Simplesmente Lu

Junho 20 2009

19/6/2009 19:56

Da Redação
Agência Pará

 
Eunice Pinto/Ag Pa            Clique na imagem para ampliar
 A helicônia é uma das espécies tropicais que mais despertam o interesse dos

compradores na Flor Pará

 

Cores, aromas e sabores paraenses são as atrações do IV Frutal Amazônia e IX Flor Pará, eventos que nos últimos anos têm desenvolvido o setor do agronegócio no Estado. As feiras, que acontecerão de 25 a 28 no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, são a vitrine dos produtos da região, que a cada safra mostram crescimento positivo, resultado direto do incentivo do governo à agricultura familiar, que sempre teve espaço garantido na exposição e programação técnica do evento.

 

Neste ano, para contemplar atividades práticas, cursos específicos e laboratórios ligados à agricultura familiar, outros espaços serão utilizados além do Hangar: a Unidade Agropecuária da Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri), em Ananindeua, e a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). A expectativa é que esta edição supere os 32 mil visitantes e os R$ 31 milhões da rodada de negócios de 2008.

 

O desempenho confirma a vocação do Estado para o agronegócio: o Pará lidera na produção e exportação de açaí e pimenta do reino; é o segundo maior produtor nacional de cacau; está entre os três maiores produtores nacionais de abacaxi e ganha mercado com as exóticas flores tropicais. Números que indicam um resultado direto do Frutal. Dados oficiais mostram, por exemplo, que as exportações de sucos de frutas têm mantido o recorde na receita estadual, atingindo US$ 10 milhões só no primeiro trimestre de 2009.

 

"Na verdade, o Frutal está inserido na política estadual de desenvolvimento do setor agropecuário. Nós incentivamos estas duas atividades produtivas, porque elas têm uma identidade muito grande com a agricultura familiar, com baixo impacto ambiental e alto rendimento em pequenas áreas", explica Cássio Alves Pereira, titular da Sagri. Ele lembra que as atividades também são boas geradoras de emprego por unidade de área - a fruticultura pode gerar de três a quatro empregos por hectare, e a floricultura até sete.

 

Para esta edição do Frutal Amazônia/Flor Pará são esperados participantes dos 143 municípios paraenses e de outros Estados, como São Paulo, Bahia e Ceará. O paranaense Otacílio Waldir Frigo, que trabalha há dez anos com plantio e comercialização de sementes certificadas de açaí, cupuaçu e pupunha, no município de Castanhal, nordeste do Estado, estará presente aos dois eventos. A agroindústria de Frigo produz polpa de fruta orgânica, gerando 28 empregos diretos.

 

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 O paranaense Otacílio Waldir Frigo, que já confirmou presença na Frutal, investe na produção de sementes certificadas de açaí, cacau e pupunha

 

Capacitação - Este é o segundo ano que o produtor terá um estande na feira, onde aproveita para participar dos seminários e cursos oferecidos. O empresário considera o evento importante para divulgar as sementes, incentivar o plantio e valorizar o que se produz no Pará. Visionário e autodidata, ele lembra que os amigos não acreditavam no empreendimento, mesmo assim insistiu em plantar açaí em terra firme (o solo mais apropriado é a várzea). Hoje, comemora os 30% da produção normal de cerca de 980 toneladas por ano, que colhe na entressafra do açaí.

 

"A divulgação e o incentivo são importantes. Se o Pará tivesse incentivado o plantio (do açaí) 10 anos atrás, hoje a realidade seria outra", comenta Frigo, cuja agroindústria já tem site próprio.

 

Por meio de uma série de convênios, no valor total de R$ 2,1 milhões, integrantes do Programa Campo Cidadão, a Sagri incrementa a fruticultura, realiza eventos como a Frutal Amazônia e o Flor Pará, financia a compra de equipamentos, promove a capacitação de produtores e incentiva a produção de mudas e sementes selecionadas. Agricultores de 30 municípios já foram beneficiados pelo programa.

  

O secretário Cássio Pereira acredita que em cinco anos o cacau, cuja safra ano passado chegou a 50 mil toneladas, poderá liderar o mercado nacional. Por meio de estratégias específicas, o governo do Estado incentiva o aumento da produção e a implantação do processo industrial do fruto.

