamenta os níveis de decibéis permitidos para o funcionamento desses equipamentos sonoros, notícias veiculadas pela mídia paraense demonstram os  transtornos causados por eventos em que essas aparelhagens são a atração principal. É só levantar a opinião das pessoas que moram próximas dessas “festas” para saber o quanto o som alto incomoda. Não cabe ao poder público proibir essas manifestações, deve permiti-las dentro dos padrões legalmente estabelecidos pelo legislativo responsável pela matéria.

Espera-se uma descentralização dos eventos culturais patrocinados pela política cultural do Estado. Nesse sentido a questão cultural permitirá antever a dimensão do compromisso dessa administração com as esperanças depositadas nas urnas da eleição que consagrou a ascensão do Partido dos Trabalhadores ao governo do Estado do Pará.

O que se produziu aqui não foi um texto acadêmico. Estas poucas linhas traduzem a preocupação e ao mesmo tempo a esperança de que a virtude de escutar e assumir compromisso com a cultura popular seja uma realidade benfazeja neste novo governo.

Ps: Na foto, ritmistas e puxadores de samba do Rancho não posso me amofiná.  Fonte da imagem: http://www.belem.pa.gov.br

Ps2: O médico, compositor e escritor Alfredo Oliveira escreveu o livro Carnaval Paraense, lançado recentemente, que registra a riquíssima história do nosso carnaval. Mais informações sobre o livro no Portal ORM e no blog do jornalista, escritor e teatrólogo Edyr Augusto Proença:  POLAROADS - Carnaval Paraense 

 

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 07:59

Dezembro 26 2006

10 DESEJÁVEIS VIRTUDES PARA A POLÍTICA CULTURAL DO PT NO ESTADO

 

 

Quarta virtude: Modéstia.

 

Texto:

Rose Monteiro, professora, bailarina e coreógrafa. Especialista em Pedagogia do Movimento Humano.

Luciane Fiuza de Mello, ex-bailarina e estudante de Jornalismo.

Rubem Meireles, bailarino e coreógrafo; professor do Núcleo Pedagógico Integrado da UFPA.

 

JAIME AMARAL.JPG

PRÓLOGO

"Narciso acha feio o que não é espelho". (Caetano Veloso)

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 18:19

Dezembro 15 2006

Hudson Andrade.jpg

A décima e última "virtude" ainda não tem nome, mas já tem autor. O diretor teatral, ator e blogueiro Hudson Andrade topou participar da campanha da blogosfera papa-chibé, idealizada pelo prof. Fábio Castro e encabeçada por mim: 10 virtudes desejáveis para a política cultural do PT no Estado. É bom lembrar que ele está em cartaz com montagem contemplada pelo Prêmio Funarte, O Glorioso Auto do Nascimento do Cristo-Rei: Terceiro Milagre. Só que não tentarei falar do blogueiro da melhor forma possível aos visitantes deste espaço. Tomarei emprestadas (ou roubadas) as palavras e a foto do próprio, retiradas do primeiro post do seu blog, o Curia d'Arte 

 

Hudson Andrade em cena de Medéia – a tragédia do feminino ultrajado (Brasil, 2004), dirigido por Adriano Barroso e Aílson Braga. Durante os vários meses de ensaio deste espetáculo, mais do que criar um produto artístico, tentou-se criar uma consciência sobre o fazer teatral, ou, termo que gosto muito, sua carpintaria. Todo o processo de criação de um espetáculo, sua dramaturgia, cenografia, figurino e adereçagem, aspectos comerciais de venda do produto, enquadramento de projetos de incentivo, busca de patrocínio. Um espaço de (difícil) convivência para o treinamento físico do ator, criação do personagem, aulas nas quais Adriano e Aílson nos apresentavam os universos de Stanislavsky, Artaud, Grotowski, os textos clássicos, ou contemporâneos, para criar um espetáculo dentro de outro espetáculo, que bebendo da literatura universal, viesse (tra)vestido da cultura popular. Parte desse caminho foi trilhado pela ausência de patrocínio. Faltam-se recursos, vibram a criatividade. Um teatro cuja simplicidade, reaproveitamento, ou ressignificação de materiais não sejam justificativas para a feiúra; onde, sobretudo, o que valha seja o ator e seu ofício, que não é mentir nem fingir, mas conduzir pelas mãos, olhos, ouvidos, coração e alma a platéia para um mundo e um tempo que não são dela. Mostrar mais do que de qualquer outra forma, como são plurais esses seres humanos.