 

Eunice Pinto/Ag PaClique na imagem para ampliar  

 A produtora Doraci Borralho em meio à plantação de flores tropicais, que vai expor e comercializar na Flor Pará 2009, a partir do próximo dia 25

 

Flores - Enquanto a fruticultura já é uma atividade consolidada, com cerca de 250 mil hectares plantados, a floricultura ainda não tem uma produção significativa, mas a cada ano ganha novos produtores no Estado. A atividade, hoje, é desenvolvida principalmente na Região Metropolitana de Belém, se estendendo até Castanhal. Entretanto, o mercado está se abrindo e ganhando força, graças especialmente ao Flor Pará, que dá visibilidade ao produto, e ao crescimento das atividades de decoração e paisagismo.

A beleza das flores temperadas (rosa, crisântemo, cravo, angélica, zínia etc.) e tropicais (bastão vermelho e as variadas espécies de helicônias), características da região amazônica, chama a atenção e atrai investidores dos mercados interno e externo. Polos como Marabá e Santarém já começam a se desenvolver no cultivo de flores.

 

As flores paraenses cada vez mais ganham mercado na capital e, nos últimos anos, ornamentam a berlinda de Nossa Senhora de Nazaré, no Círio. A produtora Doraci Borralho Miranda, do município de Benevides, ainda festeja as 3 mil cristas de galo amarelas e rosas vendidas no ano passado para a organização da festividade.

  

Ligada à Florbem, associação que reúne cerca de 40 produtores da região, a produtora também lembra o sucesso das vendas no Flor Pará 2008, e já se prepara para a exposição deste ano, junto com os demais associados. Aos 65 anos, Doraci trabalha todo dia, contando com a ajuda de duas funcionárias e, eventualmente, contrata outras pessoas para preparar o terreno.

 

"Agradeço muito à Sagri e aos técnicos da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará), que nos ensinam muitas coisas", diz. Ela explica que o aproveitamento de matérias naturais, como folhagens e caroços de açaí para o preparo de adubo orgânico, foi uma técnica de compostagem que tem ajudado na redução de custos e preservação do meio ambiente. A utilização correta da estufa na germinação das sementes foi outro aprendizado que melhorou a qualidade das flores, que agora têm tamanho padronizado, de acordo com as exigências do mercado. O plantio de flores rende quase mil reais mensais, usados no sustento da família.

 
Rodolfo Oliveira/Ag Pa            Clique na imagem para ampliar

O Pará está entre os três maiores produtores nacionais de abacaxi, fruta comercializada

 in natura e em sucos

 

Crescimento - A feira vem se modelando a um novo e promissor cenário. Entre os eventos paralelos desta edição, os Seminários Setorizados do Açaí e do Cacau resultam do diagnóstico da agricultura familiar, dos estudos das potencialidades e das limitações de cada cultura. É a profissionalização por meio da identificação dos gargalos, como a questão dos recursos humanos, do transporte e da comercialização. "Os seminários já vem focados nas nossas problemáticas. Fazemos as projeções futuras e trabalhamos para eliminar esses gargalos. Isso é superação", afirma Cássio Alves Pereira.

 

Na pauta de exportação do agronegócio paraense os sucos estão em 7º e as frutas em 9º lugar, desempenho que coloca o Pará como um dos mais importantes produtores de frutas e sucos do país. Considerado o carro-chefe, com produção de 500 mil toneladas no ano passado, o açaí é conhecido como "ouro negro". O cacau produziu 50 mil toneladas de amêndoas. De 2004 a 2008, o crescimento na exportação de sucos foi mais de 300%, mais de 50% só no ano passado, quando os sucos e as frutas alcançaram o patamar de US$ 35,9 milhões.

 

Cássio Pereira destaca o programa de formação de recursos humanos da Secretaria. "Nós incentivamos a industrialização. Fazemos convênios com associações e cooperativas de produtores para modernizar a agroindústria deles. Com a assistência técnica, estamos formando uma geração de extensionistas muito habilidosos para a floricultura e fruticultura", ressalta.

 

Luciane Fiuza - Secom


Fotos: Eunice Pinto - Secom 

 

Fonte: http://www.agenciapara.com.br/exibe_noticias_new.asp?id_ver=46847

publicado por Luciane Barros Fiuza de Mello às 21:58

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