 

 

(Hudson Andrade, 23 de setembro de 2006)

 

AVISO: A ESCOLA DE TEATRO E DANÇA DA UFPA APRESENTA POÉTICAS DO CORPO,  ESPETÁCULO DE DANÇA CONTEMPORÂNEA APRESENTADO PELOS ALUNOS DO SEGUNDO ANO DO CURSO TÉCNICO DE DANÇA, NOS DIAS 16 E 17 DE DEZEMBRO, NO TEATRO WALDEMAR HENRIQUE, 20H. INGRESSOS R$5,00. A DIREÇÃO GERAL É ASSINADA PELAS PROFESSORAS ELEONORA LEAL E MARIA ANA AZEVEDO.

 

Este espaço é destinado às artes todas, sobretudo ao teatro, a quem dedico muito da minha vida, batizado que fui no vinho de Dionísio – Evoé! –, despido de mim, pleno de tudo.
Soaram já três bastonadas!
Merda!!!
publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 04:08

Dezembro 15 2006

Vanessa Vasconcelos.jpg

Alguns políticos têm minha simpatia, como a vereadora Vanessa Vasconcelos (FOTO). Para isso talvez contribua o fato dela ser jornalista, ter dançado com Rosário Martins e desfilado com Antônio Melo (ou somente Melo, como hoje é lembrado), pessoas que admiro. Talvez seja porque ela teve coragem de ser jornalista, candidata à prefeita, capitã e, agora, vereadora. Pode ser ainda por ela ter ouvido a “voz” da dança paraense, ano passado, na audiência pública que organizou para a classe. Um único motivo pode ser que explique a simpatia que nutro pela vereadora: saber que ela chorou quando não conseguiu a gratuidade nos transportes coletivos para profissionais que trabalham oferecendo a própria vida para proteger o cidadão.

Como se não bastasse o que relatei acima, há pouco tempo soube de mais duas ações de Vanessa. Ela aderiu à movimentação nacional dos jornalistas em defesa da regulamentação profissional e da exigência de diploma, sendo autora do requerimento que determina que a Câmara Municipal de Belém encaminhe voto de protesto contra a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que concedeu liminar em favor dos jornalistas sem diplomação. E esta semana a vereadora tomou a iniciativa de incluir nos Anais da Casa a análise crítica do prof. Fábio Castro, do Departamento de Comunicação Social da UFPA, sobre a política cultural do PSDB no Pará.

Escrevi no início da semana para o gabinete da vereadora pedindo detalhes sobre o assunto e uma foto dela para poder fazer o devido registro no meu blog-sapo. Transcrevo abaixo trechos do e-mail/resposta, que recebi ontem, e do referido documento. Aproveito para responder o e-mail aqui, dizendo simplesmente que Vanessa Vasconcelos é um diferencial no cenário político local. Torço para que possamos enxergar a mesma sensibilidade em muitos outros gestores públicos.   

 

 “Cara Luciane. Anexamos o que fora publicado no Diário do Pará, os  "10 pecados", para inserção deste contéudo no Anais da Câmara Municipal de Belém.

Consideramos sua disposição e enfrentamento como atitudes de firmeza e clareza buscando uma consciência mais ampla e cuidadosa com a nossa cidade. Ficamos gratos em receber a sua atenção e seu apreço”.

 

Belém – Metrópole da Amazônia –, Pará, 12 de Dezembro de 2006. Requeiro, na forma regimental e após ouvir o Douto e Soberano plenário, que esta Casa de Leis insira em seus Anais os artigos publicados no do jornal “Diário do Pará”, na coluna do Prof. Fábio Castro, em edição do dia 11 e 12 de dezembro do corrente, intituladas: “OS 10 PECADOS DA POLÍTICA CULTURAL NO PARÁ – PARTE I” “OS 10 PECADOS DA POLÍTICA CULTURAL NO PARÁ – PARTE II” Salão Plenário Vereador LAMEIRA BITTENCOURT, aos 12 dias do mês de dezembro de 2006. VANESSA VASCONCELOS

Vereadora - PMDB

 

Presidente da Comissão dos Direitos da Criança, do Adolescente e do Idoso.

 

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 02:57

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